Missa de 7º dia Online - Tarcisio Fagundes de Sousa

segunda-feira, 19 de abril de 2021

 

A V I S O


A missa de 7º dia pela Alma de Tarcisio Fagundes será na Comunidade Nossa Senhora do Carmo, nesta terça-feira(20/04), às 18:30h,  transmitida pelo Instagram da Comunidade no @comunidade_n_s_carmo. 

Nossas Orações e nossa Solidariedade à toda família enlutada. 

Papa à CNBB: promover a reconciliação do povo brasileiro

quinta-feira, 15 de abril de 2021

 

Papa recorda Santa Teresa de Ávila: a oração não é para coisas extraordinárias, mas para nos unir a Cristo

 Francisco enviou uma mensagem em vídeo aos participantes do Congresso “Mulher excepcional” por ocasião do cinquentenário do Doutorado de Santa Teresa de Ávila. O Papa recorda as palavras da santa: “A oração não é para experimentar coisas extraordinárias, mas para nos unir a Cristo”

Jane Nogara – Vatican News

"O que mede a perfeição das pessoas é seu grau de caridade, não a quantidade de dados e conhecimentos que elas podem acumular". Foi um dos pontos fortes da mensagem que o Papa Francisco enviou ao Congresso Internacional “Mulher excepcional” por ocasião do cinquentenário do Doutorado de Santa Teresa de Ávila.  Assim como recordou que a oração fez de Santa Teresa "uma mulher excepcional, uma mulher criativa e inovadora".

“Determinação determinada”

Francisco iniciou sua mensagem afirmando: “A expressão ‘mulher excepcional’, que dá o título ao vosso encontro, foi usada por São Paulo VI. Estamos falando de uma pessoa que se destacou em muitos aspectos”. “Entretanto – continuou o Papa - não se deve esquecer que sua reconhecida relevância nestas dimensões nada mais é que a consequência do que foi importante para ela: seu encontro com o Senhor, sua ‘determinação determinada’, como ela diz, de perseverar em união com Ele através da oração, sua firme intenção de realizar a missão que lhe foi confiada pelo Senhor, a quem ela se oferece com simplicidade. A ousadia, criatividade e excelência de Santa Teresa como reformadora são frutos da presença interior do Senhor.


Cristãos chamados a renovar a face da terra

“Dizemos que ‘não estamos vivendo em uma época de mudanças, mas em uma mudança de época’. E neste sentido, nossos dias têm muitas semelhanças com os do século XVI em que a santa viveu”. E Francisco compara: como naquela época, “agora nós cristãos somos chamados a assegurar que, através de nós, o poder do Espírito Santo continue a renovar a face da terra na certeza de que no final são os santos que permitem que o mundo avance em direção a seu objetivo final”.


A oração serve para nos unir a Cristo

“Os santos nos estimulam e nos motivam”, reitera o Papa na sua mensagem, “mas eles não estão lá porque tentamos literalmente copiá-los, a santidade não pode ser copiada (...) “O que importa é que cada crente discerne seu próprio caminho, cada um de nós tem seu próprio caminho de santidade, de encontro com o Senhor. “De fato” explicou, “a própria Santa Teresa adverte suas monjas que a oração não é para experimentar coisas extraordinárias, mas para nos unir a Cristo. E o sinal de que esta união é real são as obras de caridade. O Papa explica ainda que não se deve ficar preocupado pelo grau de devoção para consolar ou para rezar: “Não, minha irmã! O Senhor quer obras. Ele quer, por exemplo, que você não se importe de perder essa devoção de consolar uma pessoa doente a quem você vê que pode ser de alívio, fazendo com que ela sofra o seu próprio sofrimento, jejuando, se necessário, para lhe dar comida... É nisto que consiste a verdadeira união com a vontade de Deus"! Concluindo seu pensamento afirma: “O que mede a perfeição das pessoas é seu grau de caridade, não a quantidade de dados e conhecimentos que elas podem acumular".


Da oração à fraternidade

A oração fez de Santa Teresa "uma mulher excepcional, uma mulher criativa e inovadora". A partir da oração descobriu o ideal de fraternidade. Um ideal que ela queria realizar nos conventos que fundou; um ensinamento que hoje também é válido quando há "pequenas brigas" entre os conventos.

Como a Doutora da Igreja, vivemos em "tempos difíceis", tempos não fáceis, que precisam dos "amigos fiéis de Deus”, amigos fortes. A grande tentação é ceder à desilusão, à resignação, ao triste e infundado presságio de que tudo vai dar errado. O pessimismo estéril, o pessimismo de pessoas incapazes de dar vida. Um pessimismo que tranca as pessoas em seus refúgios. Por outro lado, a oração nos abre, nos permite provar que Deus é grande, que Ele está além do horizonte, que Deus é bom, que Ele nos ama e que a história não escapou de Suas mãos. Podemos caminhar por caminhos escuros (cf. Sl 23,4), não tenhais medo se o Senhor está convosco, Ele não cessa de caminhar ao nosso lado e de nos conduzir ao objetivo que todos desejamos: a vida eterna.

Fonte: Vatican News

Nota de Falecimento - Tarcisio Fagundes de Sousa

quarta-feira, 14 de abril de 2021


  Foi cumprida sua missão aqui nesta terra!


Um homem de bom coração, sempre de bem com a vida, na positividade, construtor de amizades, deixa pra nós um legado riquíssimo em valores de respeito, honestidade, paciência e tantos outros que não caberiam nesta pequena mensagem. 

Uma voz mansa, porém altiva, na proporção em que declamava os seus poemas que agora ecoam com ardência em nossos corações: 

" ... 

Não quero lágrimas  na despedida, 

Não quero fala, nem discurso, em vão,

Quando eu morrer será como um clarão

Que deixou a existência adormecida

..."

( soneto - QUANDO EU MORRER- Tarcisio Fagundes, livro Nas Ondas do Romantismo, p.56) 


Realmente, chefe amigo, você se foi e um clarão subiu aos céus como um cometa resplandecente...

Saudades...

Um abraço chefe amigo.


Abelardo, Fabyana e Maria Clara

O Papa: os santos nos lembram que a santidade pode florescer em nossas vidas

quarta-feira, 7 de abril de 2021

 


"O nome que nos é dado no Batismo não é uma etiqueta ou uma decoração! Geralmente é o nome da Virgem, uma santa ou um santo, que está esperando para "nos dar uma mão" na vida para obter de Deus as graças de que mais precisamos", disse Francisco na catequese da Audiência Geral.


Mariangela Jaguraba - Vatican News

"Rezar em comunhão com os santos" foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral, desta quarta-feira (07/04), realizada na Biblioteca do Palácio Apostólico.

"Quando rezamos, nunca o fazemos sozinhos: mesmo que não pensemos nisso, estamos imersos num rio majestoso de invocações que nos precede e continua depois de nós. Nas orações que encontramos na Bíblia, e que muitas vezes ressoam na liturgia, há um vestígio de histórias antigas, de libertações prodigiosas, de deportações e de tristes exílios, de retornos comoventes, de louvores que fluem diante das maravilhas da criação. Estas vozes são transmitidas de geração em geração, num entrelaçamento contínuo entre a experiência pessoal e a do povo e da humanidade a que pertencemos", frisou o Pontífice.

As orações, as boas, se difundem, como todos os bons, se propagam continuamente, com ou sem mensagens nas "redes sociais": das enfermarias dos hospitais, dos momentos de encontro festivo, assim como daqueles em que se sofre em silêncio. A dor de cada pessoa é a dor de todos, e a felicidade de um é transferida para a alma de outros. A dor e a felicidade! Uma história que se torna história na própria vida, se revive a história com as próprias palavras, mas a experiência é a mesma.

O santo recorda Jesus Cristo

"As orações renascem sempre: cada vez que juntamos as mãos e abrimos o coração a Deus, nos encontramos na companhia de santos anônimos e santos reconhecidos que rezam conosco, e que intercedem por nós, como irmãos e irmãs mais velhos que passaram por nossa mesma aventura humana", disse ainda o Papa.

"Na Igreja não há luto que permaneça solitário, não há lágrimas que sejam derramadas no esquecimento, porque tudo respira e participa de uma graça comum. Não é por acaso que nas igrejas antigas as sepulturas eram no jardim ao redor do edifício sagrado, como se dissesse que em cada Eucaristia a multidão dos que nos precederam participa de alguma forma. Há os nossos pais e os nossos avós, os padrinhos e madrinhas, os catequistas e outros educadores. Aquela fé transmitida que nós recebemos e que com ela nos foi transmitida a maneira de rezar, a oração", frisou o Pontífice, acrescentando:

Os santos ainda estão aqui, não muito longe de nós; e suas representações nas igrejas evocam aquela "nuvem de testemunhas" que sempre nos circunda. São testemunhas que não adoramos - claro, não adoramos estes santos, mas que veneramos e que de mil maneiras diferentes nos remetem a Jesus Cristo, o único Senhor e Mediador entre Deus e o homem. Um santo que não nos remete a Jesus Cristo, não é um santo e nem mesmo cristão. O santo recorda Jesus Cristo, pois ele percorreu o caminho de viver como cristão. Os santos nos lembram que mesmo em nossas vidas, embora frágeis e marcadas pelo pecado, a santidade pode florescer. De fato, até no último momento.Segundo Francisco, "não é por acaso que lemos nos Evangelhos que o primeiro santo canonizado foi um ladrão e não canonizado por um Papa, mas por Jesus. A santidade é um percurso de vida, de encontro com Jesus, seja longo ou breve, seja em um instante. Mas é sempre um testemunho. Um santo é uma testemunha, um homem, uma mulher que encontrou Jesus e que seguiu Jesus. Em Cristo existe uma misteriosa solidariedade entre aqueles que passaram para a outra vida e nós, peregrinos nesta: nossos queridos defuntos, do céu, continuam cuidando de nós. Eles rezam por nós e nós rezamos com eles. Nós rezamos por eles e rezamos com eles".

A oração muda o coração

Para o Papa, "este vínculo de oração entre nós e os santos, já o experimentamos aqui, na vida terrena: rezamos uns pelos outros, pedimos e oferecemos orações. A primeira maneira de rezar por alguém é falar com Deus sobre ele ou ela. Se fizermos isso frequentemente, todos os dias, nosso coração não se fecha, permanece aberto aos nossos irmãos e irmãs. Rezar pelos outros é a primeira maneira de amá-los, e isso nos impulsiona à proximidade concreta".

Mesmo em momentos de conflito, uma maneira de dissolver o conflito, de amenizá-lo, é rezar pela pessoa com quem estou em conflito. E algo muda com a oração. A primeira coisa que muda é o meu coração; é a minha atitude. O Senhor o muda para tornar possível um encontro, um novo encontro e evitar que o conflito se torne uma guerra sem fim.

"A primeira maneira de enfrentar um momento de angústia é pedir aos nossos irmãos e aos santos, sobretudo, que rezem por nós. O nome que nos é dado no Batismo não é uma etiqueta ou uma decoração! Geralmente é o nome da Virgem, uma santa ou um santo, que está esperando para "nos dar uma mão" na vida para obter de Deus as graças de que mais precisamos", concluiu o Papa, recordando que nós "sabemos que aqui na terra existem pessoas santas, homens e mulheres santos que vivem na santidade. Eles não sabem, nós também não sabemos, mas existem os santos, os santos de todos os dias, os santos escondidos ou, como eu gosto de dizer, os "santos da porta ao lado", aqueles que convivem conosco na vida, que trabalham conosco e levam uma vida de santidade".

Fonte: Vatican News

Papa: Em meio a guerras e pandemia, o Ressuscitado é a esperança

domingo, 4 de abril de 2021

 


Na mensagem Urbi et Orbi, a atenção do Papa Francisco se volta ao mundo marcado por conflitos e restrições impostas pelo coronavírus: “À luz do Ressuscitado, os nossos sofrimentos são transfigurados. Onde havia morte, agora há vida; onde havia luto, agora há consolação. Ao abraçar a Cruz, Jesus deu sentido aos nossos sofrimentos. Feliz Páscoa para todos!”

Bianca Fraccalvieri – Vatican News

Queridos irmãos e irmãs, feliz Páscoa! Hoje ressoa, em todas as partes do mundo, o anúncio da Igreja: «Jesus, o crucificado, ressuscitou, como tinha dito. Aleluia».

O Papa Francisco presidiu na Basílica Vaticana à Santa Missa de Páscoa, com uma limitada presença de fiéis devido às normas anti-Covid. E foi precisamente esta situação que conduziu a mensagem Urbi et orbi pronunciada em frente ao altar da Cátedra.

Vacinas, instrumentos essencial na luta contra a Covid

“A pandemia está ainda em pleno desenvolvimento; a crise social e econômica é muito pesada, especialmente para os mais pobres; apesar disso – e é escandaloso –, não cessam os conflitos armados e reforçam-se os arsenais militares”, disse o Pontífice

Nesta complexa realidade, o anúncio de Páscoa encerra em poucas palavras um acontecimento que dá a esperança: «O crucificado ressuscitou». E as chagas de Jesus “são a chancela perene do seu amor por nós”. Não se trata de uma miragem.

Cristo ressuscitado é esperança para quem sofre devido à pandemia, para os doentes e para quem perdeu um ente querido, para os desempregados, para os médicos e enfermeiros.

Um instrumento essencial nesta luta, disse o Papa, são as vacinas. Por isso, exorta toda a comunidade internacional a um empenho comum para superar os atrasos na distribuição das doses e facilitar a sua partilha, especialmente com os países mais pobres.

Os países sedentos de paz

Infelizmente, constatou o Pontífice, a pandemia elevou de maneira dramática o número dos pobres. E o pensamento e encorajamento do Papa foram ao povo haitiano, “a fim de não se deixar vencer pelas dificuldades, mas olhar para o futuro com confiança e esperança”.

Jesus ressuscitado é esperança também para tantos jovens sem ir à escola ou à universidade. “Todos precisamos de viver relações humanas reais e não apenas virtuais.”

De modo especial, o Papa manifestou sua solidariedade aos jovens de Mianmar, “que se empenham pela democracia”.

A mensagem pascal é dirigida também aos migrantes que fogem da guerra e da miséria. E Francisco agradeceu aos países que acolhem, como Jordânia e Líbano, que enfrenta inclusive um “período de dificuldades e incertezas”. O Papa citou ainda a Síria, o Iêmen, a Líbia, a Ucrânia, o Sahel e a Nigéria, bem como a região de Tigré e Cabo Delgado, em Moçambique.

“A Ressurreição leva-nos, naturalmente, a Jerusalém. Para ela imploramos do Senhor paz e segurança”, a fim de que israelenses e palestinos convivam lado a lado.

Francisco não poderia deixar de citar o Iraque, país que visitou um mês atrás e “pelo qual rezo a fim de continuar o caminho de pacificação”.

Vencer a mentalidade da guerra

“No mundo, há ainda demasiadas guerras, demasiada violência! O Senhor, que é a nossa paz, nos ajude a vencer a mentalidade da guerra”, foi o clamor do Papa.

O Santo Padre recordou ainda que neste 4 de abril, celebra-se o Dia Mundial contra as Minas Antipessoais: “Como seria melhor um mundo sem estes instrumentos de morte!”.

Por fim, um pensamento aos muitos cristãos que sequer podem ir às missas por causa da pandemia. “Rezemos para que tais limitações, bem como toda a limitação à liberdade de culto e religião no mundo, sejam removidas e cada um possa livremente rezar e louvar a Deus.”

A mensagem final do Papa foi de esperança:

“À luz do Ressuscitado, os nossos sofrimentos são transfigurados. Onde havia morte, agora há vida; onde havia luto, agora há consolação. Ao abraçar a Cruz, Jesus deu sentido aos nossos sofrimentos. Feliz Páscoa para todos!”

Fonte: Vatican News

Domingo de Páscoa - Missa na Paróquia Santa Júlia

 

Vigília Pascal - Santa Júlia

sábado, 3 de abril de 2021

 

A oração do Papa na Via-Sacra com e pelas crianças do mundo

sexta-feira, 2 de abril de 2021

 

A Via-Sacra de 2021 foi dedicada às crianças, que foram as protagonistas nos textos e na presença na Praça São Pedro.

Vatican News

As crianças e suas cruzes estiveram no centro da Via-Sacra presidida pelo Papa Francisco na noite desta Sexta-feira Santa, realizada pelo segundo ano consecutivo na Praça São Pedro, devido à pandemia.

Os autores mirins dos textos foram os mesmos que carregaram a cruz no cenário semideserto no Vaticano.

As 14 estações foram colocadas ao redor do obelisco e ao longo do caminho que leva ao adro da Basílica. Tochas no chão traçaram o percurso, formando uma grande cruz luminosa. A cada etapa do calvário, um desenho e uma oração, como esta: "Jesus, ajudai-nos a não abandonar as nossas orações quando sentimos o nosso coração pesado frente à pedra do vosso sepulcro".

Escoteiros, crismandos, crianças que vivem em “casas-família” refletiram angústias, ansiedades, preocupações a cada estação. Cenas corriqueiras da infância, como uma briga com a mãe, desentendimentos na escola, uma lição de casa mal sucedida foram colocados no papel. Também houve espaço para a chegada de um novo amigo migrante e a relação com os próprios limites e o desafio do amadurecimento. O dia a dia transformado pela pandemia e o luto foram externados. As experiências negativas deram espaço à solidariedade, à inclusão, à superação e à esperança.

Na oração final, o pedido dos adultos de que o Senhor “ajude-nos a nos tornar pequeninos, necessitados de tudo, abertos à vida”, reconquistando a pureza do olhar e do coração.

“Pedimos que o Senhor abençoe e proteja todas as crianças do mundo, para que possam crescer em idade, sabedoria e graça, a fim de conhecerem e seguirem o projeto bom que o Senhor pensou para cada uma delas.”

Ao final, o Pontífice saudou os pequenos, sendo rodeado por eles. 

Fonte: Vatican News

Celebração da Paixão - Paróquia Santa Júlia

 

Missa da Ceia do Senhor - Paróquia Santa Júlia

quinta-feira, 1 de abril de 2021

 

O Papa: a força da vitória de Cristo vence o mal e nos liberta do maligno

 


Abraçar a cruz "com Jesus e como Ele, nos permite discernir e repelir o veneno do escândalo com que o demônio procurará envenenar-nos quando chegar inesperadamente uma cruz na nossa vida", disse Francisco aos sacerdotes durante a Missa do Crisma, nesta Quinta-feira Santa.

Vatican News

O Papa Francisco presidiu a Missa do Crisma, com os sacerdotes de Roma, na Basílica de São Pedro, na manhã desta Quinta-feira Santa (01/04).

"No Evangelho, vemos uma mudança de sentimentos nas pessoas que escutavam o Senhor. É uma mudança dramática que nos mostra quão ligadas estão a perseguição e a cruz ao anúncio do Evangelho. Uma frase que alguém murmurou em voz baixa tornou-se insidiosamente «viral»: «Não é este o filho de José?»", disse o Pontífice em sua homilia.

Segundo o Papa, "trata-se de uma daquelas frases ambíguas que se dizem por dizer. Uma pessoa pode usá-la para exprimir alegria: «Que maravilha ver alguém de origens tão humildes falar com esta autoridade!» Mas outra pode usá-la com desdém: «E isto, donde lhe veio? Que pensa ser?» Se notarmos bem, o caso repete-se quando os Apóstolos, no dia de Pentecostes, cheios do Espírito Santo, começam a pregar o Evangelho. Alguém disse: «Esses que estão a falar, não são todos galileus?» E enquanto alguns acolheram a Palavra, outros os consideraram bêbados. Formalmente, parecia que se deixava em aberto uma escolha; mas, se considerarmos os frutos, naquele contexto concreto tais palavras continham um germe de violência que se desencadeou contra Jesus".

Como sempre faz, o Senhor não dialoga com o espírito maligno; responde apenas com a Sagrada Escritura. Nem mesmo os profetas Elias e Eliseu foram aceitos pelos seus compatriotas, mas foram-no por uma viúva fenícia e um sírio leproso: dois estrangeiros, duas pessoas doutra religião. Os fatos são contundentes e provocam o efeito que profetizara aquele idoso carismático, o Simeão: Jesus seria «sinal de contradição».

A luz suave da Palavra gera clareza nos corações bem-dispostos

"A palavra de Jesus tem o poder de trazer à luz aquilo que uma pessoa guarda no coração, sendo habitualmente uma mistura de coisas como o joio e o trigo. E isto provoca luta espiritual", sublinhou Francisco.

"A rapidez com que se desencadeou a fúria e a brutalidade do encarniçamento, capaz de matar o Senhor naquele preciso momento, nos mostra que é sempre a hora", disse o Papa aos sacerdotes, ressaltando que "andam juntas a hora do anúncio jubiloso e a hora da perseguição e da cruz". "A proclamação do Evangelho está sempre ligada ao abraço duma cruz concreta. A luz suave da Palavra gera clareza nos corações bem-dispostos, e confusão e rejeição naqueles que o não estão. Vemos isto constantemente no Evangelho", frisou o Papa.

A cruz não depende das circunstâncias

"Ora, a fim de «tirar algum proveito» para a nossa vida sacerdotal, que reflexão poderemos fazer ao contemplar esta presença precoce da cruz (da incompreensão, da rejeição, da perseguição) no início e no meio da pregação evangélica? Vêm-me à mente duas reflexões", disse ainda Francisco.

"A primeira: não nos deve maravilhar a constatação de estar presente a cruz na vida do Senhor no início de seu ministério, pois estava já antes do seu nascimento: já está presente no primeiro turbamento de Maria ao ouvir o anúncio do Anjo; está presente nas insónias de José, sentindo-se obrigado a abandonar a sua esposa prometida; está presente na perseguição de Herodes e nas agruras sofridas pela Sagrada Família, iguais às de tantas famílias que têm de exilar-se da sua pátria."

Esta realidade nos abre ao mistério da cruz experimentada antes. Faz-nos compreender que a cruz não é um fato indutivo, ocasional produzido por uma conjuntura na vida do Senhor. É verdade que todos os crucificadores da história fazem aparecer a cruz como um dano colateral, mas não é assim: a cruz não depende das circunstâncias.

Triunfo de Deus

"Por que o Senhor abraçou a cruz em toda a sua integridade? Por que Jesus abraçou a paixão inteira: abraçou a traição e o abandono dos seus amigos já desde a Última Ceia, aceitou a prisão ilegal, o julgamento sumário, a sentença desproporcionada, a malvadez sem motivo das bofetadas e cuspidelas? perguntou o Papa. "Se as circunstâncias determinassem o poder salvífico da cruz, o Senhor não teria abraçado tudo. Mas quando chegou a sua hora, abraçou a cruz inteira. Porque a cruz não tolera ambiguidade; com a cruz, não se regateia!", disse ele.

A segunda reflexão do Papa diz o seguinte: "É verdade que há algo na cruz que é parte integrante da nossa condição humana, com os seus limites e fragilidades. Mas é verdade também que, daquilo que acontece na cruz, há algo que não é inerente à nossa fragilidade, mas é a mordida da serpente que, vendo o Crucificado indefeso, morde-O e tenta envenenar e desacreditar toda a sua obra. Mordida, que procura escandalizar, está é uma época de escândalo! Mordida que procura imobilizar e tornar estéril e insignificante todo o serviço e sacrifício de amor pelos outros. É o veneno do maligno que continua a insistir: salva-te a ti mesmo. Nesta mordida, cruel e dolorosa, que pretende ser mortal, aparece finalmente o triunfo de Deus."

Cristo vence o mal e nos liberta do maligno

"Peçamos ao Senhor a graça de tirar proveito destes ensinamentos: é verdade que, no anúncio do Evangelho, há cruz; mas é uma cruz que salva. Pacificada com o Sangue de Jesus, é uma cruz com a força da vitória de Cristo que vence o mal e nos liberta do maligno. Abraçá-la com Jesus e como Ele, nos permite discernir e repelir o veneno do escândalo com que o demônio procurará envenenar-nos quando chegar inesperadamente uma cruz na nossa vida", frisou o Pontífice.

"Nós, porém, não somos daqueles que cedem, é o conselho que ele nos dá: Não nos escandalizamos, porque Jesus não Se escandalizou ao ver que o seu jubiloso anúncio de salvação aos pobres não ressoava puro, mas no meio dos gritos e ameaças de quem não queria ouvir a sua Palavra ou queriam reduzi-las a legalismos, moralismos, clericalismos e essas coisas", disse ainda o Santo Padre.

A graça do Senhor segundo à sua maneira divina

O Papa concluiu sua homilia, partilhando uma lembrança de momento muito escuro de sua vida. Eu pedia ao Senhor a graça de me libertar daquela situação dura e difícil. Uma vez, fui pregar o Retiro a algumas religiosas, que, no último dia – como era costume então –, se confessaram. