Pandemia revela histórias de superação

quinta-feira, 30 de julho de 2020


Com o isolamento social em tempo de pandemia, famílias revelam histórias de superação. Reinventar um jeito novo e desafiador de ser igreja. A educação dos filhos, saber colocar limites e ao mesmo tempo procurar ajudar nas aulas que passarão a ser on-line. O que parecia um desafio revelou uma adaptação e a consciência dos cuidados desse tempo de Pandemia.
Ricardo Gomes – Diocese de Campos

Verônica Gusmão da Silva Morgado residente na cidade do Rio de Janeiro revela as experiências que vivencia desde o inicio do isolamento social e a preocupação com o filho Pedro Gusmão Morgado, 8 anos que é autista. E o que seria um desafio acabou revelando as superações do filho em compreender o que está acontecendo e o isolamento social e como seriam as aulas com o menino. Pedro está no Terceiro ano do Fundamental I

“Quando iniciou o isolamento nós ficamos preocupados com a mudança na rotina, mas Pedro é um autista de grau leve e uma das principais questões é a socialização e logo se adaptou a não ter de participar das questões sociais. Procuramos deixar ele informado do que estava acontecendo no pais e no mundo. Conversamos e deixamos ele assistir os noticiários e ele compreender o porque de não poder sair, não ir a escola, de não fazer as terapias. Ele ficou 15 dias sem ter as aulas. A Psicóloga não parou e a Psicomotricidade teve de parar por ser uma terapia de movimento”, reflete a mãe.



Verônica Gusmão com o filho Pedro

A adaptação às aulas aconteceram de imediato pelo fato do menino gostar de tecnologia, celular, tablet e computador e foi mais fácil revela a mãe que ficou ajudando e acompanhando e incentivando participando e as aulas iniciaram com vídeos curtos e aos poucos as terapias foram sendo adaptadas.

“A gente incentivando as atividades físicas leves, uma corridinha com obstáculos e a principio ele aceitou bem e agora esta resistindo e só aceita as atividades do terapeuta e da escola e fazemos um trabalho para ele não ficar limitado a televisão e as tecnologias. Não sentiu muita falta do convívio dos amigos e estão sempre se falando pelos grupos pelas redes sociais e a escola iniciou as aulas remotas e com professores e alunos ao vivo e ele gostou muito desse contato com os amigos e as provas passaram a ser pela plataforma digital e estamos sempre junto dele, estudando e tirando as dúvidas do conteúdo, porque fica difícil da professora fazer isso e estou sempre participando. Ele está muito bem e a gente brinca esse é o nosso momento e ele concorda, mesmo com resistência e participa e o pai sai com ele para caminhar para ter esse desgaste físico e ajuda ele a dormir, já que ele toma medicação para pegar no sono, mas esta tudo fluindo muito bem. Ele reclamou que estava cansado da quarentena e queria muito poder sair, passear e ver os amigos. Esta muito tempo dentro de casa e estamos cumprindo o isolamento dentro do possível e Pedro sabe que não pode abraçar, não pode beijar e não pode demorar muito tempo num determinado lugar e já tem consciência do uso de máscara e estamos vivendo esse desafio, disse Verônica.

Fonte:

Papa Francisco: procuremos o contágio do amor, transmitido de coração a coração

quarta-feira, 29 de julho de 2020


O Papa Francisco escreveu o prefácio do livro organizado pelo cardeal Walter Kasper “Comunhão e esperança”. Testemunhar a fé em tempo de coronavírus. Francisco recorda que a pandemia “é um momento de provação e escolha para que possamos dirigir nossas vidas a Deus de uma maneira renovada.

Vatican News

O Papa Francisco escreveu o prefácio do livro 

"A crise do coronavírus surpreendeu a todos como uma tempestade repentina, mudando de repente e em todos os lugares do mundo a nossa vida familiar, o nosso trabalho e a vida pública. Muitos lamentam a morte de parentes e amigos próximos. Muitas pessoas se encontram em dificuldades financeiras ou perderam seus empregos. Em vários países, justamente na Páscoa, a principal solenidade do cristianismo, não foi possível celebrar a Eucaristia de maneira comunitária e pública e receber a força e consolo dos sacramentos.

Esta dramática situação tornou evidente toda a vulnerabilidade, inconsistência e necessidade de redenção de nós homens e colocou em questão muitas certezas nas quais confiamos em nossa vida diária para nossos planos e projetos. A pandemia levanta questões fundamentais sobre a felicidade em nossas vidas e o tesouro de nossa fé cristã.

Deus, nosso apoio e nossa meta

Esta crise é um sinal de alarme para refletir sobre onde se apoiam as raízes mais profundas que nos sustentam na tempestade. Nos lembra que esquecemos e ignoramos algumas coisas importantes da vida e nos faz refletir sobre o que é realmente importante e necessário e o que é menos importante ou o seja só na aparência. É um momento de provação e escolha para que possamos dirigir nossas vidas a Deus, que é nosso apoio e nossa meta, de uma maneira renovada. Esta crise nos mostrou que precisamente em situações de emergência dependemos da solidariedade dos outros e nos convida a colocar nossas vidas ao serviço dos outros de uma nova maneira. Ela deve nos fazer agir contra da injustiça global para que possamos despertar e ouvir o grito dos pobres e de nosso planeta tão gravemente doente.

"Contágio" do amor

Em meio à crise do coronavírus, celebramos a Páscoa e ouvimos a mensagem da Páscoa da vitória da vida sobre a morte. Esta mensagem sublinha que, como cristãos, não devemos nos permitir a ficar paralisados pela pandemia. A Páscoa nos dá esperança, confiança e coragem, ela nos fortalece na solidariedade. Nos diz para superar as rivalidades do passado e nos reconhecermos como membros de uma grande família que vai além de todas as fronteiras e na qual cada um carrega o fardo do outro. O perigo de ser infectado por um vírus deve nos ensinar outro tipo de "contágio", o do amor, que é transmitido de coração para coração. Sou grato pelos muitos sinais de prontidão para ajuda espontânea e  pelo compromisso heróico dos profissionais da saúde, médicos e sacerdotes. Nessas semanas sentimos a força que vinha da fé.

