A origem da Quaresma

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018


A Quaresma foi inspirada numa grande catequese que a Igreja primitiva realizava

Dentre todas as solenidades cristãs, o primeiro lugar é ocupado pelo mistério pascal, porque devemos nos preparar para vivê-lo convenientemente. Por isso, foi instituída a Quaresma, um tempo de quarenta dias para chegarmos dignamente à celebração do Tríduo Pascal.
A Quaresma, como prática obrigatória, foi instituída no século IV, mas, desde sempre, os cristãos se preparavam para a Páscoa com oração intensa, jejum e penitência. O número de quarenta dias tem um significado simbólico-bíblico: quarenta são os dias do dilúvio, da permanência de Moisés no Monte Sinai, das tentações de Jesus. Guiados por esse tempo e pelas práticas – como que guiados por uma bússola –, buscamos os tesouros da fé para crescer no seguimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Foto ilustrativa: Wesley Almeida / cancaonova.com
“Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo” (Cf. Joel 12, 12-13).
Este tempo de quarenta dias foi inspirado numa grande catequese que a Igreja primitiva realizava. Ela durava quarenta dias, tempo em que os pagãos (catecúmenos) se preparavam para receber o batismo no Sábado Santo, dentro da Solenidade da Vigília Pascal. Acompanhavam também os irmãos que tinham cometido pecados graves para retornarem à fé. Esse tempo era marcado pela penitência e oração, pelo jejum e escuta da Palavra de Deus. Eles eram os “penitentes”, os quais renovavam a fé e recebiam o batismo ou eram reintegrados à comunidade no Sábado Santo.

Tempo profundo na Igreja

Na Quarta-feira de Cinzas, iniciamos o tempo mais rico e profundo da liturgia. Na verdade, esse tempo, que abrange a Quaresma, Semana Santa e Páscoa até o Pentecostes, é um grande retiro, centro do Mistério de Cristo e da nossa fé e salvação. Tempo privilegiado de conversão e combate espiritual, de jejum medicinal e caritativo. A Quaresma ainda é, sobretudo, tempo de escuta da Palavra de Deus, de uma catequese mais profunda, que recorda aos cristãos os grandes temas batismais em preparação para a Páscoa.
Toda a nossa vida se torna um sacrifício espiritual, que apresentamos continuamente ao Pai, em união com o sacrifício de Jesus sofredor e pobre, a fim de que, por Ele, com Ele e n’Ele, seja o Pai em tudo louvado e glorificado. Por isso, a Quaresma é um caminho bíblico, pastoral, litúrgico e existencial para cada cristão pessoalmente e para a comunidade cristã em geral, que começa com as cinzas e termina com a noite da luz e do fogo, a noite santa da Páscoa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Vamos refletir sobre os rumos de nossa espiritualidade até a Páscoa de Nosso Senhor Jesus, ou seja, a vida nova que o Ele tem para nós, os exercícios quaresmais de conversão. A liturgia da Quarta-feira de Cinzas manda proclamar o Evangelho em que, Nosso Senhor, fala sobre esmola, oração e jejum, conforme Mateus 6,1-8.16-18.

Fonte: Canção Nova

Como saber se é realmente Deus que está falando comigo?

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Você já ouviu a voz de Deus?

No início da Bíblia, encontramos um verbo vinculado a Deus em todo o Livro Sagrado: “Deus disse” (Gn 1,3). Ao longo de toda a Escritura, podemos observar que o Senhor mantém uma relação íntima com o homem, a qual é baseada no diálogo. O próprio Livro da Bíblia é um meio que Ele usa para nos falar. Mas você já ouviu a voz de Deus? Como saber se realmente é Ele quem fala, e não nós mesmos? Ele fala apenas com pessoas perfeitas?
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Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com
Podemos nos assustar ao observarmos a vida dos santos e notar o nível de diálogo que eles mantinham com o Senhor. Santa Teresa, por exemplo, em certa ocasião em que viajava, caiu em uma poça de lama. Então, olhou para o céu e disse: “Senhor, por que tantas dificuldades no caminho se estou cumprindo Tuas ordens?”. O Senhor lhe respondeu: “Teresa, não sabes que é assim que trato os meus amigos?”. Ela retrucou: “Ah, Senhor, então é por isso que tens tão poucos!”.

Deus quer estar perto do homem

Deus deseja ser próximo do homem, criar intimidade e amizade com ele. Observemos, por exemplo, a relação de Deus com Adão. Ao criá-lo, o Senhor permitiu que ele desse nome a toda criação e o alertou sobre o fruto proibido. O Senhor Deus também lhe disse: “Não é bom que o homem esteja só; vou dar-lhe uma ajuda que lhe seja adequada” (cf. Gn 2,15s). Vejamos a proximidade com que o Senhor conservava o homem! Ele nos criou para convivermos em Sua intimidade.
Existe um caminho a ser seguido para chegar a uma escuta íntima de Deus, porém, é um caminho, não uma fórmula, pois há grande erro em buscar uma uniformidade quando queremos escutar o Senhor. Ele nos fez únicos e nos ama com um amor particular, portanto, fala-nos de forma individual. O Senhor usa da linguagem à qual estamos acostumados, fala no idioma que compreendemos.

