A oração do Papa Francisco: Maria, nós nos entregamos a Ti

quarta-feira, 29 de abril de 2020



Numa videomensagem, o Papa pede à Virgem Milagrosa do Santuário de Castel di Leva “proteção” neste momento de emergência devido ao coronavírus. O vídeo de Francisco abriu a celebração da missa presidida pelo vigário do Santo Padre para a Diocese de Roma, cardeal Angelo De Donatis, para o dia de oração e jejum.
VATICAN NEWS
Confiar “a cidade, a Itália e o mundo à proteção da Mãe de Deus, como sinal de salvação e esperança” nesses “dias de emergência de saúde”. Este é o pensamento do Papa Francisco expresso na vídeomensagem para a missa que será celebrada, nesta quarta-feira (11/03), às 19h locais, no Santuário do Divino Amor no anunciado dia de oração e jejum. 

A Oração do Papa

Ó Maria, Tu sempre brilhas em nosso caminho como sinal de salvação e esperança. Nós nos entregamos a Ti, Saúde dos Enfermos, que na Cruz foste associada à dor de Jesus, mantendo firme a Tua fé. Tu, Salvação do povo romano, sabes do que precisamos e temos a certeza de que garantirás, como em Caná da Galiléia, que a alegria e a celebração possam retornar após este momento de provação. Ajuda-nos, Mãe do Divino Amor, a nos conformarmos com a vontade do Pai e a fazer o que Jesus nos disser. Ele que tomou sobre si nossos sofrimentos e tomou sobre si nossas dores para nos levar, através da Cruz, à alegria da Ressurreição. Amém. Sob a Tua proteção, buscamos refúgio, Santa Mãe de Deus. Não desprezes as nossas súplicas, nós que estamos na provação, e livra-nos de todo perigo, Virgem gloriosa e abençoada.

A missa do Papa e do vigário 

O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, anunciou a participação espiritual do Papa Francisco na oração à Virgem, a cujos pés, em 1944, Pio XII e os romanos imploraram a salvação de Roma durante a retirada das tropas nazistas. Mais de 75 anos depois, outra emergência, invisível e também ameaçadora, leva o Papa a se voltar para a Mãe Deus, partilhando os sentimentos do cardeal vigário que, como o Papa, na missa desta quarta-feira, inaugurou a celebração eucarística cotidiana das 19h, que foi transmitida ao vivo pela TV2000 em streaming através do Facebook da diocese. Uma escolha para ir ao encontro dos fiéis obrigados a ficar em casa para evitar o contágio do coronavírus.

Coleta de fundos para os agentes de saúde

“Na missa de hoje”, recorda uma nota do Vicariato de Roma, “será feita uma coleta diocesana extraordinária de ofertas para ajudar os agentes de saúde que estão trabalhando com generosidade e sacrifício no atendimento aos doentes”. “Será um momento de graça, em que unidos, estaremos em comunhão espiritual, nos sentiremos irmãos e irmãs na fé, solidários e não desconfiados uns dos outros”, escreve o cardeal De Donatis na carta em que instituiu o Dia de oração e jejum.

Fonte: Vatican News

Santa Marta, 28 abril 2020, Papa Francisco

terça-feira, 28 de abril de 2020

O Papa: o Senhor dê prudência a seu povo diante da pandemia




Na Missa esta terça-feira (28/04) na Casa Santa Marta, non Vaticano, Francisco rezou para que o povo de Deus seja obediente às disposições em vista do fim da quarentena, para que a pandemia não volte. Na homilia, o Papa convidou a não cair no pequeno linchamento diário do mexerico que provoca falsos julgamentos sobre as pessoas