Jejum eucarístico

A primeira fase da crise do coronavírus, na qual as celebrações públicas da Eucaristia não foram possíveis, representou para muitos cristãos um tempo de doloroso jejum eucarístico. Muitos experimentaram que o Senhor está presente em todos os lugares, onde dois ou três estão reunidos em Seu nome. A transmissão das celebrações eucarísticas pela mídia foi uma solução de emergência pela qual muitos ficaram gratos. Mas a transmissão virtual não pode substituir a presença real do Senhor na celebração eucarística. Portanto, me alegro porque agora podemos voltar à vida litúrgica normal. A presença do Senhor Ressuscitado em sua Palavra e na celebração eucarística nos dará a força necessária para enfrentar os difíceis problemas que nos esperam após a crise.

Meu desejo e minha esperança é que as reflexões teológicas contidas neste livro inspirem reflexão e despertem em muitas pessoas uma nova esperança e uma nova solidariedade. Como com os dois discípulos no caminho de Emaús, também no futuro o Senhor nos acompanhará pelo caminho com sua Palavra e, repartindo o Pão eucarístico, nos dirá: 'Não tenhais medo! Eu venci a morte'".   

Fonte:


São Tiago Maior: reconstrução artística do rosto de um dos apóstolos mais próximos de Jesus

terça-feira, 28 de julho de 2020


Neste dia 25 de julho, da Festa de São Tiago, o Departamento de Arqueologia Sacra da Academia Brasileira de Hagiologia (ABRHAGI) através de um dos seus fundadores, o perito em relíquias sagradas Fábio Tucci Farah, apresentou uma iconografia revisitada do Apóstolo. A reconstrução artística facial foi encorajada por dom Julián Barrio Barrio, arcebispo de Santiago de Compostela, onde estão depositadas as relíquias sagradas de São Tiago Maior, ligadas às origens apostólicas, que continuam atraindo multidões de devotos.

O especialista em relíquias da Arquidiocese de São Paulo, Fábio Tucci Farah, em audiência com Dom Odilo Scherer, arcebispo local, já apresentou uma pesquisa que vai orientar a reconstrução artística do rosto de São Paulo, patrono da cidade. A ideia segue mais um projeto idealizado por Farah, um dos fundadores do Departamento de Arqueologia Sacra da Academia Brasileira de Hagiologia (ABRHAGI), que, pela ciência forense e mesmo sem acesso aos crânios dos santos, já recriou o retrato artístico mais fidedigno de Santa Joana d’Arc e, agora, está apresentando em primeira mão a reconstrução facial artística de São Tiago Zebedeu, um dos apóstolos mais próximos de Jesus e testemunha de Sua Transfiguração.

O Rosto da Europa
O projeto nasceu há 2 anos e foi intitulado “O Rosto da Europa”, em referência à afirmação do autor alemão Goethe - a Europa se fez a caminho de Santiago – e à tradição por onde o Apóstolo teria levado a Boa Nova do Reino. Tanto que, no século IX, a descoberta das relíquias de São Tiago na Espanha começou a arrastar multidões ao seu sepulcro. Naquela época, como lembra Farah – também curador adjunto da Regalis Lipsanotheca, em Ourém/PA, um dos maiores acervos de relíquias fora do Vaticano – “se aproximar das relíquias de um Apóstolo era estar em sua presença”:

“Com o passar dos séculos, as relíquias se perderam dentro da catedral até a redescoberta, em fevereiro de 1879.  Em uma audiência privada com dom Julián Barrio Barrio, arcebispo da cidade, manifestei o desejo de reconstruir o rosto do Apóstolo. Seus restos mortais, incluindo o crânio, estão ali. Porém, o relicário está lacrado e há uma interdição papal impedindo sua abertura: a bula Deus Omnipotens, de Leão XIII. Diante disso, surgiu a ideia de fazer a recriação artística do rosto do Apóstolo, usando os mesmos princípios empregados no trabalho de Santa Joana d’Arc.”


O pesquisador brasileiro em audiência com Dom Julián Barrio Barrio, arcebispo de Santiago de Compostela

Um projeto de ponte-área Brasil-Espanha
O rosto de São Tiago foi recriado pela artista espanhola Girleyne Costa, e a pesquisa, uma etapa fundamental do projeto, contou com a parceria de Farah e Mariana de Assis Viana Mansur, “que já percorreu oito vezes o Caminho de Santiago e conhece bem a iconografia do Apóstolo”, explica o especialista brasileiro. Farah comenta que “não seria suficiente retratar um pescador galileu do século I”, com suas características étnico-raciais. Era preciso ir além, buscando traços em referências já consagradas e em iconografias pouco conhecidas.

“A ideia não seria apresentar o rosto de um pescador galileu do século I e dizer: ‘eis aí São Tiago’. Mas apresentar o rosto de um provável pescador galileu do século I que fizesse as pessoas se lembrarem do Apóstolo: o irmão de São João, retrato nas catacumbas nos primeiros séculos, o primo de Jesus Cristo, o apóstolo que saúda os peregrinos em sua imagem mais célebre – a do Pórtico da Glória. Um homem que chegou ao ‘fim do mundo’ para pregar o Evangelho. Com o dossiê histórico, a Girleyne iniciou os esboços. Acompanhei o processo do primeiro esboço ao retrato final; essa etapa durou aproximadamente seis meses.”

A importância do culto religioso
A imagem nunca esteve tão valorizada como nos últimos tempos. O próprio João Paulo II, em carta apostólica sobre a veneração das imagens (Duodecimum Saeculum de 1987), enfatizava a importância da representação de Jesus, de Nossa Senhora, dos Mártires e dos Santos para “favorecer a oração e a devoção dos fiéis”. E conhecer um rosto fidedigno à realidade de personagens históricos, como o de São Tiago Maior, finaliza Farah, é um instrumento eficaz para reavivar e fortalecer a fé dos devotos:

“O rosto realista de um santo se prestaria apenas à satisfação da curiosidade de nossa época? Para muitos devotos, a apresentação do rosto mais fidedigno de um santo a partir da reconstrução forense é acompanhada pelo fortalecimento da fé, pelo interesse renovado em imitar sua vida e seus costumes. E o mais importante, ajuda a erguer os olhos em direção ao Reino dos Céus. Ao contemplar a face humana de São Tiago, os devotos de hoje podem alcançar a Boa Nova que o Apóstolo carregou aos ‘confins da terra’. E são capazes de descortinar o que os aguarda no fim da peregrinação por este mundo.”


