Como deve ser a sua relação com Deus?

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

O discípulo e o seu Mestre

Você já se perguntou como deve ser a sua relação com Deus? Partindo dessa pergunta quero junto com você refletir a maneira como deveríamos nos relacionarmos com o Senhor. E para isso o melhor exemplo é do discípulo João, de quem o próprio Jesus denominou como sendo aquele que Ele mais amava. O laço que ligava João a Jesus era muito maior do que o laço próprio da missão e existia entre eles uma verdadeira amizade.
Antes, é preciso entender uma das origens da palavra “amizade”. O filósofo de Estagira, Aristóteles, define a amizade com o termo “philia”. Aristóteles escrevendo para o seu filho Nicômaco diz que a amizade perfeita é “Aquela que existe entre os homens que são bons e semelhantes na virtude, pois tais pessoas desejam o bem um do outro de modo idêntico e são bons em si mesmos […].
Como deve ser a sua relação com Deus?
Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com
Aqueles que desejam o bem aos seus amigos por eles mesmos, são amigos no sentido mais próprio, porque o fazem em razão de sua natureza e não por acidente”. Com isso, podemos entender o verdadeiro sentido da amizade, pensemos, principalmente, nas figuras de Jesus e do Seu amigo João.
Jesus, em um dos seus momentos mais dramáticos, estavam de pé junto à Cruz d’Ele,  Sua Mãe, Maria de Cléofas e Maria Madalena. Jesus vê ao lado de Sua Mãe o discípulo que Ele amava e disse à Sua mãe: “Mulher, eis o Teu filho!”. E, depois, olhando para o discípulo disse: “Eis a Tua mãe!” (cf. Jo 19,25-27). Jesus, nesse momento, confia a Sua querida Mãe aquele para quem Ele confiava e tinha a certeza de que cuidaria com o mesmo amor, como Ele mesmo faria. Podemos, com atitude de Jesus, compreender o grau de intimidade que tanto Ele quanto João tinham um com o outro.

Sigamos o exemplo de João

O discípulo João não criou essa intimidade com o Senhor de maneira automática, mas certamente ele a cultivou. A amizade que você precisa ter com Deus requer esforço, perseverança e, acima de tudo, confiança. Como Aristóteles disse, a amizade é uma virtude, então precisa ser buscada, exercitada. Um amigo sempre vai querer o bem para o outro, não havendo busca de prazer ou interesse. E, quem melhor entende de amizade se não Aquele que foi chamado de “bom mestre?”.
Sim, meu caro! Jesus é esse especialista em amizade, pois o maior desejo d’Ele é o seu bem. Se podemos dizer que Jesus tem algum interesse, esse seria o seu bem e a sua salvação. Isso acontecerá cada vez que você tornar-se amigo de Jesus, quando você for verdadeiramente um discípulo aos pés do Mestre. Vejamos, agora, como João cultivou e fez em relação ao Seu mestre, para que passasse de um seguimento como o dos demais discípulos para ser uma relação de amor.

É preciso entender Jesus por dentro

Existe uma palavra que define bem a atitude de João em relação a Jesus, quando João reclinou a cabeça no peito do seu Mestre. A palavra é “auscultar”, que significa escutar por dentro, examinar o interior, muitas vezes, utilizando aparelhos. Com isso, podemos entender o movimento de João em direção a Jesus. Pois, o reclinar a cabeça era o desejo dele de examinar o Senhor por dentro, de conhecer o mais íntimo e profundo de Jesus. Essa atitude já era o discípulo dando sinais do desejo que tinha o seu coração, o de ter uma amizade verdadeira com o seu Mestre.
Mais uma vez nos deparamos com um momento de extremo sofrimento para Jesus. Contudo, o desfecho foi diferente do momento da Cruz. Agora, é João, o amigo do Senhor, que vem em socorro de Jesus no momento da traição. O Senhor anuncia a sua traição: um daqueles que Ele convidara para estar mais próximo, iria o trair.
Após Jesus ficar interiormente perturbado Ele diz: “Em verdade, em verdade vos digo: um de vós Me entregará” (cf. Jo 13,21). O fato do escritor sagrado ter feito questão de dizer que a perturbação foi interior, quer retratar que o coração do Senhor estava aflito. João, querendo o bem para Jesus, tenta com uma atitude de quem ama, confortar o Senhor: “O discípulo, então, recostando-se sobre o peito de Jesus, perguntou: ‘Senhor, quem é?’” (cf. Jo 13,25). O discípulo que Jesus mais amava quis, de alguma forma, amenizar o sofrimento do Senhor. João quis entender o Senhor por dentro, ele quis fazer parte da sua intimidade. E, com essa atitude, João ausculta o coração de Jesus usando o melhor equipamento, o próprio coração.

Jesus quer que sejamos íntimos d’Ele

Depois de perceber o modo como Jesus quer estar com você, isto é, numa relação entre dois verdadeiros amigos. Você pode ainda se perguntar: “Como faço para chegar à intimidade com o Senhor?”.
Sem dúvida de errar, falo a você que: o meio para se tornar íntimo e amigo de Jesus é a oração. E uma das mais belas definições do que é oração, é a que Santa Teresa de Jesus nos deixou: “Oração é um íntimo diálogo de amor, estando, muitas vezes, a sós com Aquele que nos ama”. Você, assim como eu, só conseguirá ser próximo de Jesus quando se dedicar à oração. E, quando falo em rezar, não digo de muitas horas e nem muitos recursos, mas de qualidade na oração.
O que você precisa saber é que, no momento que você se coloca em oração, você entra em diálogo íntimo com Aquele que te ama. É na oração que conhece o Senhor por dentro. Quando você ora, você volta o seu coração na direção do coração de Jesus e, assim, experimenta o amor de uma verdadeiro amigo.

Fonte: Canção Nova

Cremos na segunda vinda gloriosa de Jesus

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

 

Não podemos perder a expectativa da eternidade, não podemos perder a perspectiva da parusia

Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória. Quando essas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima” (Lucas 21,27-28).

Talvez, você pare nas tragédias, nas coisas negativas, nos medos e pavores que o Evangelho de hoje nos relata. Não pare aí, vá adiante. Porque, quando essas coisas começarem a acontecerem; e essas coisas já acontecem no mundo: pavores, guerras, combates, nações contra nações e, assim por diante, mantenhamos, ainda mais firmes, o nosso olhar em Jesus.
A nossa fé é movida pela esperança, pela certeza de que o Senhor virá. Ele não tardará! Cremos na segunda vinda gloriosa de Jesus. E que Ele venha no Seu tempo, no tempo em que foi designado pelo Pai por toda a eternidade para operar a libertação de toda a humanidade. Por isso, não me apavoro.
Mas algumas pessoas dizem: “O mundo não tem mais jeito. O mundo vai acabar”. Se o mundo não tem mais jeito, se vai se acabar, que encontre o seu jeito, o seu tempo. Eu vivo na esperança, na certeza de que tem um Deus que cuida dos Seus e eu mantenho n’Ele o meu olhar. Mantenho firme a minha esperança, a minha fé; e creio que o Senhor virá para julgar os vivos e os mortos. Eu vivo dessa fé que o Senhor virá para instaurar para sempre o Seu Reino glorioso.
Não podemos perder a expectativa da eternidade, não podemos perder a perspectiva da parusia, que é a segunda vinda gloriosa de Jesus. Mas, não podemos cair nas fantasias que muitos querem lançar no meio de nós, que o Senhor já está vindo.
Ele está vindo, São Paulo já proclamou isso há vinte séculos. Ele está vindo esse ano, pode ser no próximo ano e pode ser daqui a 100 anos. Quem somos nós para determinar quando o Senhor virá. Temos de viver a espiritualidade da vigilância. Pois, o Senhor, vindo hoje ou daqui a cem anos, temos de estar prontos para aguardá-Lo.
Vem, Senhor Jesus, eu Te aguardo e Te espero. É isso que eu preciso viver a cada dia; e não ficar entrando nas pesquisas, juntando os fatos daqui e acolá; e, assim, determinando que o Senhor está vindo, apressando a todos. Lançamos medo em outros, não vivemos a conversão verdadeira e nem semeamos a conversão de coração autêntica.
Muitos esperavam o Senhor no passado e Ele não veio, então, caíram na decepção e no desânimo. O Senhor virá e o dia em que Ele vier, que o nosso coração esteja firme, aguardando a sua chegada. Quando as tais coisas (citadas no Evangelho) começarem a acontecerem, a esperança e a expectativa da vinda do Senhor nunca poderão nos jogar no desânimo e na descrença.
Temos de esperar o Senhor de cabeça erguida, firmes na fé, sem desanimar. Porque a presença do Senhor, a proximidade do Senhor não é pavor, é libertação.
Quanto mais próximos estamos do Senhor e, Ele, mais próximo de vir a nós, maior é a graça da libertação na vida de cada um de nós. Maranathá, vem Senhor Jesus.

Deus abençoe você!

É permanecendo firmes que ganharemos a vida eterna

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

 

É permanecendo firmes e perseverantes, permanecendo no caminho e sem dele nos desviarmos, que ganharemos a vida

Todos vos odiarão por causa do meu nome. Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!” (Lucas 21,17).

O Evangelho de hoje apresenta tantas realidades de perseguições; de divisão em casas, em famílias, mas sobretudo, a realidade da não aceitação de Jesus, do Evangelho e dos seguidores d’Ele.
Ainda que a expressão evangélica seja ódio, o melhor entendimento para ela é a rejeição. Eu rejeito aquilo que não gosto, que não amo, que não acolho e nem aceito. Podemos odiar, sermos indiferentes, mas não aceitarmos.
No mundo de hoje, o modo de odiar é não aceitar o Evangelho. É não aceitar, muitas vezes, a vida de quem se converte, de quem serve a Deus de forma autêntica e verdadeira. Quem está no mundo prefere o que é do mundo, e o mundo odeia aquilo que é de Deus.
Não tenhamos receio, de forma nenhuma, quando não formos aceitos, acolhidos, louvados e engrandecidos por causa do Evangelho que seguimos… Estamos no caminho. Mas, fiquemos tranquilos pois nenhum fio do nosso cabelo cai sem que Deus saiba e sem que Ele cuide de nós. É permanecendo firmes e perseverantes, permanecendo no caminho e sem dele nos desviarmos por causa das tribulações, dificuldades e rejeições das pessoas, que ganharemos a vida.
A vida é para quem persevera na graça, é para quem não desanima diante das dificuldades, tribulações, perseguições e contradições que enfrentamos ao longo dessa vida.
Não é fácil servir a Deus, aliás, não é fácil viver, não é fácil estar nesta vida. Ela é bela e como eu amo viver, existir e ser um homem de Deus. Mas, sabemos de tudo que são as contradições dentro de nós, ao nosso lado. E, quantas vezes sentimos a grande tentação do desânimo? Queremos tudo abandonar e perdermos a perspectiva da vida. Muitas vezes, nos enganamos, nos iludimos, achamos que o mundo por fora é melhor, é mais prazeroso. Outras vezes, é porque vivemos uma religião desencarnada, longe da realidade, vivemos mais pelas alturas, para os anjos do que para a vida real e concreta.
E, quando caímos em si, percebemos que somos pessoas humanas, limitadas; temos fragilidades, temos situações a serem enfrentadas, então, bate aquele desânimo total.
É preciso se manter firme, é preciso se manter na perseverança, porque é só permanecendo com os olhos fixos em Jesus e sem d’Ele desviar o nosso coração, que ganharemos a vida.

Deus abençoe você!

Fonte: Canção Nova

O Senhor cuida de nós diante de qualquer tribulação

terça-feira, 27 de novembro de 2018

No coração, semeemos a certeza e a confiança de que temos um Deus que cuida de nós, mesmo diante de um mundo cercado de pavores e temeridades

Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não fiqueis apavorados. É preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim” (Lucas 21,9).

Desde que somos pessoas humanas e fazemos uso da razão, vemos rumores de guerras no passado e no presente. E, já têm guerras até para o futuro. Desde que sou pessoa humana, vejo destruição em toda a face da Terra. E, há aqueles que aproveitam dessas situações e criam a religião do pavor, do desespero, semeiam no coração das pessoas o medo. É a religião que quer converter as pessoas com medo.
Se eu anunciar que Jesus está voltando daqui a cinco dias ou daqui a algum tempo e quem não se converter se perderá, a sua conversão não será verdadeira, porque será a conversão da pressa e do medo.
A conversão autentica é aquela que se converte por amor e não por medo e nem por receio; e não para ser aquilo que vai fugir dessa ou daquela calamidade, pelo contrário, quando esse rumor de coisas negativas acontecerem, não iremos nos apavorar, porque o servo do Senhor não se apavora diante das tribulações, ele sabe a quem está servindo.
Se está tudo em paz, o coração procura viver em paz, mesmo com tantas inquietudes. Se são tempos difíceis e complicados, se estamos vivendo tempos dessas ou daquelas situações, o coração não se apavora. Porque sabe que o Senhor cuida dele e não o deixa desanimar e nem se desesperar diante de qualquer situação.
Não pregamos a religião do pânico, do pavor, do medo e dos escândalos, a religião onde do “quanto pior melhor”, para que as pessoas fiquem atemorizadas, com medo e receosas.
Semeamos a esperança, tendo os pés no chão. Sabemos dos conflitos, dos abalos sísmicos, das dificuldades, das guerras entre as nações, não ignoramos esses fatos, mas, também, sabemos do Senhor a quem servimos. Ele é o Rei e Senhor deste mundo e daqueles que se submetem e servem a Ele. O Senhor cuida deles diante de qualquer tribulação.
Ainda que um pavor humano, uma morte humana possa atingir um servo do Senhor, eles atingem a primeira morte ou a primeira prova, mas, jamais a morte eterna, porque Deus cuida daqueles que são seus.
Semeemos esperança, semeemos, no coração humano, a certeza e a confiança de que temos um Deus que cuida de nós, mesmo diante de um mundo cercado de pavores e temeridades. O nosso Deus cuida de nós.

Deus abençoe você!



“Oh, Senhora da Penha!”

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

26/11/2018 - Histórias de fé na 2ª maior Romaria do Brasil


A palavra peregrinar vem do latim, peregrinus, que significa “que viaja ao; que anda por terras distantes”. Na Romaria da Penha, muitos peregrinam ao longo da noite e madrugada, debaixo do sereno, no asfalto morno, ao lado de milhares de outras pessoas, carregando pequenos símbolos materiais: casinhas de papelão, imagens, terços, bíblias, ao lado de rostos desconhecidos do dia a dia, tendo como destino final um Santuário aconchegante na Praia da Penha.
Há quem diga também que esses peregrinos caminham por suas próprias terras distantes, por seus santuários interiores; necessitados de transformação, de mudança. Clamando pela libertação de antigos sentimentos, desejando uma reforma íntima, o perdão ou compreensão, que muitas vezes só a Mãe Santíssima assegura. Os olhares estranhos se encontram e, entre um verso e outro, um louvor e outro, se saúdam como velhos amigos.
 “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?, perguntou ele”. Mt 12, 48.
“Minha mãe e meus irmãos são os que ouvem a palavra de Deus e a praticam" Lc 8, 21.
Somos essa fraternidade universal, somos todos filhos e filhas de Deus, somos todos abençoados pela Mãe da Penha.
“Hoje eu só tenho que agradecer”
Mãezinha do céu, eu não sei rezar, só sei te dizer, que quero te amar...”, a música parecia estar sendo entoada para aqueles olhinhos brilhantes do pequeno menino de um ano de idade, nos braços do tio, vestido de branco, que balançava as mãozinhas sem saber muito o que acontecia, mas contagiado pela energia da fé.
Arthur nasceu aos oito meses, pré-maturo, e com um sério problema nos pulmões. Aline, sua mãe, uma jovem de apenas 22 anos, rogava a Senhora da Penha pela vida de seu filho. Após participar de algumas missas, prometeu que se o pequeno melhorasse ela o levaria a Romaria com roupinha branca, e depositaria a vestimenta na Sala dos Milagres, no Santuário da Penha. “Foram momentos difíceis depois que soube do seu problema no pulmão, mas eu pedi a Mãe da Penha e ela me ajudou”, disse a jovem.
Observando mãe e filho, relembro o Salmo 66 que inspira a gratidão pelas bênçãos concedidas, “Venham e ouçam, todos vocês que temem a Deus; vou contar-lhes o que ele fez por mim. A ele clamei com os lábios; com a língua o exaltei. Deus me ouviu, deu atenção à oração que lhe dirigi. Louvado seja Deus, que não rejeitou a minha oração nem afastou de mim o seu amor”. Aline abraça o filho e diz “Hoje, moça, eu só tenho que agradecer”.
“Em primeiro lugar, pela minha saúde...”
Para se viver com saúde, é preciso mais que só um corpo são. Para se viver com saúde é preciso mover-se pela fé, é preciso acreditar no amor, na vida, e na felicidade. E tenho certeza que Zélia, obedece todos esses termos. Sua alegria contagiava no trajeto da Av. Pedro II, na Romaria da Penha. Pés descalços, lencinho jogado pro ar, e sorriso estampado no rosto. Louvava em gratidão pela saúde, e ao longo de 11 anos acompanhando a Romaria, disse sempre manter essa alegria. “É importante agradecer com alegria. Hoje busco o sonho da casa própria, mas sempre mantenho a gratidão e a oração pela minha saúde”, e abanava o lencinho sorrindo.
A felicidade de Zélia é representada pelo bem-estar daqueles que acreditam que tudo é possível, sejam um bem material, seja a saúde do corpo, seja a alegria de espírito. Já nos dizia a Madre de Calcutá que “sempre nos conheçamos sorrindo, pois o sorriso é o começo do amor”. Zélia ama sua vida, sorri em vitalidade de corpo e alma, espera provisões materiais, acredita no poder da fé, e nos faz compreender que saúde é um complexo de bem-estar físico e emocional e é sorrindo pra vida que ela nos sorri de volta, “A minha alegria é poder agradecer em primeiro lugar pela minha saúde, pela minha vida, e com um tempo as outras coisas virão. Quem sabe próximo ano estarei aqui agradecendo por uma casa própria”, disse gargalhando.
“Todo ano eu venho, eu nunca falhei”
A vida não nos promete sucessos instantâneos. Na maior parte do tempo, as conquistas exigem de nós atravessarmos caminhos mais íngremes. A força, a coragem, e a fé, são provas terrenas que nos oferecem verdadeiros aprendizados e dialogam conosco sobre o a coragem de se manter a paciência e continuar caminhando.
Maria de Lourdes estava agarrada a uma casinha pequena feita de isopor e papelão. Celebrava a vitória do lar. “Eu alcancei a graça que pedi a Santa. Construir minha casa. Era de Taipa e eu construí uma de tijolo e Ela me ajudou, me deu essa graça, ai eu vim agradecer a ela, com muito orgulho, o presente que ela me deu”.
Tudo em nossas vidas parte de grande decisões, de grande sonhos, de metas importantes. Maria plantou no seu coração um sonho e movido pela incrível energia da fé, foi encorajada por Nossa Senhora da Penha a iniciar sua peregrinação de paciência, luta e coragem até atingir seu objetivo. Os milagres e os triunfos são parte de uma mistura de fé, trabalho e amor. Fé em si, fé nos outros, fé em Deus.  Maria de Lourdes, que sorria timidamente por fora, parecia explodir de amor por dentro. Relembro essa linda frase de Santo Agostinho, que provavelmente teria amado conhecer a tímida, porém, corajosa, Maria de Lourdes. Disse ele, “Enquanto houver vontade de lutar, haverá esperança de vencer”. A fé dela e a de tantas Marias, é a fé que não falha, é a fé que persevera, é a fé que não deixa cair. Olhando para o andor da Penha, que seguia a frente, Maria, a de Lourdes, a da fé inabalável, completa: “Todo ano eu venho, eu nunca falhei”.
Na Romaria da Penha nós encontramos toda a gente de fé, nós nos encontramos, nós nos abraçamos, desconhecidos uns dos outros, desconhecidos até de si mesmos. A paz, que tanto foi clamada neste ano nos quase 14km de caminhada, é a paz que silencia o egoísmo e coloca em ação o amor. Como nos disse em sua fala o Arcebispo, Dom Delson, “a paz que motiva nosso coração é encontrada nas atitudes do Cristo, amando e se doando como ele fez. A potência do amor de Deus nunca subjuga, ela só sabe se dá e redimir. A Virgem Maria, Nossa Senhora da Penha, aprendeu de Jesus essa potência de amor. Devemos ingressar na escola de Maria, leigos e todo o povo de Deus, para aprender tudo a partir de Jesus, e aprender a viver com alegria as virtudes do Evangelho”. Hoje podemos sim clamar, como a gratidão de Aline, a alegria de Zélia e a Fé corajosa de Maria de Lourdes, “Oh, Senhora da Penha, abrandai as dores, de todos os dias, de nós pecadores”!
Por: Polyanna Gomes

Assessoria de Imprensa e Comunicação da Arquidiocese da Paraíba

255ª Romaria da Penha: Programação oficial

sexta-feira, 23 de novembro de 2018


Romaria da Penha completa 255 anos em 2018 e deve levar novamente milhares de fiéis para as ruas de João Pessoa na noite do dia 24 de novembro.

Este ano, o tema da Festa e da Romaria de Nossa Senhora da Penha é: “Maria, Mãe dos leigos e leigas na Igreja, ajuda-nos a superar a violência e construir um mundo de paz”. A programação tem início com o Tríduo (três noites de celebração) em Honra e Preparação para a Romaria, que será no Santuário da Penha, localizado na Praia da Penha, em João Pessoa.

Programação detalhada:

1ª noite do Tríduo: (dia 21) às 18h30 tem a Recitação do Santo Terço. Às 19h15 terá o Hasteamento da Bandeira na Santinha localizada na rua que dá acesso ao Santuário, seguido de procissão até Santuário. Às 19h30, começa a primeira Celebração. O tema da 1ª noite é “Superação da violência”. Programação social: às 20h30 será encenada o espetáculo “Alto da Penha”.

2ª noite do Tríduo (dia 22): Recitação do Santo Terço às 18h30. E Celebração Eucarística às 19h30, com o tema: “Leigos e leigas, protagonistas da missão no mundo”. Programação social: apresentações de grupos culturais às 20h30 e shows às 22h.

3ª noite do Tríduo (dia 23): Recitação do Santo Terço às 18h30 e Celebração às 19h30. Tema da noite: “Façam tudo o que ele vos disser”.

Romaria (dia 24 – sábado): Ofício à Nossa Senhora da Penha, às 6h. Às 16h, Oração do Ângelus e recitação do Terço. Uma carreata, às 17h, vai levar a imagem de Nossa Senhora da Penha para a igreja de Nossa Senhora de Lourdes, no Centro da Capital, de onde, às 22h, começa a Romaria. A Bênção de Envio dos Romeiros vai ser feita pelo Arcebispo da Paraíba, Dom Manoel Delson, que também vai celebrar a Missa campal no fim da caminhada. O percurso será o mesmo do ano passado. No Domingo, dia 25, às 3h30, previsão de chegada dos romeiros ao Santuário e celebração da Santa Missa presidida por Dom Manoel Delson.

Assessoria de Imprensa e Comunicação da Arquidiocese da Paraíba

Entreguemos nossa vida a Deus

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Aprendamos com Maria a nos consagrarmos e a entregarmos a nossa vida para Deus

Jesus disse: ‘Eis minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe’” (Mateus 12,49).

A Igreja nos dá a graça de celebrarmos a apresentação de Nossa Senhora no Templo. Aquela menina, praticamente recém-nascida, foi levada pelos seus pais, Ana e Joaquim, para ser apresentada ao Senhor.
Os pais sabiam que aquela menina nasceu para ser toda de Deus, porque eles eram inteiros de Deus. Tanto Ana como Joaquim eram tementes ao Senhor. Era um casal que temia e obedecia ao Senhor Deus e, por isso, geraram esse fruto bendito que é a Virgem Maria, Aquela que seria a Mãe do Salvador.
Maria não empresta apenas o seu ventre para que Jesus entre nele, é mais do que isso, porque o templo em que Ela é apresentada, hoje, é o templo em que Ela tornou-se.
O templo é o lugar do encontro com Deus. Quando entramos no templo, a graça de Deus entra em nós entramos nela também. Quando Maria foi apresentada ao templo, Ela tornou-se um templo, um lugar onde Deus habitava. E, assim, essa menina foi criada, essa jovem cresceu e tornou-se Mulher e Mãe de Jesus. Mas, Ela já era (desde o ventre de sua Mãe) serva do Senhor e, por isso, foi apresentada ainda menina para ser templo e lugar da morada de Deus.
O que Maria foi e, ainda é por toda a eternidade, é o que Deus quer que sejamos. Eu acolho, com muito amor em cada celebração, quando os pais levam a criança recém-nascida para ser apresentada na Igreja. Eu fico feliz de ver que essa prática cresce cada vez mais em todos os lugares. 
E que não seja apenas um ritual: “Eu vou levar na Igreja para não ficar doente, para não acontecer nenhum mal”. Levemos à Igreja para prepará-la para o Batismo, para que logo seja batizada e, mais do que isso, para que a criança cresça consagrada a Deus, aos cuidados d’Ele, mas vamos educá-los para que cresçam no amor a Deus.
Em uma casa que tem o temor de Deus, os filhos são, também, criados neste mesmo temor e crescem no amor a Deus sobre todas as coisas. Por isso, somos chamados de irmãos de Jesus, porque o pai, a mãe e o irmão de Jesus, são aqueles que fazem a vontade de Deus na sua vida.
Maria não fez a vontade de Deus somente porque gerou Jesus, Ela fez a vontade de Deus porque, desde menina, foi toda de Deus. Aprendamos com Ela a nos consagrarmos e a entregarmos a nossa vida para Deus.

Deus abençoe você!

Organizadores finalizam detalhes para a Romaria da Penha 2018

terça-feira, 20 de novembro de 2018

No próximo sábado(24), os fiéis participam da 255ª  Romaria de Nossa Senhora da Penha, que sai do centro de João Pessoa até o santuário da Praia da Penha


A comissão organizadora da Romaria da Penha definiu os últimos detalhes do maior evento religioso da Paraíba. No próximo sábado, os fiéis participam da celebração que sai do centro de João Pessoa até o santuário da Praia da Penha.

Ao todo mais de 1.500 pessoas trabalham na organização da romaria. Eles estão divididos em equipes de coordenação, de apoio, de liturgia e de coleta. A Romaria conta também com o apoio da Prefeitura Municipal de João Pessoa e do Governo do Estado da Paraíba, através de órgãos como Secretaria de Segurança Pública, Semob, Bombeiros, Guarda Municipal, Detran, Sedurb. 

Vigilância é estar com o coração em Deus a todo momento

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Se vivermos bem a vigilância a Deus em tudo aquilo que realizamos, a chegada ao Reino de Deus não será surpresa para ninguém 

“Eu vos digo: nesta noite, dois estarão numa cama; um será tomado e o outro será deixado. Duas mulheres estarão moendo juntas; uma será tomada e a outra será deixada. Dois homens estarão no campo; um será levado e o outro será deixado” (Lucas 17,34-36).

Quando escutamos esse Evangelho de Jesus o qual fala dos acontecimentos finais, da surpresa definitiva da vinda de Deus para o meio de nós, ficamos assustados porque será de forma inesperada. Na hora em que menos esperarmos, a manifestação definitiva de Deus estará no meio de nós.
Se Deus não vem, nós vamos e a nossa ida para Ele não será com hora e nem dia marcado. Às vezes, vivemos aquela vida improvisada, de qualquer jeito, onde só nos preparamos para uma coisa na hora em que a viveremos.
Temos de estar preparados, temos de estar com as nossas “contas em dia”, com a nossa vida em dia. Não temos de estar preparados para morrer daqui há 10 ou 20 anos. Eu quero ter vida longa e quero que você, também, a tenha.  Mas, a nossa vida é o hoje, o aqui e o agora bem vividos.
Tem um remédio evangélico fundamental que se chama: vigilância, ou seja, cuidar da vida a cada dia e não improvisar a cada momento da vida. Vigilância é estar com o coração em Deus a todo e qualquer momento. Alguns pensam: “Quando eu vou à Igreja, coloco o meu coração em Deus”. Mas, não é assim. Se estamos trabalhando, correndo, fazendo isso e aquilo, não podemos entregar o nosso coração para as práticas erradas, para os vícios, para os erros, para o pecado.
Temos de estar com o nosso coração preparado todos os dias. Por isso, o Evangelho diz que duas pessoas estavam no mesmo lugar, uma estava com o coração em Deus e a outra não estava. Não adianta, é aquela que está com o coração em Deus que vai.
O marido e a esposa dormem na mesma cama. Porém, um deles está o coração honesto, reto e em Deus; mas o outro pode não estar. Então, um será tomado e o outro será deixado.
Você está com seu companheiro e parceiro de trabalho, seu irmão de Igreja e de comunidade; mas estarem juntos não quer dizer que os dois têm o mesmo coração. Entretanto, se estamos juntos com o outro, é importante que o ajudemos a ter um coração em Deus e, aprendamos com ele a ter um coração fiel a Deus. É assim que se vive a espera do Senhor. É assim que vivemos para nos prepararmos para irmos ao encontro d’Ele. 
Se vivermos bem, cada dia da nossa vida a vigilância e fidelidade a Deus em tudo aquilo que realizamos, a morte, a chegada ao Reino de Deus não será surpresa para ninguém .

Deus abençoe você!

Tecnologia, crianças, adolescentes e ansiedade: o que fazer?

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

O uso exagerado de tecnologia está afetando o comportamento das crianças e adolescentes

O vício tecnológico é um tema que, cada vez mais, tem preocupado pais, educadores, famílias, profissionais da área da saúde e a sociedade como um todo. É um consenso que smartphones, tablets e computadores são parte de nossas vidas. Mas, um questionamento importante é: será que o uso exagerado dessas tecnologias pode estar favorecendo uma geração de crianças e adolescentes ansiosos? O uso da tecnologia entre crianças e adolescentes pode ter um impacto diferente do que aquele feito por adultos?
Na verdade, a maturação do cérebro, em crianças e adolescentes, acontece até por volta dos 21 anos. Antes disso, áreas como aquela que realiza o controle de impulsos, ainda não estão plenamente formada.  Com isso, o vício se instala de forma mais rápida e prejudicial. Essas e outras perdas têm sido observadas nesta geração que, cada vez mais cedo, acessa a tecnologia.
Tecnologia,-crianças,-adolescentes-e-ansiedade-o-que-fazer
Foto Ilustrativa: BrianAJackson by Getty Images

A angustiante espera de uma mensagem

Os acessos feitos em aplicativos, sites e redes sociais podem trazer  ainda mais angustiados. Uma vez que, estamos a todo momento aguardando a chegada de notificações de novas mensagens, curtidas, comentários de admiração daquilo que escrevemos ou mostramos.
É curioso perceber que, o mesmo tipo de dependência causada por drogas é a dependência tecnológica. Pois, as mesmas áreas cerebrais são afetadas quando observados exames de imagem. Isso é curioso e assustador! Basta perceber quão irritado fica um adolescente ou criança quando fica sem o celular ou sem acesso à internet.
As consequências emocionais passam pela ansiedade, depressão, fobia social (isto é, a evitação do contato pessoal com outros), chegando à dependência tecnológica, ou seja, um vício de efetividade instalado, que tem ligação direta com o que chamamos de transtornos do impulso.

Precisamos tomar uma clara consciência de mudança de hábitos

Revela-se que, depois de 8 minutos de uso de tecnologia, inicia-se a liberação de dopamina pelo cérebro. Dopamina é o neurotransmissor responsável por sensações prazerosas e de gratificação. Isso logo permite que uma pessoa, em busca de prazer, passe a acessar cada vez mais.
Explicando de forma bem prática: é o momento em que o vício se instala, então, é onde precisamos tomar uma clara consciência de mudança de hábitos. É como se toda a vida de uma pessoa se concentrasse em um celular, como se sem o celular, não fossem ninguém. Onde ficam as experiências com a natureza, com os animais, com as outras pessoas “de verdade”? Cadê as experiências com os livros, com a terra, com tanta riqueza disposta pelo mundo?

Convívio social

As habilidades sociais requeridas com a experiência real, cara a cara com outro ser humano são muito maiores do que aquelas exigidas pela experiência tecnológica. Se não queremos falar com alguém por uma rede social é muito simples: basta bloquear a pessoa, cancelar a amizade e parece que tudo se resolve. O problema começa quando o jovem precisa encarar a pessoa, desse modo, não sabe o que fazer ou simplesmente explode de raiva por não conseguir lidar com as emoções e toda raiva advinda daquela decepção.
Se a fase da adolescência é aquela que gera as maiores transformações em nosso desenvolvimento, destacando-se a comunicação e a socialização, é nesse campo de transformação que as tecnologias podem dificultar o enfrentamento real das situações. Ganhar uma comunicação efetiva e transpor dificuldades cara a cara são habilidades que sempre serão requeridas.

Precisa-se de mais conexão para uma falsa satisfação

Mais que do que “achismos” e situações sem uma explicação clara, existem evidências científicas que lotam, cada vez mais, os consultórios médicos e clínicas de psicologia. São queixas das mais variadas: falta de atenção; enxaquecas motivadas pela exposição à luz vinda dos equipamentos; problemas de aprendizagem (incluindo escrita, leitura, compreensão, dentre outros); irritabilidade; dificuldades em sono; dificuldade no relacionamento interpessoal com isolamento social; falta de tolerância e de suportar frustração; uma falsa sensação de controle sobre os ambientes e, até mesmo, a dificuldade em lidar com as coisas simples e rotinas cotidianas.
Precisa-se de mais conexão para uma falsa satisfação nunca vinda. As atividades podem ficar de lado ou, ainda, apenas se consegue estar bem quando conectados. Dentre tantos outros prejuízos, contamos ainda com a intensidade da divisão da atenção que estressa a capacidade cognitiva ao sobrecarregá-la de informações, reduzindo aprendizado e compreensão das situações. Deixando conhecimentos, de certa forma, rasos sobre os assuntos, uma vez que, a “aquisição de informação” não necessariamente é aprendizado. Muitas vezes, temos “volume” de conteúdo, mas sabe-se pouco o que fazer com tudo aquilo.

Então, a partir deste cenário, o que fazer?

É muito importante, enquanto pais, perguntarem-se: “Por que estou dando um celular ou tablet a uma criança de 1 ou 2 anos? Esse hábito é constante? Quais hábitos estamos construindo em nossas famílias a partir dos meus próprios hábitos?”.
Um dos segredos importantes nisso tudo é adotar um uso coerente das tecnologias adequadas à cada faixa etária, inserindo atividades ao ar livre, jogos, atividade física, redução no uso e substituição por outras tarefas. É válido, também, que seja limitado o tempo de uso dos recursos tecnológicos e que o equilíbrio entre vida real, vida virtual, laços afetivos reais e todo este cenário seja incluído.
Se é hora de brincar com jogos físicos, brinque com eles. Se é hora de esportes, deixe o celular de lado. Se é hora da refeição (e acaba sendo um grande problema, pois muitos de nós comemos em frente ao computador, celular ou tv), que seja o horário para comer, para que possamos prestar atenção no que estamos ingerindo.
Crianças com menos de 2 anos não deveriam ter contato com telas, porque não possuem a sustentação completa de sua cabeça. Isso pode a levar a desenvolver problemas posturais sérios e, também, ao fazer contato com brinquedos, objetivos físicos e interação humana, desenvolvem habilidades importantes de cognição, coordenação motora fina dentre outros.
Aos jovens que possuem celular: é importante que possam desligar para dormir ou, ainda, usar o “modo avião” para que as notificações não cheguem durante o sono e procurem deixar o celular longe cama.
Em resumo, precisamos adotar novos hábitos não descartando os benefícios da tecnologia, mas usando-a com qualidade e quantidade adequadas. Tenhamos a certeza de que a vida é muito mais do que a interação tecnológica.

Fonte: Canção Nova

Tenhamos um coração grato a Deus

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

 

Nesta vida, nada mais nos cura do que ter um coração grato, um coração que louva e exalta

Um deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz; atirou-se aos pés de Jesus, com o rosto por terra, e lhe agradeceu. E este era um samaritano” (Lucas 17,15).

Jesus estava aproximando-se de um povoado e, quando se aproximava desse povoado entre a Samaria e a Galileia, dez leprosos saíram ao seu encontro e suplicaram: “Mestre, tenha compaixão de nós”. Esses leprosos queriam ficar curados, queriam ficar limpos daquela condição, queriam estar no meio dos homens. A lepra era considerada uma impureza e afastava essas pessoas do convívio social e, eles, queriam voltar.
Jesus acolhe toda e qualquer impureza, seja ela de ordem física, moral, social. Porque, Jesus é Aquele que, com Seu amor, cura todas as suas realidades; é Aquele quem traz para o coração de Deus aqueles que foram afastados pelos homens ou pelos Seus próprios pecados.
Veja: dos dez leprosos que pediram a graça, um deles que não era judeu, era samaritano, e voltou para glorificar a Deus em alta voz e, mais ainda, ele caiu com o rosto por terra para agradecer aquilo que Jesus fez por ele.
A expressão “agradecer em alta voz” é a expressão de um coração que vive um entusiasmo sem igual, de reconhecimento e gratidão por aquilo que Deus realizou na sua vida.
Somos, muitas vezes, cristãos mal-agradecidos, passamos boa parte do nosso tempo reclamando, murmurando, falando mal da vida dos outros. Não temos um coração agradecido, entramos numa oração e a coisa mais difícil é alguém conseguir levantar as mãos e dizer: “Obrigada, Senhor. Eu Te agradeço por aquilo que o Senhor realizou na minha vida”.
Nesta vida, nada mais nos cura do que ter um coração grato, um coração que louva e exalta, mas não adianta louvar e nem agradecer da boca para fora. O louvor vem do reconhecimento e do engrandecimento de Deus na nossa vida.
Quando rebaixamos o nosso orgulho e a nossa autossuficiência, a humildade que há em nós, leva-nos a louvarmos, agradecermos, bendizermos e glorificarmos o Deus maravilhoso que cuida de nós, nos purifica, nos perdoa e nos renova.
Não podemos ser como aqueles noves leprosos, pois eles não foram salvos. Ser salvo é, acima de tudo, ser liberto daquele coração pernicioso que eles tinham. E, nós, muitas vezes, não nos livramos desse coração pernicioso, porque não sabemos ser agradecidos.
“Eu te louvo, meu Senhor, meu Deus e meu Salvador, porque na minha vida realiza maravilhas. Ao Teu nome o louvor, a ação de graças. Ao Teu nome bendigo e engradeço eternamente. Porque, na minha vida, o Senhor realiza maravilhas a cada dia”.

Deus abençoe você!

Fonte: Canção Nova

Peçamos a Deus um coração generoso

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Que Deus nos dê um coração generoso, desprendido e, acima de tudo, com muita gratuidade para fazermos as nossas obrigações

Assim também vós: quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer” (Lucas 17,10).