VATICAN NEWS
Francisco presidiu a Missa na Casa Santa Marta, no Vaticano, na manhã desta terça-feira (28/04) da III Semana da Páscoa. Na introdução, pensou no comportamento do povo de Deus diante do fim da quarentena:
Neste tempo, no qual se começa a ter disposições para sair da quarentena, rezemos ao Senhor para que dê a seu povo, a todos nós, a graça da prudência e da obediência às disposições, para que a pandemia não volte.
Na homilia, o Papa comentou a passagem do dia do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 7,51-8,1a), em que Estêvão fala com coragem ao povo, aos anciãos e aos doutores da lei, que o  julgam com falsos testemunhos, arrastam-no para fora da cidade e o apedrejam. Também com Jesus fizeram o mesmo – afirmou o Papa –, buscando convencer o povo de que era um blasfemo. É uma brutalidade partir de falsos testemunhos para “fazer justiça”: notícias falsas, calúnias, que esquentam o povo para “fazer justiça”, é um verdadeiro linchamento. Fizeram assim com Estêvão, usando um povo que foi enganado. Acontece assim com os mártires de hoje, como Asia Bibi, durante tantos anos no prisão, julgada por uma calúnia. Diante da avalanche de notícias falsas que criam opinião, às vezes não se pode fazer nada. Penso no Holocausto, disse o Papa: foi criada uma opinião contra um povo para eliminá-lo. Há ainda o perigo do linchamento diário que busca condenar as pessoas, criar uma má fama, o pequeno linchamento diário do mexerico que cria opiniões para condenar as pessoas. A verdade, ao invés, é clara e transparente, é o testemunho do verdadeiro, daquilo em que se crê. Pensemos em nossa língua: muitas vezes com nossos comentários iniciamos um linchamento desse tipo. Também em nossas instituições cristãs vimos muitos linchamentos diários que nasceram dos mexericos. Rezemos ao Senhor – foi a sua oração conclusiva – para que nos ajude a ser justos em nossos julgamentos, a não começar ou seguir essa condenação maciça que o mexerico provoca.
A seguir, o texto da homilia transcrita pelo Vatican News:
Na primeira Leitura destes dias ouvimos o martírio de Estêvão: uma coisa simples, como aconteceu. Os doutores da Lei não toleravam a clareza da doutrina e, como saída, foram pedir a alguém que dissessem que tinham ouvido que Estêvão blasfemava contra Deus, contra a Lei. E depois disso caíram em cima dele e o apedrejaram: simples assim. É uma estrutura de ação que não é a primeira: também com Jesus fizeram o mesmo. O povo que estava ali, buscou convencer de que era um blasfemo e eles gritaram: “Crucifica-o”. É uma brutalidade. Uma brutalidade, partir de falsos testemunhos para se chegar a “fazer justiça”. Este é o esquema. Também na Bíblia há casos desse tipo: fizeram o mesmo com Susana, fizeram o mesmo com Nabot, depois Amã procurou fazer o mesmo com o povo de Deus... Notícias falsas, calúnias que esquentam o povo e pedem a justiça. É um linchamento, um verdadeiro linchamento.
E assim, levam ao juiz, para que o juiz dê forma legal a isso: mas já está julgado, o juiz deve ser muito, muito corajoso para ir contra um julgamento tão popular, feito de propósito, preparado. É o caso de Pilatos: Pilatos viu claramente que Jesus era inocente, mas viu o povo, lavou as mãos. É um modo de fazer jurisprudência. Também hoje vemos isso: também hoje está em andamento, em alguns países, quando se quer fazer um golpe de Estado ou excluir algum político para que não participe das eleições, ou assim, se faz o seguinte: notícias falsas, calúnias, depois cai num juiz daqueles que gostam de criar jurisprudência com este positivismo “da situação” que está na moda, e depois condena. É um linchamento social. E assim foi feito com Estêvão, assim foi feito o julgamento de Estêvão: levaram para julgar alguém que já tinha sido julgado pelo povo enganado.
Isso acontece também com os mártires de hoje: que os juízes não têm a possibilidade de fazer justiça porque já foram julgados. Pensemos em Asia Bibi, por exemplo, que vimos: dez anos na prisão porque foi julgada por uma calúnia e um povo que quer a sua morte. Diante dessa avalanche de notícias falsas que criam opinião, muitas vezes não se pode fazer nada: não se pode fazer nada.
Penso muito, nisso, no Holocausto. O holocausto é um caso desse tipo: foi criada a opinião contra um povo e depois era normal: “Sim, sim: devem morrer, devem morrer”. Um modo de proceder para eliminar as pessoas que incomodam, que atrapalham.
Todos sabemos que isso não é bom, mas o que não sabemos é que existe um pequeno linchamento diário que busca condenar as pessoas, criar uma má fama nas pessoas, descartá-las: o pequeno linchamento diário do mexerico que cria uma opinião. Muitas vezes uma pessoa ouve se difamar alguém, e diz: “Mas não, essa pessoa é uma pessoa justa!” – “não, não: se diz que...”, e com aquele “se diz que” se cria uma opinião para acabar com uma pessoa. A verdade é outra: a verdade é o testemunho do verdadeiro, das coisas em que uma pessoa crê; a verdade é clara, é transparente. A verdade não tolera as pressões. Vejamos Estêvão, mártir: primeiro mártir depois de Jesus. Primeiro mártir. Pensemos nos apóstolos: todos deram testemunho. E pensemos em tantos mártires que – também de hoje, São Pedro Chanel – que foi o mexerico ali, a inventar que era contra o rei... se cria uma fama, e se deve matar.