Em frente à Catedral de Santiago de Compostela, Fábio Tucci Farah com Mariana Mansur (à direita), coordenadores do projeto “O Rosto da Europa”.

Semana da Família - Missa de Abertura - Paróquia Santa Júlia

segunda-feira, 27 de julho de 2020



Está chegando mais uma edição da Semana da Família, que este ano tem como tema "Eu e minha casa serviremos ao Senhor" (Josué 24, 15) .
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Diante do cenário da pandemia mundial do coronavírus, este ano a programação na nossa Arquidiocese também inclui transmissões pela internet, além das atividades nas paróquias.
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A Missa de abertura será dia 07 de agosto, às 19, na Igreja Santa Júlia. E a transmissão será através do canal da ArquiPB no YouTube.
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O Papa: olhemos para necessidades dos outros, não estamos sós no mundo

domingo, 26 de julho de 2020


Com uma mensagem em vídeo o Papa Francisco se dirige a cerca de 600 participantes do quarto Curso de Espiritualidade organizado pela diocese argentina de Comodoro de Rivadavia na Patagônia centralizado no tema da "Coversão à diaconia social", do cuidar de quem está ao lado, segundo o exemplo evangélico do Bom Samaritano.
Colocar-se a serviço dos outros, levando em consideração suas necessidades e compreender que não estamos sozinhos no mundo: este é o coração da mensagem em vídeo enviada pelo Papa Francisco na sexta-feira, 24 de julho, ao quarto Curso de Espiritualidade organizado pela Diocese de Comodoro de Rivadavia, na região argentina da Patagônia.

O vídeo do Pontífice foi difundido pela Igreja local através de seu canal no YouTube. O curso, realizado de modo virtual, foi centralizado no tema “Conversão à diaconia social”, que se inspira no documento da Comissão Teológica Internacional “A Sinodalidade na vida e na missão da Igreja”.

Efetivamente, o quarto capítulo deste texto é dedicado à “Conversão por uma renovada sinodalidade”. “‘Conversão à diaconia social’ é um título sugestivo, ou seja, significa dar-se conta de que devo servir aos outros, perceber que não sou o único no mundo, que devo olhar para o que o outro precisa, suas necessidades materiais, para suas necessidades espirituais”, afirma o Papa em sua mensagem em vídeo.

E acrescenta: “Por egoísmo, estamos acostumados a passar sem ver aqueles que sofrem, olhando para outro lugar”, mas “Jesus nos pede para sermos servos dos outros como o Bom Samaritano cujo nome não conhecemos: um homem anônimo que cuidou daquele que estava à beira do caminho”.

"Coragem, façam bater seus corações"
“À beira do caminho da vida há homens e mulheres como nós, há idosos e crianças que nos pedem, com um olhar, que lhes demos uma mão”, ressalta o Papa Francisco.

Daí, o encorajamento do Pontífice a “um processo de conversão à diaconia, a ser diáconos, servos dos outros”, porque “Jesus diz: ‘Nem mesmo quem tiver dado um copo de água em meu nome ficará sem recompensa’ (Mt 10,42)”.

“Coragem! – exorta o Papa. Peço a vocês somente que façam bater seus corações, nada mais, e que olhem bem. O mais virá por si mesmo”. A mensagem em vídeo conclui-se com a bênção, a invocação à Virgem Maria e o pedido de orações.

Cerca de 600 agentes de pastoral de toda a diocese participaram virtualmente do curso de espiritualidade. O bispo local, dom Joaquin Gimeno Lahoz, recordou que, desde quando era arcebispo de Buenos Aires, o Papa Bergoglio demonstrou interesse pela Patagônia, expressando proximidade e ajuda ao Seminário Patagônico. Esta mensagem em vídeo, portanto, é mais um encorajamento a não esquecer esta região.


Boletim ARQUIPB | 25 de Julho

sábado, 25 de julho de 2020





435ª Festa das Neves

sexta-feira, 24 de julho de 2020













A fé é luz para os sofrimentos

quinta-feira, 23 de julho de 2020

À luz do dia é possível ver o Senhor? Não. À noite você O vê? Não. Mas crê em Sua presença? Sim, creio.

Essa fé que não ocupa espaço e não pode ser guardada no bolso, mas quer habitar o seu coração e inteligência é a mesma que precisamos lançar mão nas “noites escuras” da alma. E é exatamente essa fé que quer ser tirada de nós; é sobre ela toda a investida do demônio.

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Foto Ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

O demônio quer que você acredite: Deus me abandonou à própria sorte! Que Deus é este que me abandona quando eu mais preciso? Ele não dizia: “Eu Sou a Luz?” (Jo 8,12); e por que me deixa nessa escuridão?

Acenda a sua luz

O Deus, que permite que você passe por isso, é o mesmo que caminha silencioso ao seu lado, para deixar acender em ti a Sua luz. Ele quer que tu sejas luz: “Não basta que sejas meu servo, vou fazer de Ti luz das nações(…)” (Is 49,6).

Se entendermos a dinâmica do amor de Deus, tudo fica mais simples. Pois, o amor permite o sofrimento, logo, o amor não exclui o sofrimento. Nessa dinâmica do amor de Deus, amor e sofrimento são companheiros de missão e não inimigos.

Se, em Sua suma bondade e inteligência, sabedoria e misericórdia, Deus permite um sofrimento, é porque desse Ele poderá promover a salvação. Dar sentido ao sofrimento seja, talvez, o caminho menos doloroso e mais fecundo desta “via crucis” inevitável de nossas vidas.