Vamos, então, observar alguns passos importantes nessa experiência:

– Buscar Deus. Isso é obvio, mas precisa ser dito. Não ouviremos o Senhor se não o buscarmos. Deus é uma pessoa, e quando queremos dialogar com uma pessoa, procuramos meios para chegar a ela. Busque momentos para estar com o Senhor, só com Ele, sem celular, sem música nem leitura, apenas com o Pai. “Quando rezar, entre no seu quarto, feche a porta e reze ao seu Pai” (Mt 6,6).
– Fale o que você quer falar. Muitos sofrem, pois ficam com a cabeça cheia durante a oração, pensam em muitas coisas, veem muitas situações e se distraem facilmente. O que pode nos ajudar é, ao chegarmos à capela, falarmos para Deus tudo o que queremos, gastar uns dez minutos de limpeza da mente, falar do cansaço, do trabalho, da família, e, após isso, silenciar um pouco.
– O desejo de ouvir, às vezes, atrapalha. Muitas vezes, criamos ansiedade e expectativas que nos atrapalham. A tensão não colabora para que nosso coração encontre o coração de Deus. É importante que haja liberdade em estar com Ele, sem obrigações nem cobranças. Não cobre Deus para que fale, e não se cobre uma atitude ou a necessidade de fazer alguma coisa. Esteja livremente junto d’Ele.
-Silencie. Estamos falando de diálogo, uma grande dificuldade da relação humana, pois não aprendemos a ouvir o outro. A agitação e o ritmo acelerado que a sociedade vive nos deixam sempre apressados, querendo tudo para agora. Assim, não deixamos as pessoas falarem, antecipamo-nos à fala do outro, queremos adivinhar o que ele vai dizer. Do mesmo jeito que agimos com as pessoas, na agitação, transferimos para Deus. Após um momento de oração, de dizer tudo o que quer a Deus, é importante dar tempo para que Ele fale, é necessário silenciar no ambiente e em nosso coração. O princípio de uma boa escuta é dar tempo para o outro falar.

Deus realmente falou comigo?

Deparamo-nos, às vezes, com essa dúvida. Para isso, precisamos sempre ter em mente que o Senhor não se contradiz. Por isso, se aquilo que ouvirmos for contra alguma lei que Ele já instituiu, contra o amor ao outro ou contra a Igreja, ficará fácil saber que não vem d’Ele.
Conforme criamos intimidade com o Senhor, reconhecemos com mais rapidez Sua voz em nossa consciência. Ele também nos fala nos fatos, na Bíblia, por meio de uma música ou por intermédio de outra pessoa. Particularmente, eu já O ouvi num momento de contemplação a Jesus Eucarístico. O Senhor também já falou diretamente ao meu coração. Em um outro momento, Ele respondeu minha pergunta por meio de um fato: eu queria saber se era da vontade d’Ele que algo acontecesse em minha vida, e as coisas se esclareceram de tal forma, que eu vi a mão de Deus agindo sobre mim.
Diante das experiências que trago, há um ponto importantíssimo que prova, realmente, se Deus falou comigo. Quando Ele fala, Suas palavras ecoam por muito tempo, e o que Ele diz se cumpre. “O que disse, executarei; o que concebi, realizarei” (Isaías 46,11). Deus é fiel ao que diz, e o que Ele fala fica gravado em nós, não se apaga, porque Sua voz ecoa em nossa existência.
O Senhor deseja cultivar, com cada um de Seus filhos, uma relação pessoal e íntima. Reze e peça essa intimidade ao Espírito Santo, pois Ele é o mediador.
Que o Senhor nos dê um coração aberto e ouvidos atentos à Sua voz.

Fonte: Canção Nova

Quaresma, tempo de jejum e penitência

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018


Você sabe para que serve o jejum?

A Igreja nos propõe o jejum como uma maneira de nos educar, de aprendermos a dominar nosso corpo e também nossas inclinações. O jejum e a penitência não são para que sintamos fome ou passemos necessidade. A penitência é “uma reorientação radical de toda a vida, um retorno, uma conversão para Deus de todo o nosso coração” (cf. Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 1431). Ou seja, essas práticas espirituais servem para nos ajudar a encontrarmos a Deus por meio da oração.
A Igreja “contém pecadores no seu seio” (CIC, n. 1428) e é,  “ao mesmo tempo, santa e necessitada de purificação, prosseguindo constantemente no seu esforço de penitência e renovação”. “A penitência interior do cristão pode ter expressões muito variadas. A Escritura e os padres insistem sobretudo em três formas: o jejum, a oração e a esmola que exprimem a conversão” (CIC, n. 1434).

Foto ilustrativa: Tituz by Getty Images
Os jejuns e as mortificações, embora sejam atos exteriores, impelem-nos à oração, a uma melhor escuta de Deus por meio da temperança, do espírito de sacrifício, de equilíbrio do corpo e da mente, levando-nos a essa conversão interior. Inclusive, recomenda-se que o gesto do jejum seja acompanhado da partilha do alimento não consumido, com os necessitados. O tempo litúrgico da Quaresma tem essa dimensão penitencial de revisão interior, mas também, de amor concreto ao próximo.

Por que a Igreja recomenda essa prática espiritual?

É importante saber que o jejum é uma prática muito mais interior do que exterior, não é apenas algo que se deixa de comer, mas tem um propósito: abster-se de certos alimentos. O jejum não é uma dieta, mas uma prática espiritual que visa uma intimidade maior com Deus. O jejum é para a conversão, e também, para que amemos mais a Deus e ao próximo. O Papa Leão Magno aconselhava:
“Mortifiquemos um pouco o homem exterior, para que o interior seja restaurado. Perdendo um pouco do excesso corpóreo, o espírito robustece-se”. As práticas penitenciais são tão importantes na busca da conversão que, a observância de algumas delas, foram indicadas como um dos mandamentos da Igreja. Muito mais do que preceitos, essas práticas penitenciais revelam ser busca pela perfeição no amor.
O quarto mandamento da Igreja diz que é preciso “jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja”. Os dias e tempos penitenciais, em toda a Igreja, são todas as sextas-feiras do ano, e o tempo da Quaresma. Estão obrigados à lei da abstinência, os católicos que tiverem completado catorze anos de idade, e obrigados à lei do jejum todos os católicos maiores de idade até os sessenta anos começados.

Jejum  e abstinência

A abstinência de carne ou de outro alimento, segundo as prescrições da Conferência dos Bispos, devem ser observadas em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades. Na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, devem ser observados o jejum e a abstinência. (Código de Direito Canônico, cânon 1250).
No Brasil, a CNBB afirma que, o fiel católico brasileiro pode substituir a abstinência de carne por uma obra de caridade, um ato de piedade ou trocar a carne por outro alimento.
Monsenhor Jonas Abib, fundador da Comunidade Canção Nova, apresenta em seu livro “Práticas de Jejum”, quatro tipos de jejum, para nos mostrar que todos podem fazê-lo, desde que, escolha qual se adeque mais à sua realidade.
Confira os tipos de jejum e como o fazer nesse infográfico.
Regiane Calixto, Missionária da Comunidade Canção Nova

Por ocasião da Sexta-feira da Misericórdia, Padre Marcondes Meneses visita idosas da Casa da Divina Misericórdia, no bairro dos Bancários

sábado, 17 de fevereiro de 2018


 

Por ocasião do Jubileu da Misericórdia celebrando durante 8 de dezembro de 2015 a 20 de novembro de 2016, o Papa Francisco criou e praticou e continua praticando uma iniciativa chamada “Sextas-Feiras da Misericórdia”.
 
Seu objetivo era poder motivar a prática da misericórdia de forma concreta e não apenas de palavras. Para isso, devemos nos deixar envolver pelo Espírito Misericordioso do Senhor, isto é, acolhidos pelo Seu amor inclusive com as nossas misérias; e, como fruto dessa experiência pessoal da misericórdia divina, abrir o nosso próprio olhar e o nosso coração ao próximo, que, assim como nós, também é cheio de misérias e precisa ser acolhido tanto por Deus quanto pelos outros.
 
Nossa Paróquia, seguindo o exemplo do Papa Francisco, vai ao encontro de quem não pode vir a Igreja. 
 
Nas sextas-feiras da quaresma, nosso Pároco, os diáconos, ministros extraordinários da Comunhão e membros das mais diversas pastorais, serviços e segmentos, farão um verdadeiro mutirão de visitas aos irmãos e irmãs doentes, idosos, situações de vulnerabilidade, encarcerados etc.
 
Ontem, dia 16 de fevereiro de 2018, iniciamos a realização das Sextas-Feiras da Misericórdia, visitando a Casa da Divina Misericórdia, uma Instituição radicada em nosso bairro, que cuida de idosas em idade avançada. 
 
O Pe. Marcondes Meneses, juntamente com o Diácono Luís Carlos, acompanhado de leigos, rezaram com estas mulheres, em seguida foi conferida Unção dos Enfermos a todas.



Também, foram feitas algumas visitas a idosos e doentes em suas residenciais.Venha participar conosco desta experiência de amor e solidariedade! 
 
Lembrem-se: Toda Sexta nos encontramos na Igreja Menino Jesus as 15h e saímos em missão.

O jejum precisa fazer parte da nossa vida

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

 

 O jejum é uma proposta da renovação da força espiritual

Não façais jejum com esse espírito, se quereis que vosso pedido seja ouvido no céu. Acaso é esse jejum que aprecio, o dia que uma pessoa se mortifica? Trata-se talvez de curvar a cabeça como junco, e de deitar-se em saco e sobre a cinza? Acaso chamas a isso jejum, dia grato ao Senhor?” (Is 58, 1-9a).

O jejum faz parte das nossas práticas religiosas e nem digo das práticas quaresmais, e ele precisa fazer parte da nossa vida. O jejum nos disciplina e liberta da escravidão que temos dos alimentos, das coisas materiais e de tantas outras coisas. O jejum tem uma função disciplinadora em nossa vida, mas muitas pessoas podem jejuar e nem serem religiosas, por isso, o nosso jejum não pode ser simplesmente uma abstinência de alimentos, deixar de comer isso e aquilo. Ele tem um sentido espiritual profundo e nos coloca em comunhão com o Senhor, pois é a opção que fazemos.
Nem só de pão vive o homem, mas nós vivemos da Palavra do Senhor, da comunhão com Deus e da intimidade e da relação com Deus.
Eu me abstenho de comer para me relacionar com o Senhor. E, aquilo que o profeta Isaías está falando para nós, é algo muito importante para entendermos o espírito do jejum, porque não basta simplesmente jejuar e colocar-se em oração, é preciso que o jejum quebre em nós o junco da escravidão, do pecado e do mal.
É preciso quebrar em nós, aquelas coisas que nós, humanamente falando, não conseguimos resolver . O ressentimento que temos, a mágoa que cultivamos e as relações que nós não conseguimos resolver. O jejum, por excelência, tem um poder espiritual no combate desta vida. Ele nos coloca em comunhão com Deus, conosco e uns com os outros.
Não “abramos mão” da força do jejum! E, o mais importante aqui, não é quantidade de alimentos que deixamos de comer, e sim, que se faça jejum espiritual, em oração, e de renovação espiritual.
Precisamos ter um propósito, uma disposição, uma vontade de saber partilhar e compartilhar o que tenho com os outros.
Quando eu me proponho a fazer um jejum, proponho também tirar tudo o que eu tenho, das posses que tenho para olhar para quem não costumo olhar, que são os mais pobres, sofridos e os necessitados.
Há pessoas que fazem jejum quase a vida inteira, porque não tem o que comer. Nos excessos que temos, que possamos cuidar daqueles que não têm.