Seis anos atrás, a canonização de João Paulo II e João XXIII

segunda-feira, 27 de abril de 2020


"Foram sacerdotes, bispos e papas do século XX. Conheceram as suas tragédias, mas não foram vencidos por elas. Mais forte, neles, era Deus", foi um trecho da homilia do Papa Francisco na missa de canonização.
Vatican News
Recordam-se neste 27 de abril os seis anos da canonização dos Papas João Paulo II e João XXIII - ocasião solene que teve a participação de Bento XVI na santa missa presidida pelo Papa Francisco na Praça São Pedro.
Em tempos de distanciamento social, é impressionante recordar as imagens daquele domingo; e tocante foi a homilia do Santo Padre, da qual propomos um trecho:
"São João XXIII e São João Paulo II tiveram a coragem de contemplar as feridas de Jesus, tocar as suas mãos chagadas e o seu lado trespassado. Não tiveram vergonha da carne de Cristo, não se escandalizaram d’Ele, da sua cruz; não tiveram vergonha da carne do irmão (cf. Is 58, 7), porque em cada pessoa atribulada viam Jesus. Foram dois homens corajosos, cheios da parresia do Espírito Santo, e deram testemunho da bondade de Deus, da sua misericórdia, à Igreja e ao mundo.
Foram sacerdotes, bispos e papas do século XX. Conheceram as suas tragédias, mas não foram vencidos por elas. Mais forte, neles, era Deus; mais forte era a fé em Jesus Cristo, Redentor do homem e Senhor da história; mais forte, neles, era a misericórdia de Deus que se manifesta nestas cinco chagas; mais forte era a proximidade materna de Maria."
Fonte: Vatican News

A composição vem da intimidade com Deus

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Para falar de composição podemos partir do livro dos Salmos. O que é o livro do Salmos? De acordo com o CIC (e aqui vou tomar vários trechos), os parágrafos 2586 e 2597 nos diz:
“Os salmos nutrem e exprimem a oração do povo de Deus enquanto assembleia”. “As expressões multiformes da oração dos salmos tomam forma, ao mesmo tempo, na liturgia do templo e no coração do homem.”
“Os salmos são o espelho das maravilhas de Deus na história do seu povo e das situações humanas vividas pelo salmista. Um salmo pode refletir um acontecimento do passado, mas reveste-se de tal sobriedade que pode com verdade ser rezado pelos homens de qualquer condição e de todos os tempos.”
“Há traços constantes e comuns a todos os salmos: a simplicidade e a espontaneidade da oração; o desejar Deus em pessoa, através e com tudo o que é bom na sua criação; a situação desconfortável do crente que, no seu amor de preferência pelo Senhor, tem de se confrontar com uma multidão de inimigos e de tentações; a certeza do seu amor e a entrega à sua vontade, enquanto espera o que o Deus fiel fará.”
A composição vem da intimidade com Deus
Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Conhecer-se em Deus e nutrir uma intimidade com Ele são passos essenciais para uma boa composição

Quis trazer essas citações do CIC, pois as características e motivações são as mesmas (ou deveriam ser) que nos levam a compor uma canção. Com isso estou comparando as canções atuais com suas várias motivações aos Salmos?
Não é esse o objetivo, porém, nossas canções continuam falando do amor de Deus para com seu povo, continuam falando, muitas vezes, com simples melodias e harmonias da história do povo, dos seus anseios, sonhos, tristezas, alegrias, lutas, busca por uma vida mais em Deus. A composição passa pelas situações humanas, pelo amor (de preferência, pelo Senhor) e até nas situações difíceis que nos levam para Deus. Passa pela voz e vontade de Deus que fala com seu povo; passa pela história do povo, pelos costumes; passa pelo desejo de santidade do povo etc.