Para isso, a importância de saber ser amado e sentir-se amado por Deus. Pois, é isso que manterá, na circunstância que for, a chama da fé acesa. Então, a escuridão mais densa dará lugar à Luz mais clara.

Não deixe a sua luz apagada. Acenda-a!

Fonte: Canção Nova

Vaticano divulga documento sobre Missão e Evangelização nas Paróquias

terça-feira, 21 de julho de 2020

Novo documento canônico-pastoral, de autoria da Congregação para o Clero, traz projetos de reforma da comunidade paroquial e de reestruturação diocesana

Da redação, com Vatican News
Na Igreja, há lugar para todos e todos podem encontrar seu lugar, respeitando a vocação de cada um. Este é o sentido do novo documento da Congregação para o Clero, do Vaticano, denominado “A conversão pastoral da comunidade paroquial a serviço da missão evangelizadora da Igreja”, que foi divulgado nesta segunda-feira, 20. O documento, que é uma instrução, propõe modalidades para favorecer a corresponsabilidade dos batizados e promover uma pastoral de proximidade e cooperação entre as paróquias. O que emerge, sobretudo, é a urgência de uma renovação missionária, de uma conversão pastoral da paróquia, para que ela redescubra o dinamismo e a criatividade que a levam a ser sempre “em saída”, com a contribuição de todos os batizados.
Composta de onze capítulos, a instrução pode ser dividida em duas grandes áreas: a primeira (cap. 1-6) oferece uma reflexão ampla sobre a conversão pastoral, o sentido missionário e o valor da paróquia no contexto contemporâneo; a segunda (cap. 7-11) se detém nas repartições das comunidades paroquiais, nas diferentes funções presentes nelas e nas modalidades de aplicação das relativas normas.
Sinal permanente do Ressuscitado no meio do povo, “a paróquia é uma casa em meio às casas”, lê-se na primeira parte do documento, e o seu sentido missionário é fundamental para a evangelização. A globalização e o mundo digital mudaram o laço específico com o território, que não é somente um espaço geográfico, mas um espaço existencial. É justamente neste contexto que surge a “plasticidade” da paróquia, capaz de entender as exigências dos tempos e adaptar seu serviço aos fiéis e à história. Por isso, a instrução sublinha a importância de uma renovação missionária das estruturas paroquiais: longe de se tornar autorreferencial e de esclerosar-se, elas deverão investir no dinamismo espiritual e na conversão pastoral baseada no anúncio da Palavra de Deus, na vida sacramental e no testemunho da caridade.
A “cultura do encontro” é o contexto que promove o diálogo, a solidariedade e a abertura a todos: a comunidade paroquial é chamada a desenvolver uma verdadeira e própria “arte da proximidade”. É recomendado o testemunho da fé na caridade e a importância da atenção aos pobres que a paróquia evangeliza, mas pelos quais se deixa evangelizar. Todo batizado deve ser um “protagonista ativo da missão evangelizadora”, reitera a Congregação para o Clero, e isso exige “uma mudança de mentalidade e uma renovação interior” para que haja uma reforma missionária da pastoral. Naturalmente, estes processos de mudança deverão ser flexíveis e graduais, porque cada projeto deve estar situado na vida real de uma comunidade, sem ser imposto de cima e sem “clericalizar” o serviço pastoral.

As repartições paroquiais e o pároco

A segunda parte do documento se abre com a análise das repartições paroquiais: elas deverão seguir o “fator chave” da proximidade, considerando a homogeneidade da população e as características comuns do território. O documento se detém nos procedimentos específicos relativos à incorporação, a fusão ou a divisão de uma comunidade paroquial em paróquias autônomas, e nos Vicariatos forâneos que reúnem várias unidades paroquiais, e as áreas pastorais que reagrupam mais Vicariatos forâneos.
Em seguida, é abordado o tema da atenção ao cuidado pastoral das comunidades paroquiais, tanto na forma ordinária quanto extraordinária: em primeiro lugar, é sublinhado o papel do pároco como “pastor próprio” da comunidade. Ele está a serviço da paróquia, e não o contrário, recorda a instrução, e cuida plenamente das almas. Consequentemente, o pároco deve ter recebido a Ordem do presbiterado; qualquer outra possibilidade está excluída. Administrador dos bens da paróquia e representante jurídico da mesma, o pároco deve ser nomeado por tempo indeterminado, pois o bem das almas exige estabilidade e requer o conhecimento da comunidade e sua proximidade.
No entanto, o documento recorda que, quando uma Conferência Episcopal estabelece por decreto, o bispo pode nomear um pároco por um período determinado, desde que não seja inferior a cinco anos. Além disso, uma vez atingida a idade de 75 anos, o pároco tem o “dever moral” de apresentar a sua renúncia, mas não deixará o cargo enquanto a renúncia não for aceita e comunicada pelo bispo por escrito. Em todo caso, a aceitação será sempre por uma “causa justa e proporcional”, de modo a evitar uma concepção “funcionalista” do ministério.

Diáconos: ministros ordenados, não “meio padres e meio leigos”

Uma parte do oitavo capítulo é dedicada aos diáconos: colaboradores dos bispos e dos presbíteros na única missão evangelizadora, são ministros ordenados e participam, ainda que de forma diferente, do Sacramento da Ordem, especialmente no âmbito da evangelização e da caridade, incluindo a administração dos bens, a proclamação do Evangelho e o serviço à mesa eucarística. Não devem ser considerados “meio padres e meio leigos”, afirma a instrução, citando o Papa Francisco, nem devem ser vistos na perspectiva do clericalismo e do funcionalismo.