Deus abençoe você!

Fonte: Canção Nova

Dom Delson prega tolerância e cobra da gestão pública combate à violência

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018



O arcebispo da Paraíba, Dom Manoel Delson, pregou a tolerância às diferenças e cobrou compromisso, inclusive dos gestores públicos, com o combate à violência. A mensagem fez parte do sermão durante a celebração da missa de quarta-feira de cinzas, na Catedral de Nossa Senhora das Neves, que também marcou o início da quaresma e o lançamento da Campanha da Fraternidade, em João Pessoa. Centenas de fiéis acompanharam a celebração.
Este ano, o tema da Campanha da Fraternidade é “Fraternidade e Superação da Violência”. O lema da campanha é “Vós sois todos irmãos”, baseado em um texto do evangelho de São Mateus. “Precisamos rever nossa cultura da resposta violenta, da intolerância, substituindo por uma cultura do amor, da paz, do respeito às diferenças, seja de religião, de sexo, de cor. Precisamos respeitar a todos, porque todos somos irmãos em Cristo”, disse Dom Delson.
O arcebispo fez questão de ser enfático na fala sobre o respeito às diferenças: “Não podemos agir com violência se uma pessoa tem uma opção sexual diferente da nossa. Porém, temos que acabar também com a intolerância de minorias, que tentar impor suas formas de pensar para a maioria. O diálogo respeitoso precisa definir o respeito entre os semelhantes”, acrescentou.
Sobre o combate à violência, Dom Delson disse que todos somos responsáveis. “Cada um tem que fazer o seu papel, desarmando os espíritos, preferindo as respostas de amor às respostas de ódio. E a convocação para que cada um faça a sua parte envolve também os gestores públicos, responsáveis pela promoção de políticas de combate e prevenção à violência. Todos precisam ser responsáveis, inclusive os gestores públicos”, cobrou.
A missa desta quarta-feira (14) deu início à Quaresma, um dos eventos mais importantes do ano para o povo católico. São quarenta dias de penitência e orações mais intensas. “É um período dedicado à reflexão, orações, estudos e jejuns, com vistas à preparação para o domingo de Páscoa”, explicou o arcebispo.
Campina Grande
A Campanha da Fraternidade também foi lançada nesta quarta em Campina Grande, em uma missa realizada na Catedral de Nossa Senhora da Conceição, presidida pelo bispo Dom Dulcênio Fontes. O líder da igreja local falou sobre o que acredita ser efetivo no combate à violência. “As ações pontuais não resolverão o problema, apenas tapearão o mal entranhado da violência, por isso não apostamos nas atitudes violentas da repressão, porque cremos que o diálogo muito poderá fazer para resolver”, disse.
Já o padre Saulo Rodrigues criticou um dos lemas mais falados no país. “Fomos acostumados com a ideia de que vivemos em um país abençoado por Deus e bonito por natureza, o que não é verdade. Para se ter uma ideia, os traficantes educam as crianças para a violência. Os traficantes compram armas de brinquedo para incentivar esta cultura da violência. As mídias promovem este comportamento e tornam aquilo comum”, disse.
*Com texto de Ainoã Geminiano e Wênia Bandeira, do Jornal Correio da Paraíba

“Para, olha e regressa”, é convite do Papa no primeiro dia da quaresma

Na Santa Missa desta Quarta-feira de Cinzas, Francisco sublinhou a importância do cristão parar, olhar e regressar a Deus

Da redação
Papa Francisco durante homilia desta quarta-feira, 14 /Foto: Reprodução CN
“Para, olha e regressa”, este é o convite feito pelo Papa Francisco na Santa Missa desta Quarta-feira de Cinzas, 14, celebrada no Vaticano, em Roma. Neste dia de jejum e penitência, o Santo Padre sublinhou a necessidade dos cristãos aproveitarem o tempo da quaresma para desmascararem tentações e deixarem o coração voltar a bater segundo as palpitações do coração de Jesus.
Segundo Francisco neste tempo de reflexão e correção do coração, a Igreja propõe que todos os fiéis se atentem a tudo que possa “arrefecer” e “oxidar” o coração. “Cada um de nós conhece as dificuldades que deve enfrentar, e é triste constatar nas vicissitudes diárias como se levantam vozes que aproveitando-se da amargura e da incerteza, (…) semeam o fruto da desconfiança, que é a apatia e a resignação. Demônios que paralisam e cauterizam a alma”, refletiu.
Diante das dificuldades enfrentadas rotineiramente pelos cristãos, o Pontífice sublinhou a importância do cristão parar, olhar e regressar a Deus neste momento de introspecção proposto pela Igreja. A primeira sugestão proposta pelo Papa, a de parar, pede de acordo com o Santo Padre, para que a agitação e a dispersão sejam deixadas de lado para que o coração se esvazie de amargura, do que divide e destrói, para se ocupar do tempo da família, da amizade, dos filhos, dos avós, da gratuidade e do tempo de Deus.
Francisco prosseguiu aconselhando os fiéis a pararem com a necessidade de aparecer e serem vistos, com comentários desdenhosos, com a ânsia de controlar tudo, com ruídos na fé, com atitudes que fomentam sentimentos estereis e infecundos, com tudo que priva a criação de raízes e laços, que é instantâneo, momentâneo e efêmero. O pontífice prosseguiu pedindo um olhar mais fecundo sobre as pessoas e o mundo.
O convite de Francisco aos cristãos é para um olhar do que os impede de seguir a caridade, aos esforços das famílias para serem um lar de amor, às crianças e aos jovens carregados de futuro e esperança, aos idosos portadores da memória viva de um povo, aos doentes que lembram o valor da vida que não pode ser calculada nem medida, e aos que lutam para mudar as situações e realidades para seguirem em frente.
“Olha e contempla o rosto concreto do Cristo crucificado por amor de todos, sem exclusão (…). Olha o seu rosto, que é convite cheio de esperança deste tempo de quaresma para vencer os demônios da desconfiança, da apatia e da resignação. Rosto que nos convida a exclamar: o reino de Deus é possível!. Para, olha e regressa. Regressa a casa de teu Pai, regressa sem medo aos braços ansiosas e estendidos do teu Pai Rico em Misericórdia que te espera. Regressa, sem medo este é o tempo oportuno de voltar para casa, a casa do meu Pai, do vosso Pai”, afirmou o Pontífice.
O Santo Padre encerrou a homilia ressaltando que a quaresma é tempo de deixar o coração ser tocado, e alertou: “Permanecer no caminho do mal é fonte apenas de ilusão e tristeza. A verdadeira vida é outra coisa, muito bem diferente e bem sabe o nosso coração, Deus sabe o nosso coração, Deus não se cansa e jamais se cansará de estender a mão”. Por fim, o Papa convidou todos a retornarem sem medo à ternura sanadora e reconciliadora de Deus. “Deixa que o Senhor cure as feridas do pecado e cumpra a profecia feita aos nossos pais: dar-vos-ei um coração novo e introduzirei em vós um espírito novo, arrancarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne”, finalizou.

Fonte: Canção Nova

Qual é o convite que a Quarta-feira de Cinzas nos faz?

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Entramos no tempo da Quaresma com a Quarta-feira de Cinzas, período que antecede a Semana Santa

Ocasião de nos preparemos para a maior de todas as celebrações da Igreja: a Ressurreição de Cristo, nossa Páscoa. E este tempo de preparação se inicia hoje, na Quarta-feira de Cinzas. Na celebração deste dia, cinzas são colocadas na nossa cabeça ou na testa para que nos lembremos de onde viemos e para onde vamos: “Como um pai tem piedade de seus filhos, assim o Senhor tem compaixão dos que o temem, porque ele sabe de que é que somos feitos, e não se esquece de que somos pó” (Sl 102,14).
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Foto ilustrativa: sterlsev by Getty Images
Este é um tempo favorável a nós. Mas, para que possamos ressuscitar com Cristo, talvez seja necessário mudarmos a direção da nossa vida. Por isso, no momento em que recebemos as cinzas, ouvimos o seguinte versículo bíblico: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (cf. Mc 1,15). Mas, vamos antes entender onde está situado esse importante alerta de conversão.
No Evangelho de São Marcos, esse trecho está no capítulo 1 (um). O livro tem uma abertura, na qual apresenta o objetivo principal do Evangelho: a afirmação de que Jesus é o Filho de Deus (1,1). Segue com a apresentação de João Batista (1,2-8). No versículo 9, Cristo aparece pela primeira vez no Evangelho para ser batizado por João (1,9-11). Por fim, Ele passa 40 dias no deserto onde é tentando pelo demônio (1,12-13).
No Evangelho de São Marcos, todas estas passagens são apresentadas sem que se ouça a voz de Jesus. Todos os diálogos d’Ele, nessas cenas que conhecemos de outros Evangelhos, São Marcos suprime. A primeira fala de Jesus colocada por esse evangelista é a primeira pregação feita pelo Mestre, e é sobre conversão: “Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-se para a Galileia. Pregava o Evangelho de Deus e dizia: ‘Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; convertei-vos e crede no Evangelho’” (Mc 1,15).

Essa primeira fala de Jesus, no Evangelho de São Marcos, pode ser divida em três partes:

1) Cumpriu-se o tempo – a espera das promessas do Antigo Testamento relacionadas à vinda do salvador acabou, pois, Ele está no meio de nós.
2) O Reino de Deus está próximo – este reino é o próprio Jesus. Ele que vem ao encontro de cada um de nós.
3) Convertei-vos e crede no Evangelho – mas, para que nós experimentemos essa presença real de Jesus, para que vivamos o seu reino é preciso conversão.
E converter significa mudar de caminho. É necessário assumir o caminho proposto no Evangelho, que é o próprio Cristo: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Cf. Jo,14,6).
Assim, começamos a Quaresma na Quarta-feira de Cinzas, ouvindo, segundo o Evangelho de Marcos, a primeira pregação de Jesus, um convite à conversão. Um convite para que, nestes quarenta dias, possamos refletir por quais caminhos temos andado. Um convite para conhecermos e seguirmos pelo caminho que é o próprio Cristo. Um convite para, no caminho que é Cristo, encontrarmos uma vida nova, a ressurreição.

Fonte: Canção Nova

Existe relação entre o carnaval e o Cristianismo

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

O carnaval provavelmente surgiu antes do Cristianismo 

Vários autores explicam que o nome “carnaval“, a partir da palavra latina “carne vale”, isto é, “adeus, carne” ou “despedida da carne”, significa que, nesta festa, o consumo de carne era considerado lícito pela última vez, antes dos dias de jejum quaresmal. Outros estudiosos recorrem à expressão “carnem levare”, ou seja, suspender ou retirar a carne.
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Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com
O Papa São Gregório Magno (590-604), teria dado ao último domingo, antes da Quaresma (domingo da Quinquagésima), o título de – dominica ad carnes levandas – o que teria gerado “carneval” ou “carnaval”.
Já, um grupo de etimologistas, apela para as origens pagãs desta festividade. Entre os gregos e romanos costumava-se fazer um cortejo com uma nave, dedicado ao deus Dionísio ou Baco, festa que chamavam em latim de “currus navalis”, cujo significado em português é “nave carruagem”, de onde teria vindo a forma “carnavale”. Não é fácil saber a real origem do nome.

Fantasias e alegorias são anteriores a era cristã

As mais antigas notícias do que hoje chamamos de “carnaval” datam, como se crê, do século VI antes de Cristo, na Grécia. Há pinturas gregas em vasos, com figuras mascaradas, desfilando em procissão ao som de músicas em honra do deus Dionísio, com fantasias e alegorias certamente anteriores a era cristã.
Outras festividades semelhantes aconteciam na entrada do novo ano civil (mês de janeiro) ou pela aproximação da primavera, na despedida do inverno.
Eram festas religiosas dentro da concepção pagã e da mitologia, cuja intenção era a de, com esses ritos, expiar as faltas cometidas no inverno ou no ano anterior, e pedir aos deuses a fecundidade da terra e a prosperidade para a primavera e o novo ano.
Por exemplo, para exprimir o cancelamento das culpas passadas, encenava-se a morte de um boneco que, depois de haver feito seu testamento e um transporte fúnebre, era queimado ou destruído. Em alguns lugares, havia a confissão pública dos vícios.
A denúncia das culpas, muitas vezes, tornava-se algo teatral, como, por exemplo, o cômico Arlequim que, antes de ser entregue à morte, confessava os seus pecados e os alheios.

Festividades carnavalescas

Tudo isso parece ter gerado abusos estimulados com o uso de máscaras, fantasias, cortejos, peças de teatro entre outros. As religiões ditas “de mistérios” provenientes do Oriente, muito difusas no Império Romano, concorreram para o fomento das festividades carnavalescas. Essas tomaram o nome de “pompas bacanais” ou “saturnais” ou ainda “lupercais”.
Como essas demonstrações de alegria tornaram-se subversivas da ordem pública, o Senado Romano, no século II a.C., resolveu combater os bacanais e seus adeptos foram acusados de graves ofensas contra a moralidade e contra o Estado.
Essas festividades populares podiam ser no dia 25 de dezembro (dia em que os pagãos celebravam Mitra ou o Sol Invicto) ou o dia 1º de janeiro (começo do novo ano), ou outras datas religiosas pagãs.

Transformar o Carnaval com Princípios do Evangelho

Quando o Cristianismo surgiu, já encontrou esses costumes pagãos. Como o Evangelho não é contra as demonstrações de alegria, desde que, não se tornem pecaminosas; os missionários, em vez de se oporem formalmente ao carnaval, procuraram cristianizá-lo, no sentido de depurá-lo das práticas supersticiosas e do mitológico.
Aos poucos, as festas pagãs foram sendo substituídas por solenidades do Cristianismo (Natal, Epifania do Senhor ou a Purificação de Maria, dita “festa da Candelária”, em vez dos mitos pagãos celebrados a 25 de dezembro, 6 de janeiro ou 2 de fevereiro).
Por fim, as autoridades da Igreja, parecem ter conseguido restringir a celebração oficial do carnaval aos três dias que precedem a Quarta-feira de Cinzas. Portanto, a Igreja não instituiu essa festa; ela teve, porém, de reconhecê-la como fenômeno existente, para isso, procurou subordiná-la aos princípios do Evangelho.
A Igreja procurou, também, incentivar os retiros espirituais e a adoração das “Quarenta Horas”, nos dias anteriores à Quarta-feira de Cinzas; sobretudo, fortaleceu a Quaresma.

Fonte: Canção Nova

Padres ressaltam bom senso e maturidade para o cristão no carnaval

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

 

Festa popular no país é vista pela Igreja como uma oportunidade de evangelização 

O carnaval é uma tradicional festa popular comemorada por milhões de brasileiros. Apesar de sua origem pagã, a festa é vista pela Igreja como uma oportunidade de evangelização, afirmou o Vice-reitor do Santuário do Pai das Misericórdias, na sede da Canção Nova – em Cachoeira Paulista (SP) -, padre Márcio do Prado. O sacerdote ainda esclarece: “O carnaval não é proibido, desde que se viva como cristão no carnaval”.
A festa era na antiguidade, de acordo com o sacerdote, uma despedida da carne, proposta que foi incorporada no tempo de penitência e abstinência vivido pela Igreja, a Quaresma. “Se faz festa sim, e depois se entra neste clima penitencial, de abstinência, de oração, mas também de caridade. Então a Igreja vê sim o carnaval como uma oportunidade de evangelização”, reiterou padre Márcio.
“Graças ao bom Deus ainda existem lugares e pessoas que festejam o carnaval de forma saudável, em família, onde realmente se vive uma brincadeira, não uma depravação, bebedeira, sexualidade e essas realidades. Os retiros, rebanhões e os vários encontros de carnaval conseguem proporcionar momentos de alegria através da dança e da música, e ao mesmo tempo passar uma mensagem cristã”.