Vivemos num tempo onde as pessoas querem ser reconhecidas, agraciadas, curtidas, lembradas e aplaudidas por aquilo que realizam. Quando buscamos isso, quando esse espírito mundano entra em nós, perdemos a dimensão evangélica da vida.
“Evangelho” quer dizer gratuidade e amor que são entregues sem esperar nada em troca.
Quando olho para Jesus Crucificado e abandonado na Cruz, fico pensando no bem que Ele realizou para os Seus. Quantas vezes multiplicou os pães, curou os doentes e enfermos; quantos amou e entregou; as vidas que transformou; quantos foram tocados pela graça do Evangelho.
Mas, quando Ele estava vivendo o auge do Seu sofrimento, só e abandonado; Ele não estava cobrando: “Cadê os que me seguiam? Cadê aqueles para os quais eu fiz milagre?”. A mentalidade evangélica não é como a mentalidade mundana. No mundo esperam reconhecimento por tudo que fazem.Ser uma pessoa boa e honesta não merece prêmio.
Esses dias, alguém estava sendo condecorado porque foi bom, honesto e praticou a justiça. Isso é uma obrigação e um dever. Porém, chegamos a tal cúmulo que, ser bom e honesto é algo tão raro que precisamos condecorar as pessoas quando fazem aquilo que era para ser, ou seja, o dever e a obrigação de cada um de nós.
Ser misericordioso, cumprir nossas tarefas é o óbvio que devemos praticar. Precisamos corrigir-nos quando não estamos vivendo; quando não estamos praticando; quando não estamos testemunhando; quando não estamos fazemos aquilo que é o nosso dever e a nossa obrigação.
Não espere e nem busque aplausos quando fizer aquilo que precisa fazer. Não espere e nem busque reconhecimento quando realizar as suas obrigações e a sua missão neste mundo, na sua vida, naquilo que você faz.
É claro que, às vezes, se alguém ajudar, der aquela “força amiga”, receba isso com humildade e não com o coração envaidecido ou com aquele sentimento de grandeza, e não com o título de “Eu sou o melhor”. Não com aquilo que são as práticas humanas do “Sou mais. Posso mais”. Que tudo seja feito no coração de Deus, com Ele, para Ele e n’Ele, assim, não sofreremos por não ter o reconhecimento dos homens.
Que Deus nos dê um coração generoso, desprendido e, acima de tudo, com muita gratuidade para fazermos as nossas obrigações.

Deus abençoe você!

Fonte: Canção Nova

O perdão é o melhor testemunho que podemos dar

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

 

O que nunca pode faltar na vida de um cristão é o testemunho do perdão

“O Senhor respondeu: ‘Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: Arranca-te daqui e planta-te no mar, e ela vos obedeceria’” (Lucas 17,6).

Hoje, o Evangelho nos apresenta três elementos fundamentais para a vida de um discípulo, de um seguidor de Jesus Cristo, Nosso Senhor e Mestre. O primeiro desses elementos é o testemunho de vida. É só pelo testemunho que evitamos escandalizar os pequenos.
Jesus é muito repressivo e duro àqueles que praticam escândalo. Praticar escândalos quer dizer, justamente, tirar a fé do coração das pessoas, não testemunhar aquilo que nós acreditamos.
O discípulo de Jesus deve, de todas as formas, primeiro, evitar escandalizar e, segundo, testemunhar com a vida aquilo que nós acreditamos.
Uma das melhores formas de testemunharmos é pela força do perdão. Um discípulo de Jesus que não perdoa, não testemunha o amor de Deus no seu coração. O discípulo de Jesus que vive cultivando ódio, ressentimento, mágoa contra o seu irmão e não consegue perdoar, escandaliza. Um casal que vive junto e não se perdoa, não se reconcilia, causa escândalo para os filhos e para outros. Às vezes, a pessoa está testemunhando na Igreja, está rezando, mas não vive o testemunho do perdão e da misericórdia.
Se o irmão pecar contra nós sete vezes num só dia, sete vezes devemos perdoá-lo. Mas, como vamos perdoar? Pela experiência com a Palavra de Deus.
Quando eu digo perdoar, não é ser complacente com o erro do outro. Perdoar quer dizer: não viver com ódio e ressentimento com o erro que o outro fez, porque é o nosso coração que ficará magoado.
O perdão reconstrói e levanta o outro. O perdão exige, com certeza, reconsideração das atitudes, dos fatos, da convivência e assim por diante. Mas, o que nunca pode faltar na vida de um cristão é o testemunho do perdão. Talvez, você possa perguntar: “Como vou conseguir perdoar se nem tamanha fé para isso eu tenho?”. Não é preciso ter muita fé.
Jesus está nos dizendo que se nossa fé for pequena como um grão de mostarda, diremos para esse ressentimento: “Sai daqui, se não consigo pelas minhas forças humanas, que eu consiga pela fé, arrancar as “plantas” que estão dentro do meu coração. Plantas venenosas e perigosas para a minha vida e para a minha saúde”.
Essas plantas são, com certeza, as plantas que temos de perdoar nesta vida. Se não conseguimos perdoar pelas nossas forças, que perdoemos pela fé e pelo amor. Se não conseguimos, é preciso buscar em Deus essa força.
O melhor testemunho que podemos dar ao mundo, é o de testemunhar como perdoamos e amamos uns aos outros.

Deus abençoe você!

Fonte: Canção Nova

Caminhos para a felicidade baseados nas bem-aventuranças

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

A verdadeira felicidade está na busca pela santidade

No Evangelho, vemos retratada a proposta de santidade de Jesus por meio das “bem-aventuranças”. De fato, é somente em Jesus, por meio do Seu ensinamento e da Sua vivência, como verdadeiro “homem-novo” recriado segundo Deus, que podemos entender o que é ser santo diante do Senhor e dos homens.
Papa Francisco, na Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, apresenta cada uma das bem-aventuranças como um caminho de felicidade para todo o cristão. São oito caminhos que nos indicam que: a verdadeira felicidade está em buscar a santidade. Vejamos cada um desses caminhos propostos pelo Papa, inspirado nas bem-aventuranças.
Caminhos-de-felicidade-segundo-o-Papa-Francisco
Foto Ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

O Desapego

“Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do céu” (Mt 5,3). A bem-aventurança alerta para a tentação de buscarmos a felicidade fora de nós mesmos e do nosso relacionamento com Deus. É uma falsa sensação de liberdade que nos é dada pela posse de bens materiais, porém, não consegue nos fazer felizes.
Onde temos buscado a segurança de nossa vida? Verdadeiramente, o que deixa nosso coração seguro e em paz? É preciso cultivar a pobreza de coração, colocando a esperança e a segurança de nossa vida em Deus, nosso único bem e, desse modo, seguir a Cristo, assim como propõe o Evangelho.

 A mansidão

Num mundo povoado de discussões, agressões, violências veladas ou diretas, o caminho da felicidade, proposto por Jesus, indica outra direção. “Felizes os mansos, porque possuirão a terra” (Mt 5,5).  A herança da terra, dada por Deus, não é prometida àqueles que exercem autoridade arrogante ou àqueles que gritam, ou mesmo, àqueles que se fazem ouvir por meio das armas e da opressão dos fracos.
O caminho do Evangelho pede mansidão. Como Jesus é manso e humilde de coração, assim deve ser todo cristão, mesmo ao reagir ao desrespeito e à ironia do outro, mesmo ao expressar-se ou defender sua opinião. A atitude de mansidão daquele que respeita a sacralidade do outro é, também, um caminho de felicidade.

A compaixão

Atualmente, as pessoas fazem grandes esforços para escapar do sofrimento. Passa-se muito tempo buscando conforto, boa vida e luxo. Até mesmo o sofrimento e a angústia, quando aparecem, devem ser logo superados e escondidos. Por exemplo, o “luto” por um ente querido que se foi, caiu em amplo desuso na nossa cultura.
Entretanto, o caminho proposto por Jesus pede que compreendamos bem o sofrimento e, mais do que isso, pede que sejamos solidários com os que sofrem. Sabendo “chorar com os que choram”, compartilhando de suas dificuldades e de suas dores. Saber sentir com o outro, ter compaixão; e essa atitude de vida conduz à felicidade de, quem sabe um dia, também ser consolado em suas tribulações.

A justiça

Numa realidade povoada pela corrupção que, desde a política até as relações sociais mais corriqueiras, nos permeia, é difícil não ouvir falar de justiça. O caminho do cristão é, também, o caminho de quem tem “fome e sede de justiça” e não se cansa de buscar saciar-se.
No entanto, a justiça deve ser experimentada, primeiro na própria vida, porque “O Senhor é justo em Seus caminhos” e, por isso, “É santo em toda a obra que Ele faz” (Sl 144,17), como afirma o salmista. Um caminho de verdadeira felicidade é daquele que busca ser justo naquilo que realiza. Isto é, dando a cada um aquilo que lhe é devido e preservando o mais fraco, aquele que mais sofre. Buscar a justiça deixando de lado os interesses mesquinhos e “os jeitinhos”, no dia a dia, ou seja, buscar a santidade.

A misericórdia

“Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,7), afirma a bem-aventurança. Para além da justiça, ao cristão é proposto o “plus” do amor, ou seja, dar àquele que não fez por merecer e compreender àquele que errou, porque assim escolheu fazer.
Para além da meritocracia, o cristão, em suas relações particulares, deve ser pautado pela misericórdia, compreendendo que seu coração (cordis) é, também, miserável e necessitado (miserere). Aquele que segue a Jesus é chamado a acolher, perdoar e fazer o bem; isso também é possível àquele que não fez bem a sua parte.
Todos somos uma “multidão de perdoados”, de reconciliados pelo Senhor, com o Senhor e no Senhor. É desse modo que  devemos tratar uns aos outros. O julgamento e a calúnia, por exemplo, são sinais claros de quem não escolheu o caminho evangélico da santidade e da felicidade. Aquele que olha e age com misericórdia sabe que, em seu será colocada uma medida que ele próprio poderá suportar.

A pureza

A pureza nada mais é do que ter um coração simples no qual a intenção primeira e primordial é sempre amar. O coração puro é aquele que não está dividido em si mesmo e que busca uma única coisa: amar a Deus e aos irmãos. Além disso, não permite que nada fira essa sua opção fundamental.
A atenção aos outros e a oração sincera a Deus brotam sempre de um coração puro. Aquele que não consegue direcionar-se interiormente para o amor e enche-se de outras “riquezas interiores”, não pode ser verdadeiro, ser santo ou ser feliz. Quem cuida do seu coração para que esteja sempre presente somente o desejo verdadeiro de amar, preservando-o da imundície mesquinha de outros desejos, esse é um santo.

A paz

A paz definha quando, do coração, surgem o desejo de destruição e de calúnia do outro. É assim que se iniciam as discussões, as divisões, as guerras e toda a espécie de violência. Nos ambientes em que se privilegia somente o negativo, isto é, espalha-se o negativo e se dá credibilidade à fofoca e à mentira, nesse ambiente não pode haver paz.
As pessoas pacificadas interiormente, aqueles colocam os “óculos da bondade” para olhar para as outras pessoas, são automaticamente fonte de paz por onde passam. Somente quem olha para o mundo e para as pessoas, buscando ver o bem que lá se encontra, valorizando os outros, esse pode estar pacificado interiormente.
Essas pessoas conseguem tirar bondade onde aparentemente não há e, por isso, olham para a vida de forma diferente. Não é fácil construir a paz. Não basta negar ou esconder-se dos conflitos, é necessário buscar sempre uma nova proposta de superação, por meio do diálogo,  da escuta, do respeito e da compreensão. Não há receita pronta para isso, mas é “um caminho que se faz caminhando”. O verdadeiro filho e filha de Deus é pacificador e, por isso, é santo e feliz.

A autenticidade

Aquele que escolhe buscar a santidade e ser feliz aos moldes de Jesus,é o mesmo que anda contra a corrente da lógica seguida por grande parte das pessoas. Então, surgem a incompreensão, a perseguição, a chacota e ironia, num momento ou noutro essas coisas se apresentarão ao cristão verdadeiro. Pois, trata-se da comum preocupação das pessoas de, primeiro condenar, desacreditar e desconsiderar aquele que busca viver uma vida coerente com os princípios do Evangelho.
Mesmo em meio a essas reações, o cristão é chamado a ser autêntico e, como discípulo e missionário, anunciar a proposta e a mensagem de Jesus. Na vida do que busca ser santo, nunca se pode esquecer da cruz cotidiana e das perseguições inevitáveis que o testemunho acarretará. Ser santo, neste sentido, é abraçar uma vida condizente com o Evangelho todos os dias da vida, mesmo que isso nos acarrete problemas e incompreensões.
A felicidade advém daquela convicção interna que, ninguém, nos pode tirar. Aquela convicção de estarmos sendo coerentes com o projeto de Jesus, autor e consumador de nossa e razão de nossa esperança.

Procure viver esse caminho

Cada uma das atitudes interiores e exteriores apresentadas nas bem-aventuranças – o desapego, a mansidão, a compaixão, a justiça, a misericórdia, a pureza, a paz, a autenticidade (Cf. Mt 5,1-12) – conduz-nos à nossa integração, à essência mais profunda que restabelece, em nós, uma relação positiva e amorosa com Deus, com os outros e conosco mesmos. Seguindo esse caminho, nossa “santidade” será fecunda e tornar-se-á felicidade para nós e para todos que encontrarmos.

Diácono Josimar Baggio, scj

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