O testemunho dos consagrados e o compromisso dos leigos

A Congregação para o Clero reflete também sobre os consagrados e os leigos dentro das comunidades paroquiais: dos primeiros, se recorda não tanto “o fazer”, mas “o ser testemunhas de um seguimento radical de Cristo”, enquanto dos leigos, se enfatiza a participação na ação evangelizadora da Igreja e pede-lhes “um compromisso generoso” para um testemunho de vida conforme ao Evangelho e a serviço da comunidade paroquial. Os fiéis leigos podem também ser instituídos leitores e acólitos (ou seja, para o serviço do altar) de forma estável, com um rito especial, desde que estejam em plena comunhão com a Igreja Católica, haja uma formação adequada e uma conduta pessoal e pastoral exemplar. Além disso, em circunstâncias excepcionais, podem receber outros funções do Bispo, “a seu prudente juízo”: celebrar a Liturgia da Palavra e o rito das exéquias, administrar o Batismo, auxiliar nos matrimônios, com a permissão prévia da Santa Sé, e pregar na igreja ou no oratório em caso de necessidade. Não poderão, em nenhuma circunstância, fazer a homilia durante a missa.

Incêndio da Catedral de Nantes: comunicado dos bispos franceses

segunda-feira, 20 de julho de 2020



“Não é apenas um patrimônio religioso que é destruído, mas também um símbolo da fé católica que é danificada, ferindo o coração dos católicos que ali encontram abrigo espiritual, ponto de referência para sua fé". Declaração dos Bispos da França depois do incêndio criminoso da Catedral de Nantes.
Alessandro Guarasci – Vatican News

Segundo o canal de notícias francês BFM, foi detido um homem que estaria envolvido no incêndio da Catedral de Nantes. Esta pessoa era um voluntário que teria recebido ordens para fechar a igreja na véspera do incêndio. Estão sendo feitas investigações sobre o caso, mas o promotor Pierre Sennès afirmou que "qualquer interpretação que possa implicar o envolvimento desta pessoa no que aconteceu é prematura e precipitada".

Continuam as investigações
Sennes anunciou que será feita uma investigação por incêndio criminoso, mas até o momento não foi encontrado "nenhum sinal de entrada forçada". O Primeiro Ministro Jean Castex e vários ministros foram imediatamente ao local, prometendo que o Estado fará todos os esforços para a reconstrução e para esclarecer o caso. As chamas - circunscritas pelos bombeiros - se desenvolveram perto do órgão, que ficou destruído, e em ambos os lados da nave.

Fogo iniciou no órgão
Segundo as primeiras reconstruções as chamas se desenvolveram por volta das 7h30 da manhã. Logo depois os habitantes da área deram o alarme: através da janela rosácea gótica, viram o impressionante fogo dentro da catedral. Cerca de 100 bombeiros vieram de toda a região, os primeiros não hesitaram em arrombar a porta para intervir imediatamente. Todos os esforços foram concentrados no objeto de maior risco, o grande órgão que havia pegado fogo primeiro. Em seguida, cuidaram de proteger as obras de arte que enriquecem as paredes da catedral.

Os bispos: ferido o coração de todos os fiéis
Em um comunicado, a Conferência Episcopal Francesa deu voz aos sentimentos de todos os católicos do país, salientando que "após o incêndio de Notre-Dame em Paris em abril de 2019 e o desta mesma catedral em Nantes em 1972, não é apenas uma parte do patrimônio religioso que é destruído, mas também um símbolo da fé católica que é danificada, ferindo o coração de todos aqueles para quem estes edifícios são lugares de oração, abrigos espirituais, pontos de referência para sua fé".

Os católicos da França em oração
Os bispos franceses convidam os católicos franceses a se unirem em oração em apoio aos católicos de Nantes e comunicaram que, de Bruxelas, o Presidente da República, Emmanuel Macron, falou com o Presidente da Conferência Episcopal da França, Dom Eric de Moulins-Beaufort, exprimindo "sua compaixão". "Macron quis expressar o vínculo que une a comunidade nacional com a comunidade católica diante deste novo drama".

Fonte: Vatican News

Oração à Nossa Senhora do Carmo

sexta-feira, 17 de julho de 2020


Nossa Senhora do Carmo que deixastes o Santo Escapulário como sinal do Vosso amor e proteção.
Sois reconhecida como assistência na vida e consoladora amável na hora da morte, eu, vosso filho e devoto, pronto a Vos servir, disposto a Vos amar, me apresento a Vós e nesta Novena faço o meu pedido:
(Peça a graça que você necessita)
Nossa Senhora do Carmo, nunca se ouviu dizer que alguém necessitado, tendo recorrido a Vós, tenha ficado desamparado.
Com confiança, Mãe do Escapulário, intercedei junto ao Vosso Filho Jesus Cristo, por mim, por aqueles por quem devo rezar sempre e por aqueles que se confiam às minhas orações.
Mãe amável, sede-nos propícia e rogai por nós a Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós.
Mãe do Santo Escapulário, rogai por nós.
Amém

16 de Julho - Nossa Senhora do Carmo

quinta-feira, 16 de julho de 2020


Ao olharmos para a história da Igreja, encontramos uma linda página marcada pelos homens de Deus, mas também pela dor, fervor e amor à Virgem Mãe de Deus: é a história da Ordem dos Carmelitas, da qual testemunha o cardeal Piazza: “O Carmo existe para Maria e Maria é tudo para o Carmelo, na sua origem e na sua história, na sua vida de lutas e de triunfos, na sua vida interior e espiritual”.
Carmelo (em hebraico, “carmo” significa vinha; e “elo” significa senhor; portanto, “Vinha do Senhor”): este nome nos aponta para a famosa montanha que fica na Palestina, donde o profeta Elias e o sucessor Elizeu fizeram história com Deus e com Nossa Senhora, que foi prefigurada pelo primeiro numa pequena nuvem (cf. I Rs 18,20-45).
Estes profetas foram “participantes” da Obra Carmelita, que só vingou devido à intervenção de Maria, pois a parte dos monges do Carmelo que sobreviveram (século XII) da perseguição dos muçulmanos chegaram fugidos na Europa e elegeram São Simão Stock como seu superior geral; este, por sua vez, estava no dia 16 de julho intercedendo com o Terço, quando Nossa Senhora apareceu com um escapulário na mão e disse-lhe: “Recebe, meu filho, este escapulário da tua Ordem, que será o penhor do privilégio que eu alcancei para ti e para todos os filhos do Carmo. Todo o que morrer com este escapulário será preservado do fogo eterno”.
Vários Papas promoveram o uso do escapulário e Pio XII chegou a escrever: “Devemos colocar, em primeiro lugar, a devoção do escapulário de Nossa Senhora do Carmo – e ainda – escapulário não é ‘carta-branca’ para pecar; é uma ‘lembrança’ para viver de maneira cristã, e assim, alcançar a graça duma boa morte”.
Neste dia de Nossa Senhora do Carmo, não há como não falar da história dos Carmelitas e do escapulário, pois onde estão os filhos aí está a amorosa Mãe.
Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!

O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo



Voltando às origens...

A origem do escapulário de Nossa Senhora do Carmo está ligada a um difícil momento histórico da Ordem Carmelitana.

Os eremitas que viviam nas grutas do Monte Carmelo buscando, à semelhança de Maria, a intimidade com Deus no silêncio e na oração, viram-se obrigados a migrar, após a tomada da Terra Santa, para a Europa. Uma vez chegados no Ocidente, encontraram vários obstáculos para aí se estabelecerem. De um lado, os carmelitas tinham um estilo de vida bastante diferente das demais Ordens religiosas; de outro, a crise econômica pela qual passava então o continente europeu não os tornava benquistos, pois representavam mais alguém a compartilhar as pobres esmolas dos fiéis. O Carmelo corria até mesmo o risco de se extinguir.

Na época, era Superior Geral Frei Simão Stock [1]. A tradição nos conta que ele recorria à Maria sem cessar, com muito fervor, pedindo-lhe que manifestasse sua proteção aos carmelitas e que não deixasse morrer a Ordem que nascera para honrá-la e imitá-la. E a oração de São Simão Stock chegou ao coração materno de Nossa Senhora...


Segundo a tradição da Ordem e antigos testemunhos, no dia 16 de julho de 1251 — e é por isso que a Igreja celebra a festa de Nossa Senhora do Carmo neste dia do mês de julho —, a Virgem Maria apareceu a São Simão Stock e lhe entregou o escapulário dizendo: " O escapulário será para ti um privilégio, e quem morrer piedosamente revestido com ele será preservado do fim eterno".

Desde então, o escapulário passou a fazer parte integrante do hábito dos carmelitas.

Mas, o que se deve entender pelo termo "piedosamente" empregado pela Virgem Maria? Trata-se, é lógico, de levar uma vida cristã coerente, seguindo os mandamentos de Deus e da Igreja e, ainda, de cultivar com empenho a vida espiritual, buscando o contato mais íntimo com Deus mediante os sacramentos — sobretudo a Eucaristia e a Confissão — e a assídua oração. Em outros termos, usar piedosamente o escapulário significa não tê-lo meramente como um amuleto de sorte, um sinal protetor mágico que nos isenta de viver as exigências cristãs e nos garante a salvação eterna sem esforços de nossa pessoa.

Além disso, evidentemente, usar o escapulário implica na manifestação de um carinho especial pela Mãe de Deus. Se ela nos concede um sinal de proteção, nós, de nossa parte, também devemos lhe demonstrar uma profunda gratidão por esta predileção. É por isso que quem usa o escapulário tem o costume de fazer diariamente alguma prática mariana. Não há nada prescrito como obrigação; cada um escolhe a prática mariana que melhor lhe convier, conforme as próprias possibilidades. O importante é não deixar de dar mostras do amor e da gratidão à Virgem Maria que nos oferece sua proteção mediante o escapulário. Eis alguns exemplos: a recitação do terço, a visita a uma imagem de Nossa Senhora, pequenas mortificações, ou até mesmo a simples recitação de 3 Ave-Marias.

Mas o que é o escapulário?

Escapulário é uma peça de vestuário bastante comum na Idade Média. Tratava-se de duas longas tiras de pano — uma que pendia sobre o peito, outra que caía às costas — ligadas por largas alças, colocadas sobre os ombros. Daí procede seu nome. Escapulário vem da palavra latina scapula, que quer dizer "espáduas, ombros". Seria uma espécie de avental a ser vestido sobre a túnica para protegê-la durante o trabalho, para não sujá-la ou estragá-la.

Nossa Senhora, ao dar o escapulário para São Simão Stock, quis simbolizar a proteção que exerceria sobre todos os membros da Ordem. Os carmelitas, de sua parte, também viram no uso do escapulário uma maneira externa de manifestar a razão principal de suas vidas: revestirem-se das virtudes de Maria.

É este o fundamento da devoção ao escapulário: pedir a proteção de Maria e empenhar-se em imitar sua vida, procurando praticar as mesmas virtudes que ela praticou.

Revestir-se de Maria

Maria, por ser a Mãe de Deus, foi preservada de toda mancha de pecado. Em sua vida, foi sempre agradável a Deus, tomando atitudes que eram conformes à vontade divina e praticando as virtudes com a máxima perfeição. Vejamos algumas delas:

Maria era uma alma de oração. Estava sempre atenta para escutar e acolher a Palavra de Deus; louvava o Senhor, cantando as maravilhas nela operadas; meditava em seu coração os fatos de sua vida.
Maria aceitava com amor a vontade de Deus. Deu à luz Jesus num estábulo; abandonou sua terra, fugindo para o Egito; aos pés da Cruz, vendo seu Filho morrer, renovou seu "sim" ao Pai.
Maria tinha um espírito apostólico. Abandonada ao plano da Redenção, soube unir-se à imolação de seu Filho e oferecer seu coração transpassado em beneficio da humanidade.
Maria praticava a caridade e era solícita para com todos. Foi em auxílio de sua prima Isabel, socorreu os noivos de Caná.
Maria vivia de fé e de esperança, pois acreditou nas palavras do Anjo, não duvidou que Jesus poderia mudar a água em vinho, esperava a ressurreição.
Maria tinha um coração eclesial. Amava a Igreja que seu Filho fundara e, por isso, rezou no Cenáculo à espera do Espírito Santo. Não só ficava em oração com os apóstolos, mas os amparava espiritualmente em suas missões na Igreja nascente.
E, olhando para o Evangelho, quantas coisas ainda poderiam ser lembradas!

O Escapulário se espalha pelo mundo

Muitos devotos de Nossa Senhora, conhecendo o simbolismo do escapulário expressaram o desejo de também trazê-lo consigo. Surgiu, assim, entre os carmelitas o costume de "impor" às pessoas que o quisessem um escapulário de dimensões reduzidas feito de pano marrom, por ser esta a cor do hábito carmelitano.

Estas pessoas ficariam espiritualmente unidas à família do Carmelo, mediante o empenho comum de levar uma vida semelhante à da Mãe de Deus. Assim, atualmente a família carmelitana é constituída não só dos frades e monjas, mas também de todos os leigos que se revestem do escapulário.

Com o passar dos anos, este costume foi aprovado pela Igreja e hoje é incentivado como autêntica devoção mariana.

Privilégio Sabatino?

Em meio às lendas e tradições da Ordem Carmelitana, narra-se outra aparição de Nossa Senhora ligada ao escapulário. Ela teria aparecido ao Papa João XXII e lhe teria dito: "A quem tiver usado piedosamente o meu escapulário durante a vida, eu, Mãe bondosa, descendo ao Purgatório no primeiro sábado após sua morte, livrá-lo-ei e o conduzirei ao monte santo da vida".

De fato, não existe uma documentação histórica a respeito dessa aparição da Virgem do Carmo, mas o importante é que tais palavras são substancialmente as mesmas dirigidas aos carmelitas por meio de São Simão Stock: a proteção de Maria nesta vida e a salvação eterna. Aqui, porém, a Nossa Senhora estende sua promessa a todos aqueles que, através do escapulário, estão unidos à família carmelitana.

Porque Nossa Senhora se referiu ao dia de sábado, convencionou-se chamar esta promessa de "privilégio sabatino". No entanto, é necessário esclarecer bem o significado deste termo.

Empregando a palavra sábado, a Virgem Maria usou de um recurso simbólico para manifestar sua intercessão em nosso favor. Se por acaso precisarmos passar pelo Purgatório antes de contemplar a face de Deus no Céu, Maria, qual Mãe bondosa — como ela mesma se denomina — virá em socorro de seus filhos, daqueles que na vida terrena manifestaram-lhe filial devoção com o uso do escapulário. É esta a razão pela qual ela diz que virá no "primeiro sábado" — sábado é o dia mariano —, entendendo com isso que usará de sua intercessão junto a Deus para abreviar o nosso tempo de Purgatório. Isso não significa, absolutamente, que virá no primeiro sábado após a morte da pessoa que usava o escapulário, contando os dias como nós o fazemos nesta terra. Deus é eterno; desconhece as dimensões do tempo e, para Ele, mil anos é a mesma coisa que um dia. Se tivermos que passar pelas purificações do Purgatório, nós ali permaneceremos tanto quanto nos for preciso para nos encontrarmos dignos de comparecer na presença do Deus Santo, mas saberemos que a Virgem Maria estará intercedendo por nós, a fim de que cumpramos esta etapa o mais breve possível e possamos ir ao Céu.

Podemos, então, dizer que o "privilégio sabatino" consiste na materna intercessão de Maria para abreviar o nosso tempo de Purgatório.

Como usar o escapulário

O escapulário deve ser usado constantemente, de dia e de noite. Quando, por alguma razão, seu uso se torne dificultoso, a Igreja dá a possibilidade de substituí-lo por uma medalha em que, na frente, esteja cunhada a imagem de Nossa Senhora do Carmo, e, atrás, a do Sagrado Coração de Jesus. É a medalha de Nossa Senhora do Carmo que, no lugar do escapulário, deve ser sempre carregada com a pessoa.

Que ao usar o escapulário, enfim, você não só se sinta protegido pela Virgem Maria, mas, sobretudo, cresça na imitação de suas virtudes.

Da primeira vez que se recebe o escapulário, é necessário apresentá-lo ao sacerdote, a fim de que ele o abençoe e o imponha. Por ser confeccionado com tecido, o escapulário desgasta-se facilmente. Uma vez gasto, basta trocá-lo por outro, não sendo, então, mais preciso recorrer ao sacerdote.

Muitas pessoas se perguntam como se desfazerem do escapulário velho. Dado que se trata de um sacramental [2] e, portanto, um objeto religioso que recebeu uma bênção, o ideal seria queimá-lo de modo que ele se deteriorasse completamente. Se, por qualquer motivo, isso se apresentar difícil, pode-se enterrá-lo de maneira que, com o tempo, a umidade da terra venha a apodrecê-lo, causando sua decomposição. Se nada disso for possível, o ideal é entregá-lo a uma igreja onde o sacristão se encarregará de desfazer-se dele.

O escapulário e as indulgências

É também interessante lembrar que o uso do escapulário permite aos fiéis lucrarem algumas indulgências:

Indulgência parcial – O uso piedoso do escapulário ou da medalha (por exemplo: um pensamento, uma lembrança, um olhar, toque ou beijo etc.), além de favorecer a união com Maria Santíssima e com Deus, obtém uma indulgência parcial, cujo valor aumenta na proporção das disposições de piedade e fervor da pessoa.
Indulgência plenária – Pode-se lucrá-la no dia em que se recebe pela primeira vez o escapulário, na festa de Nossa Senhora do Carmo (16 de julho), de Santa Teresa de Ávila (15 de outubro), de São João da Cruz (14 de dezembro), de Santo Elias (20 de julho), de Santa Teresinha do Menino Jesus (1º de outubro), de todos os santos carmelitas (14 de novembro) e de São Simão Stock (16 de maio). Para lucrar tais indulgências plenárias, são exigidas as seguintes condições:
Confissão, Comunhão eucarística, oração pelo Sumo Pontífice (por exemplo: um Pai-nosso e uma Ave-Maria);
propósito firme de querer observar os compromissos da associação do escapulário.
Que ao usar o escapulário, enfim, você não só se sinta protegido pela Virgem Maria, mas, sobretudo, cresça na imitação de suas virtudes.