Segundo o cura da Catedral de Lorena (SP),  padre Rodrigo Fernando Alves, Papa Francisco, em discursos e documentos pontifícios, tem pedido à Igreja a construção de pontes, não de muros.
“Podemos dizer que a Igreja vê, partindo deste momento eclesial, todas as sadias manifestações como elementos da cultura, com a qual ela, como mãe, precisa conviver e dialogar”, sublinhou o padre, que lembrou os católicos que, durante as festas populares, é preciso sempre se recordar da condição que os pertence, a de cristãos.
Apesar de sublinhar a possibilidade do cristão viver de forma saudável a festa popular, padre Márcio alertou para a perda do sentido da data e para a forma como muitas pessoas têm aproveitado o carnaval, fatores muitas vezes condenados pela Igreja.
“A Igreja condena, se assim podemos dizer, estes carnavais que falam de traição, ou que apresentam o nudismo como forma de brincadeira. Nós como cristãos sabemos que o corpo é templo do Espírito Santo”, explicou.
De acordo com padre Rodrigo, o católico precisa ter bom senso, maturidade, e assim como São Paulo Apóstolo, não se fazer presente onde se percebe “fraco”.

 

Um carnaval diferente


A coordenadora pedagógica, Priscila Alves Ferreira Guimarães Dias, lorenense de 27 anos, após passar o carnaval em Salvador (BA), com os amigos, afirmou ter se sentido incomodada com algumas situações que presenciou, de drogas, bebidas e prostituição, e sentiu que precisava fazer algo diferente.
Sentido a necessidade de fazer algo por outros jovens, elaborou em 2009 um retiro. A ideia, segundo Priscila, era unir os movimentos da Igreja Católica de sua cidade e proporcionar um encontro com dinâmica, Adoração ao Santíssimo, palestras, músicas e festas. De imediato, a proposta não recebeu apoio suficiente para que conseguisse ser executada, mas Priscila não desistiu, e anos depois o Movimento de Aldeias de Vida apoiou o projeto.
O retiro, denominado “Aldeia Folia”, está neste ano de 2018 em sua 3º edição e já contabiliza 168 inscritos e 140 voluntários. O encontro, que em sua primeira edição englobava apenas jovens da cidade Lorena – propósito inicial estabelecido por Priscila -, tem hoje a participação de pessoas das cidades de Pindamonhangaba, Taubaté, Santa Isabel, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Jovens durante atividades do Aldeia Folia no ESI – Espaço de Formação Integral, área rural de Lorena / Foto: Arquivo Pessoal-Priscila Alves
Para padre Rodrigo, o ser humano, em harmonia, em equilíbrio e fazendo o que é belo e bom, trabalha a espiritualidade, ainda que em momentos que não sigam necessariamente rituais religiosos.
Sobre os diversos jovens que se mostram em dúvida quanto a aproveitar o carnaval nos retiros, ou, aproveitá-lo em outros ambientes, Priscila aconselha: “Se a pessoa tiver um pouco de vontade, deve se propor a viver um carnaval diferente. O que a gente tem de retorno é muito maravilhoso, nos preenche. Não saímos de um carnaval vazios, como a maioria dos jovens sai, saímos preenchidos”, finalizou.
No vídeo abaixo, entenda mais sobre uma proposta diferenciada para viver o carnaval: 
 

Fonte: Canção Nova

Jesus quer curar e purificar os nossos sentidos

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Abra-se e deixe que Jesus renove e purifique o seu ouvido, sua boca e sua língua

“Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão” (Mc 7, 31-37).

Jesus toca todos os nossos sentidos, porque todos eles precisam ser curados, purificados e renovados por Ele.
Por vezes, nos preocupamos com a “cera” que entra em nossos ouvidos e essa preocupação não é ruim; é bom que cuidemos, porque esta nos faz mal, mas, não é a cera que torna os nossos ouvidos impuros, e sim, o que escutamos: maldades que vêm do mundo, as malícias que estão ao nosso redor e as fofocas. Essas impurezas entram em nós e não imaginamos o mal que fazem ao penetrar o nosso coração e na nossa vida.
Sabemos que, aquilo que ouvimos vai para o nosso coração, e também para a nossa cabeça, porque, “a boca fala daquilo que coração está cheio”. Por este motivo que a nossa língua, também, fica doente e enferma: falamos e escutamos o mal. Nós falamos fofoca, porque escutamos fofoca; nós espalhamos mentiras e confusões, porque é o que escutamos.
Esse homem está enfermo como também nós nos encontramos doentes. Sabe por quê? Porque os nossos ouvidos não conseguem mais escutar a Deus como deveríamos ouvir.
Percebemos logo quando uma criança chega à adolescência o quanto os seus ouvidos ficam feridos. Como? A criança escuta a voz do pai e da mãe quando ainda nem sabe falar e os ouvidos estão atentos a voz do pai até de longe; o adolescente quando é tomado pela rebeldia, ele não quer mais escutar a voz do pai e da mãe, só escuta as vozes do mundo e do coração dele. Assim nós, também, estamos.
Os nossos ouvidos estão rebeldes e não escutam a voz de Deus, e, uma vez que, nós não escutamos, não temos o que falar. Nos falamos do mundo, das coisas mundanas, das confusões e das maldades do mundo. Quando as pessoas se encontram e perguntam quais são as novidades, elas sempre falam da vida dos outros. Se a boca só consegue falar maldade é porque o ouvido só escuta isso.
No entanto, Jesus vai no chão, cospe nele e com a saliva, Ele toca com os dedos os ouvidos daquele homem.
Os dedos de Jesus quer tocar os nossos ouvidos para purificá-los e, também, limpar o que ouvimos. E, assim, a saliva d’Ele possa tocar a nossa boca e língua. E aquilo que sair, seja para a nossa edificação.
Permita, meus irmãos, sermos tocados por Jesus e que os nossos ouvidos sejam curados por Ele. E, aquilo que entrar pelos nossos ouvidos, seja o que instrua, renove e santifique, e também, a nossa língua seja sarada e curada por Deus.

Deus abençoe você!

Fonte: Canção Nova

Não desvia o seu coração do Senhor

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Precisamos e devemos manter o nosso coração próximo de Deus

“Quando Salomão ficou velho, suas mulheres desviaram o seu coração para outros deuses, e seu coração já não pertencia inteiramente ao Senhor, seu Deus, como o do seu pai, Davi” (1 Rs 11, 4-13).

Nós admiramos muito Salomão com sua sabedoria e temor a Deus, admiramos como ele foi conduzido por Deus, porém, é triste observar como no final da sua vida, já velho, de idade avançada, ele deixou-se desviar; em outras palavras, Salomão escorregou. Não é que ele tenha abandonado a Deus e não acreditasse mais Nele, ou não servisse mais ao Senhor, simplesmente, Salomão já não era tão fiel e não servia mais inteiramente a Deus, deixou o seu coração se dividir.
Salomão deixou seu coração se dividir para outros deuses e afastou-se do Senhor. Os atrativos desse mundo, esses podem ser homens, mulheres, bebidas, etc., desviam o nosso coração. As pessoas que nós escutamos, aquelas com as quais falamos ou quando deixamos nosso coração guiar -se por aquilo que os outros dizem, tudo isso pode nos desviar do Senhor.
Precisamos cuidar da nossa vida todos os dias, porque, ninguém desvia-se de Deus de uma hora para outra. Hoje estou aqui em Deus, e amanhã não estou mais; isso não existe!
Nós nos desviamos do caminho do Senhor aos poucos, O abandonamos e acabamos seguindo outro caminho, ou seja, relaxamos. Não damos atenção e, quando percebemos, o nosso coração não é mais inteiro de Deus.
Não é só na velhice, acontece também com os jovens, adolescentes, comigo, com você, com o pai, com a mãe. Quantos dizem: “Eu já fui mais de Deus; mais da Igreja; rezei mais; hoje já não gosto e não vou mais”.
Muitas coisas desviam o nosso coração, sejam as tentações e os atrativos do mundo, ou ainda, as feridas do coração, nos machucamos, nos decepcionamos e, então, vamos fracionando o nosso coração. Somos de Deus, mas não como éramos: inteiro de Deus.
Davi  mesmos com todos os pecados voltou-se, inteiramente, para Deus e morreu inteiro d’Ele, assim nós também precisamos ser, não podemos ser de Deus pela metade. Sejamos inteiros do Senhor! Precisamos e devemos manter o nosso coração próximo de Deus.
O que é que tem nos roubado de Deus? O que é que tem nos deixado fracionados para Deus? O que tem roubado, aos poucos, o nosso coração da presença do Senhor?
Nós não podemos morrer e nem viver com o coração dividido em relação aquilo que é inteiramente nosso: um Deus que nos ama por inteiro!

Deus abençoe você!

Fonte: Canção Nova

O homem precisa purificar o seu coração

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Todas as impurezas e maldades precisam ser lavadas e purificadas do coração do homem

“Escutai todos e compreendei: o que torna impuro o homem, não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça! (Mc 7, 14-23)”.

Esse ensinamento de Jesus vai lá no fundo da nossa alma e do nosso coração. Sei que precisamos nos preocupar com aquilo que comemos, tem comidas que fazem bem e aquelas que não fazem. Mas, o grande problema não é a questão dos alimentos: o que comemos ou não; e sim, o que estraga as relações humanas, aquilo que já está dentro de nós, e não o que vamos receber.
Porque é de dentro do nosso coração que saem as coisas boas, a verdade; porém, não podemos negar que, também, estão dentro de nós as coisas más, maliciosas e estragadas. A inveja entrou no nosso coração, assim como a maldade, a malícia, os maus desejos, ambições, impurezas e adultérios.
Ninguém comete o mal de uma hora para a outra, não existe isso! Ninguém rouba, adultera e faz uma coisa grave se, primeiro, isso não estiver na  cabeça; e essa, pensa no que o coração guardou. Então, de tanto guardamos coisas estragadas em nós, iremos cometer algum erro: falar o que não queria; fazer o que não devia; cometer o ilícito que não deveria.
Nós acostumamos com coisas pequenas e achamos que elas não têm problema: “eu só peguei uma coisa e não devolvi”; “tive apenas um mal pensamento”. É preciso purificar o coração de todo mal, para que esse mal não esteja alinhado e escondido dentro de nós, para que não esteja soprando em nossa mente as disposições para aquilo que não é correto.
Por isso, o mais importante é permitirmos que Jesus nos purifique por dentro, que Ele lave o nosso coração purificando nossas intenções, renovando nossa mentalidade, e a nossa maneira de pensar. Porque o que somos, não é só aquilo que vemos de fora, mas principalmente, aquilo que já está dentro de nós. Que reconheçamos o quanto o nosso interior, nosso coração, a nossa alma e vontade necessitam, a cada dia, de purificação e de renovação.

Deus abençoe você!

Fonte: Canção Nova

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