O livro dos Salmos e a composição

O livro do Salmos nos ensina a compor e suas características podem ser um caminho a seguir. São várias as motivações que nos levam a compor uma canção, porém, para compô-las, antes é preciso que o compositor tenha intimidade com Deus, para ouvir de d’Ele a canção a ser composta. “Nossa! Aqui espiritualizou total!”: você pode estar pensando assim! Mas vamos seguir…
Ninguém mais do que Deus sabe do que os seus filhos, o seu povo precisam.  E, nós, músicos católicos, não cantamos somente para uma satisfação pessoal. Cantamos por missão, cantamos por causa de um chamado, cantamos para evangelizar, isto é, para que as pessoas se abram a Deus que já habita seu interior.
Aqui se conectam os dois últimos textos que escrevi. Por causa da evangelização, para que o povo saiba que temos um Deus próximo que nos ama, é que escrevo letras e canções que contenham essa experiência do povo, porém, não só deles. É algo que passa também por mim, então, fala das minhas experiências.
O autor dos Salmos é um homem de intimidade com Deus e, por isso, ele vai louvando, agradecendo, pedindo, suplicando, humilhando-se, arrependendo-se etc., falando do que está dentro do seu coração, da realidade do seu povo, das dores e alegrias.

Compôr exige responsabilidade

A canção fala de mim, fala do que está no meu interior, fala do que está ao meu redor e move o coração, a mente, as sensações de quem a escuta. Uma letra com melodia, harmonia e ritmo é algo muito poderoso. Causa grande influencia na vida das pessoas.
Aqui entra a grande responsabilidade do compositor (sobretudo o compositor católico), pois precisa ser:
  • Homem de virtudes, do bem, de Deus. Não basta ser só do bem, mas precisa lutar para ser virtuoso e lutar para ser de Deus ( princípios, busca de santidade);
  • Precisa ter conhecimento da fé católica, da sua Igreja e amá-la; 
  • Submeter as suas composição a quem tem maior conhecimento teológico, doutrinal. Às vezes, a música é linda, porém, possui graves erros teológicos, erros de doutrina. Causa em quem escuta uma compreensão nebulosa da fé católica; 
  • Purificar seus objetivos. 

Inspiração correta

Quero dizer com isso que: muitos, hoje, compõem a partir da inspiração de ver sua música dando certo (uma falsa motivação). Mas o que é dar certo? Ela sendo cantada em todos os lugares, ouvida em todas as plataformas, sendo interpretada por aquele(a) cantor(ora) famoso(a)?
Vamos aos Salmos novamente: alguns falam da profunda angústia que o autor estava sentindo naquele momento, e aquela angústia tornou-se sua oração. Têm músicas que nunca sairão do quarto, da oração, do papel… Nunca salvarão pessoas, nunca serão interpretadas por nenhum cantor famoso. Mas teve um papel importantíssimo para uma pessoa. Aquele que a fez, o Compositor… 
Pois, aquela canção, ou até aquela letra que ainda nem tem melodia, foi composta por palavras mais sinceras que o autor colocou com a oração. E foi agradável a Deus porque só nasceu para isso. Uma oração sincera de um coração para o coração de Deus. Então, cumpriu seu papel e agora pode ser esquecida dentro de uma gaveta, para que, daqui a alguns anos, seja encontrada e atualize o momento do encontro com o Senhor.

Dica do monsenhor Jonas

Uma vez, em uma conversa com monsenhor Jonas Abib, eu disse a ele que tinha muitas composições, e perguntei o que eu faria com elas. Ele me disse para “mostre-as para alguém e se permita ser questionado, deixe que elas sejam analisadas. Pois, de 20 músicas que nós fazemos, uma ou duas serão para o povo, muitas outras não. Por isso, apresente essas músicas e deixe que Deus mesmo, por meio da boca das pessoas, diga para você qual é a melhor ou melhores para aquele tempo”. Aqui ele falava de uma pessoa próxima, que fosse amiga e que me ajudasse a analisar essas canções, não do grande público.
Leia mais:

Porém, muitas vezes, não fazemos isso pelo medo da frustração de não ver o trabalho feito com tanto carinho ser aprovado por esse ou por aquele. Isso é o que menos importa. Acredite!
Falei acima que a letra precisa falar da Igreja, do amor que tenho por ela, do povo e do amor que tenho a Jesus. Bem, para isso, alimentar-se de boas informações e formações ajuda muito. 

Formação e estudo

O fio condutor (como dizia Walmir Alencar) para uma boa composição vem através da inspiração. Muitas vezes, a partir dos pontos citados anteriormente, “trata-se” a composição, escolhendo os melhores verbos, adjetivos, substantivos. Verificando a necessidade da rima ou o excesso dela, confrontando o conhecimento que você foi adquirindo ao longo dos dias, nas leituras, meditações da Palavra, vida dos santos, história da Igreja, oração pessoal etc.
Após isso, apresente-a a um músico (se você não for) para que ela tome uma forma ainda mais adequada para o tempo, o momento, segundo a inspiração e purificado das falsas motivações, logo após, apresente-a um teólogo da Igreja, a um padre ou diácono,a um leigo também, porém, com bom conhecimento para eliminar quaisquer erros, por fim, se essa canção deve ser gravada, encontre um bom arranjador que consiga compreender o que está dentro de você e traduzir no arranjo da canção ou encontre um cantor que consiga expressar tudo o que você imagina para ela, ou ainda, aquele cantor que Deus mesmo lhe inspirou.
E agora é colocar a “mão na massa” da próxima inspiração. Porque meu dever é plantar, outros colherão, mas quem faz crescer é o Senhor.

Milagre de Amor - Juliana de Paula

quinta-feira, 23 de abril de 2020

A minha música tem unção?

quarta-feira, 22 de abril de 2020


Em I Samuel 16, 13: “Samuel tomou o chifre com azeite e ungiu Davi na presença de seus irmãos. E, a partir daquele dia, o espírito do Senhor começou a ser enviado a Davi.”
Começo esta partilha com a unção de Davi, para que tenhamos a clareza de que Deus tem os seus eleitos, os seus escolhidos. Vemos isso de forma muito clara nesta passagem do livro de Samuel, pois, mesmo tendo a disposição dos sete filhos de Jessé que se apresentaram a Samuel antes de Davi, o Senhor só ungiu aquele que Ele havia escolhido.
Deus concede a cada um dons a partir do que Ele mesmo tem como missão específica. Será que já descobrimos o que Deus quer de nós? Temos a clareza das virtudes que Ele nos abençoou em favor da instauração do Seu Reino?
Quero, neste momento, falar mais especificamente com os músicos, com aqueles que o Senhor abençoou com este dom. Visto que já temos clareza de que somos chamados a servir ao Senhor e ao Seu povo por meio da música, será que a nossa música tem unção?
Quando nos ouvem tocar ou cantar, promovemos este encontro com Deus a ponto de sermos essa ponte, esse instrumento, essa via que aproxima o coração de quem nos ouve ao coração do próprio Deus? O Senhor tem se agradado do nosso empenho em conhecer a Sua Palavra e viver uma vida que transborde o que cantamos ou tocamos? As pessoas, quando nos ouvem, recebem um músico mais preparado tanto espiritual como tecnicamente?
Faço todas essas perguntas para revermos o quanto temos avançado em nossa missão, em nossa unção! Porque, quanto mais conhecermos a Palavra de Deus, o Catecismo da Igreja e a vida dos santos, quanto mais rezarmos o santo terço, fizermos adoração ao Santíssimo e jejum, e formos mais íntimos de nossa Mãe Maria, melhor ministraremos as canções, os momentos de oração, e melhor serviremos à pregação da Palavra e à sagrada liturgia. Por outro lado, quanto mais estudarmos música e nos aprimorarmos em nosso cantar e tocar, com mais beleza e qualidade Deus será revelado!
Como é bom ouvir uma voz afinada, um instrumento bem tocado, uma ministração e oração bem conduzidas! Se ainda não estamos assim, entremos na escola de Davi, aquele que foi escolhido, que tocava lindamente e com unção. Quando Davi tocava, o rei Saul se acalmava, sentia-se aliviado, e o espírito mal o deixava. Será que quando tocamos é assim? O que acontece quando cantamos? Quando tocamos? Nossa música tem unção? Boa revisão de vida ministerial para você!
Um abraço do seu irmão de Ministério de Música, Thiago Tomé!

As palavras têm poder e mostram o coração

terça-feira, 21 de abril de 2020

As palavras são um dos mais excelentes dons que Deus nos deu. Alguém já disse que elas são mais poderosas que os canhões. De fato, um canhão pode ser aprisionado, mas aprisionar a palavra não será possível. Como tudo o que Deus fez, também a palavra é bela, construtora do bem e da paz, e encanta os corações e as mentes, contudo, quando mal empregada, pode ser muito destruidora.
Por meio da palavra, geramos grandes amizades, elevamos o ânimo abatido do irmão que sofre e despertamos forças adormecidas, mas também podemos destruir a honra e a imagem do outro, sufocá-lo até a asfixia de suas forças e gerar a guerra.

As palavras mostram o coração

É incrível o poder da palavra! Ela leva consigo o próprio espírito e o poder da pessoa que a comunica. Jesus disse que “a boca fala daquilo que está cheio o coração” (Lc 6,45).
Se você só pensa em política, você fala de política. Se você só pensa em dinheiro e em negócios, você também só fala de dinheiro e negócios. Se você pensa em Deus, gosta de falar d’Ele, e assim por diante.
As palavras mostram o coração e tem poder
Imagem ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com
As palavras mostram o coração. Pela palavra, Jesus curou cegos e leprosos, expulsou demônios, multiplicou pães, acalmou os ventos e o mar, ressuscitou mortos, amaldiçoou a figueira estéril (cf. Mc 11,14). Também nossas palavras poderão fazer milagres de alegria ou de dor, conforme esteja o nosso coração.
Mais uma vez, portanto, é preciso insistir na mudança do coração e na sua conversão segundo a lei de Deus, porque: “É do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraude, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e loucura” (Mc 7, 21).
Sem dúvida, a palavra má é destruidora. Destrói o irmão, machuca o seu ser, fere a sua sensibilidade, julga, condena e difama sem piedade, inescrupulosamente. Por isso, Jesus nos proibiu, terminantemente, de julgar alguém. “Não julgueis para que não sejais julgados, pois com a mesma medida com que medirdes sereis medidos” (Mt 7,1-2).
Está claro: quem quiser acolher a misericórdia de Deus e não ser julgado por Ele não poderá julgar o outro. Quem julga o outro aborrece Deus, porque, julgando-o e condenando-o, no fundo, acha-se melhor que ele.

É preciso prudência no falar

É um ato de orgulho e soberba que ofende Deus, Pai de todos. É conhecida a história daquela mulher que foi se confessar e disse ao padre que tinha difamado uma amiga, falando mal dela às outras.
Após o perdão, o sacerdote deu-lhe como reparação dos pecados soltar, do alto da torre da igreja, um saco cheio de penas. Após cumprir a penitência, a mulher foi comunicar ao sacerdote, que lhe disse: agora, a senhora vai juntar todas as penas que o vento levou.
Assim como é impossível juntar todas essas penas, é quase impossível restaurar os efeitos destruidores da calúnia, da fofoca e dos julgamentos indevidos.
Vale a pena meditar: a língua é um pequeno membro, mas pode se gloriar de grandes coisas. Uma pequena chama pode incendiar uma floresta. Quem fala o que não deve acaba escutando o que não quer. Sejamos prudentes no falar e dispostos a muito ouvir.

Fonte: Canção Nova

Francisco propõe “um plano para ressuscitar” diante da emergência Covid-19

segunda-feira, 20 de abril de 2020



Meditação do Papa Francisco sobre o pós-coronavírus: um alento de esperança que nasce da alegria pascal e que anima a vida em tempos de Covid-19

Apresentamos o texto integral da meditação escrita pelo Papa Francisco, publicada na Revista Vida Nueva.

Um plano para ressuscitar

Francisco
“Eis que Jesus veio ao seu encontro e lhes disse: ‘Alegrai-vos!’” (Mt 28, 9). É a primeira palavra do Ressuscitado depois que Maria Madalena e a outra Maria descobriram o túmulo vazio e se encontraram com o anjo. O Senhor veio ao seu encontro para transformar sua dor em alegria e consolá-las em meio à aflição (cfr. Jr 31, 13). É o Ressuscitado que quer ressuscitar as mulheres a uma nova vida e com elas a humanidade inteira. Quer que iniciemos a participar da condição de ressuscitados que nos espera. Convidar à alegria pode parecer uma provocação, e inclusive, uma atitude de mau gosto diante das graves consequências que estamos sofrendo pelo Covid-19. Não são poucos os que poderiam pensá-lo, assim como os discípulos de Emaús, como um gesto de ignorância ou de irresponsabilidade (cf. Lc 24, 17-19). Como as primeiras discípulas que foram ao túmulo, vivemos rodeados por um clima de dor e incertezas que faz com que nos perguntemos: “Quem rolará a pedra da entrada do túmulo para nós?” (Mc 16,3) Como faremos para levar adiante esta situação que nos transborda completamente? O impacto de tudo o que acontece, as graves consequências que se apresentam e vislumbram, a dor e o luto pelos nossos entes queridos nos desorientam, desencorajam e paralisam. É o peso da pedra do túmulo que se impõe diante do futuro e que ameaça com o seu realismo, sepultar toda a esperança. É o peso da angústia das pessoas vulneráveis e idosas que passam a quarentena na absoluta solidão, é o peso das famílias que não sabem como conseguir um prato de comida em suas meses, é o peso dos profissionais da saúde e servidores públicos que estão exaustos e desanimados… esse peso que parece ter a última palavra.

Sem dúvida, chega a ser comovedor destacar a atitude das mulheres do Evangelho. Diante das dúvidas, do sofrimento, da perplexidade em frente à situação e incluindo o medo da perseguição e de toda a situação que elas poderiam passar, foram capazes de se colocar em movimento e não se deixarem paralisar com o que estava acontecendo. Pelo amor do Mestre, e com este típico, insubstituível e abençoado gênio feminino, foram capazes de assumir a vida como vinha, desviar com astúcia os obstáculos para estar perto do seu Senhor. Ao contrário de muitos dos Apóstolos que ficaram paralisados pelo medo e a insegurança, que negaram o Senhor e escaparam (cf. Jo 18, 25-27), elas, sem esquivar nem ignorar o que acontecia, sem fugir nem escapar…, souberam simplesmente estar e acompanhar. Como as primeiras discípulas, que no meio da obscuridade e do desconsolo, carregaram suas bolsas com aromas e se puseram a caminho para ungir o Mestre sepultado (cf. Mc 16, 1). Nós pudemos, no tempo, ver muitos que foram levar a unção da corresponsabilidade para cuidar e não pôr em risco a vida dos outros. Ao contrário dos que fugiram com a ilusão de se salvarem a si mesmos, fomos testemunhas de quantos vizinhos e familiares se isolaram com esforço e sacrifício para ficar em suas casas e assim bloquear a difusão. Pudemos descobrir que muitas pessoas que já viviam sofriam a pandemia da exclusão e da indiferença, seguiram se esforçando, acompanhando e apoiando-se para que esta situação seja (ou fosse) menos dolorosa. Vimos a unção derramada por médicos, enfermeiros e enfermeiras, funcionários de mercados, lixeiros, cuidadores, motoristas, forças de segurança, voluntários, sacerdotes, religiosas, avós e educadores, e muitos outros que se dedicaram a entregar tudo o que possuíam para dar um pouco mais de dedicação, cuidado, calma, e ânimo à situação. Todavia a pergunta que se ouvia era a mesma: “Quem rolará a pedra do túmulo para nós?” (Mc 16, 3), todos eles não deixaram de fazer o que sentiam que podiam e tinham que dar.

E foi precisamente ali, no meio de suas ocupações e preocupações, que as discípulas foram surpreendidas por um anúncio impressionante: “Não está aqui, ressuscitou”. Sua unção não era uma unção para a morte, mas para a vida. Seu velório e acompanhamento do Senhor, também na morte e na maior desesperança, não foi em vão, mas lhes permitiu serem ungidas pela Ressurreição: não estavam sós, Ele estava vivo e as precedia no seu caminho. Somente uma notícia transbordante seria capaz de romper o círculo que lhes impedia ver que a pedra tinha sido tirada, e o perfume derramado tinha maior capacidade de expansão do que aquilo que as ameaçava. Esta é a fonte da nossa alegria e esperança, que transforma as nossas ações: nossas unções, entregas… nosso velar e acompanhar de todas as formas possíveis deste tempo, não são e nunca serão em vão; não são entregas para a morte. Cada vez que participamos da Paixão do Senhor, que acompanhamos a paixão dos nossos irmãos, vivendo inclusive a própria paixão, nossos ouvidos escutaram a novidade da Ressurreição: não estamos sozinhos, o Senhor nos precede no nosso caminho removendo as pedras que nos paralisam. Esta boa notícia fez com que as mulheres voltassem em seus passos para buscar os Apóstolos e os discípulos que permaneciam escondidos para contar-lhes: “A vida arrancada, destruída, aniquilada na cruz despertou e voltou a palpitar de novo” (1). Esta é a nossa esperança, que não nos poderá ser roubada, silenciada ou contaminada. Toda a vida de serviço e amor que vocês entregaram no tempo voltará a palpitar de novo. Basta abrir uma fresta para que a Unção que o Senhor quer nos doar se expanda com uma força incontrolável e nos permita contemplar a realidade desoladora com uma visão renovada.

E como as mulheres do Evangelho, também nos convida mais uma vez a voltar sobre nossos passos e deixarmos nos transformar por este anúncio: o Senhor, com sua novidade, pode sempre renovar a nossa vida e a nossa comunidade (Evangelium gaudium, 11). Nesta terra desoladora: o Senhor se empenha em regenerar a beleza e fazer renascer a esperança: “Eis que estou fazendo coisas novas, estão surgindo agora e vós não percebeis?” (Is 43, 18b) Deus jamais abandona seu povo, está sempre junto com ele, especialmente quando a dor se faz mais presente. Se há algo que aprendemos neste tempo é que ninguém se salva sozinho. As fronteiras caem, os muros desabam, e todos os discursos fundamentalistas se dissolvem diante de uma presença quase imperceptível que manifesta a fragilidade à qual estamos sujeitos. A Páscoa nos convoca e convida a recordar dessa outra presença discreta e respeitadora, generosa e reconciliadora capaz de não romper o caniço quebrado nem apagar o pavio já fraco da chama (cf. Is 42, 2-3) para fazer palpitar a vida nova que nos quer presentear a todos. É o sopro do Espírito que abre horizontes, desperta a criatividade e nos renova na fraternidade para dizer presente (ou seja, estou aqui) diante da enorme e imperativa tarefa que nos espera. É preciso discernir e encontrar o pulso do Espírito para impulsionar junto com outras dinâmicas que podem testemunhar e canalizar a vida nova que o Senhor quer gerar neste momento concreto da história. Este é o tempo propício do Senhor, que nos pede para não nos conformarmos nem ficarmos satisfeitos e menos ainda justificarmo-nos com lógicas substituíveis ou paliativas que nos impeçam de assumir o impacto e as graves consequências que estamos vivendo. Este é o tempo propício para nos animarmos a uma nova imaginação do possível com o realismo que apenas o Evangelho pode nos proporcionar. O Espírito, que não se deixa prender nem instrumentalizar com esquemas, modalidades ou estruturas fixas ou decaídas, nos propõe associarmo-nos a seu movimento capaz de “fazer novas todas as coisas” (Ap 21, 5).

Neste tempo nos demos conta da importância de “unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral” (2). Toda a ação individual não é uma ação isolada, para o bem ou para o mal, mas traz consigo consequências para todos, porque na Casa Comum tudo está interligado; e se as autoridades sanitárias ordenam o confinamento nos lares, é o povo que torna possível, consciente da sua correponsabilidade em bloquear a pandemia. “Uma emergência como a do Covid-19 é derrotada em primeiro lugar com os anticorpos da solidariedade” (3). Lição que romperá todo o fatalismo no qual estávamos imersos e permitirá voltar a sentirmo-nos artífices e protagonistas de uma história comum e, assim, responder conjuntamente a tantos males que atingem milhões de irmãos ao redor do mundo. Não podemos nos permitir de escrever a história presente e futura em detrimento ao sofrimento de tantos. É o Senhor que nos voltará a perguntar: “Onde está teu irmão? (Gn 4, 9), na nossa capacidade de resposta, oxalá se revele a alma dos nossos povos, este reservatório de esperança, fé e caridade onde fomos gerados e que, por tanto tempo, vimos anestesiado ou silenciado.

Se atuarmos como um só povo, unido diante de outras epidemias que nos rodeiam, podemos ganhar um impacto real. Seremos capazes de atuar com responsabilidade diante da fome que muitos sofrem, sabendo que temos alimentos para todos? Continuaremos olhando para o outro lado com um silêncio cúmplice diante destas guerras fomentadas por desejos de domínio e de poder? Estaremos dispostos a mudar os estilos de vida que mergulham tantos na pobreza, promovendo e animando-nos a levar uma vida mais austera e humana que possibilite uma divisão equitativa dos recursos? Adotaremos como comunidade internacional as medidas necessárias para deter a devastação do meio ambiente ou seguiremos negando a evidência? A globalização da indiferença seguirá amenizando e tentando o nosso caminho… Esperemos que nos encontre com os anticorpos necessários da justiça, da caridade e da solidariedade. Não tenhamos medo de viver a alternativa da civilização do amor, que é “uma civilização da esperança: contra a angústia e o medo, a tristeza e o desalento, a passividade e o cansaço. A civilização do amor se constrói no dia a dia, de modo ininterrupto. Pressupõe o esforço comprometido de todos. Supõe, para isso, uma comprometida comunidade de irmãos”. (4)

Neste tempo de tribulação e luto, é o meu desejo que todos possam fazer a experiência de Jesus, que sai ao teu encontro, te saúda diz: “Alegrai-vos” (Mt 28, 9). Que seja essa a saudação que nos mobilize a convocar e amplificar a boa nova do Reino de Deus.

Notas

1. R. Guardini, El Señor, 504.

2. Carta enc. Laudato si’ (24 maio 2015), 13.

3. Pontifícia Academia para a Vida. Pandemia y fraternidad universal. Nota sobre la emergencia COVID-19 (30 de março de 2020), p. 4.

4. Eduardo Pironio, Diálogo con laicos, Buenos Aires, 1986.

Fonte: Vatican News

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