Notas

São Simão Stock nasceu na Inglaterra, no Condado de Kent, em 1165. Aos 12 anos de idade, desejou a vida consagrada a Deus, mas seus pais não o permitiram. Apesar desta oposição, partiu para a solidão, escolhendo por habitação a concavidade do tronco de uma árvore. É deste fato que lhe advém o nome Stock, que significa "tronco". Mais tarde, abandonou a solidão e, completando seus estudos, foi ordenado sacerdote carmelita. Em 1245, foi eleito Geral. Faleceu em 16 de maio de 1265, tendo passado toda a sua vida no serviço à Santíssima Virgem.
Chamamos de sacramentais os sinais sagrados instituídos pela Igreja, cujo objetivo é preparar os homens para receber o fruto dos sacramentos e santificar as diferentes circunstâncias da vida (CIC 1667).

Os cantos litúrgicos na Missa

quarta-feira, 15 de julho de 2020



“A tradição musical da Igreja é um tesouro de inestimável valor, que excede todas as outras expressões de arte, sobretudo porque o canto sagrado, intimamente unido com o texto, constitui parte necessária ou integrante da Liturgia solene” (SC n 112).
Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

No nosso espaço Memória Histórica – 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos falar no programa de hoje sobre “Os cantos litúrgicos na Missa”.

“A tradição musical da Igreja é um tesouro de inestimável valor, que excede todas as outras expressões de arte, sobretudo porque o canto sagrado, intimamente unido com o texto, constitui parte necessária ou integrante da Liturgia solene” (N 112). A Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia, dedica seu capítulo VI à Música Sacra, destacando sua importância para a Liturgia,  a necessidade da promoção da música sacra, sua adaptação às diferentes culturas , as normas para os compositores. Ao falar sobre os instrumentos sagrados, destaca no número 120: “Tenha-se em grande apreço na Igreja latina o órgão de tubos, instrumento musical tradicional e cujo som é capaz de dar às cerimónias do culto um esplendor extraordinário e elevar poderosamente o espírito para Deus.”

Neste sentido, dando continuidade às suas reflexões sobre a liturgia, padre Gerson Schmidt nos traz hoje o tema “Os cantos litúrgicos dentro da Missa”:

“A renovação litúrgica prevista pela Sacrosanctum Concilium quer buscar também a valorização do canto litúrgico apropriado. Aqui cabe um comentário muito especial sobre a utilização em cada parte da missa dos cantos apropriados e que sejam de fato litúrgicos. A celebração litúrgica na sua forma mais nobre é acompanhada dos cantos. O Apóstolo Paulo, na carta aos colossenses aconselha os fiéis, que se reúnem em Assembleia para aguardar a vinda do Senhor, a cantarem juntos salmos, hinos e cânticos espirituais (cf.Cl 3,16), pois o canto constitui um sinal de alegria do coração (cf. At 2,46). A Igreja continua e desenvolve esta tradição: “Recitai entre vós salmos, hinos e cânticos inspirados, cantai e louvai ao Senhor no vosso coração” (Ef 5,19). Por isso, dizia com razão Santo Agostinho: “cantar é próprio de quem ama”. Há um provérbio antigo que reza que “quem canta, reza duas vezes”[1].  A palavra cantar (ou seus derivados) aparece 309 vezes no AT e 36 no NT. A primeira menção bíblica do cantar encontramo-la após a passagem pelo mar vermelho, que recordamos, ano a ano, na solene programação da Vigília Pascal (Ex 15,1). Para Israel, o evento salvífico junto do mar permaneceu sempre a motivação maior para o louvor para o canto novo. Para os cristãos, a Ressurreição de Cristo que passou o “o mar vermelho da morte”, quebrando as portas do cárcere da morte, é o verdadeiro êxodo. O batismo celebrado na vigília pascal integra essas duas realidades, razões para o nosso cantar.


A cada liturgia, cabe à equipe de liturgia de cada comunidade local a escolha de cantos apropriados a cada momento litúrgico, que ajudem o povo a rezar, que não dispersem nem destoem, mas, conforme afirma o Missal Romano, que os cantos tenham em vista “a índole dos povos e as possibilidades de cada assembleia”[2].

A SC orienta assim sobre o canto litúrgico: 113. Os atos litúrgicos revestem-se de forma mais nobre quando os ofícios divinos são celebrados solenemente com canto, com a presença dos ministros sacros e a participação ativa do povo. 114. O tesouro da música sacra seja conservado e favorecido com suma diligência. Promovam-se com empenho, sobretudo nas igrejas catedrais, as “Scholae cantorum”. Procurem os bispos e demais pastores de almas que a assembleia dos fiéis possa prestar sua participação ativa nas funções sagradas que se celebram com canto, de acordo com as normas dos arts. 28 e 30” (que falam do decoro e do justo ordenamento litúrgico de cada ação sagrada).

No oriente, se ficou “fiel à musica puramente vocal em sua dignidade sacral como, também, com o seu conteúdo existente, tocam o coração e tornam a Eucaristia uma festa de fé”[3]. “No Ocidente, o tradicional “salmodiar foi desenvolvido, alcançando no canto gregoriano uma nova altura e uma nova pureza que constitui um critério permanente para a música sacra, a música para a liturgia da Igreja”[4]. Os padres conciliares reconhecem no canto gregoriano o canto próprio da liturgia romana, a ser reservado num lugar principal. Diz assim a SC no número 116: “A Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana, o canto gregoriano; portanto, na ação litúrgica, ocupa o primeiro lugar entre seus similares”. Sobre a escolha apropriada dos cantos na liturgia, haveria muitas coisas a serem ditas sem termos aqui o tempo disponível. Os cantos, sobretudo na missa, renderiam um curso de liturgia a parte. Importante ainda dizer aqui que não cabe na escolha dos cantos o gosto ou os critérios pessoais de letra, música e ritmo, mas de seguirmos as orientações daqueles especialistas, os liturgistas que definem melhormente essa questão. Há critérios litúrgicos e orientações seguras para cada momento litúrgico.

_________________

[1] Missal Romano, 19

Fonte: Vatican News

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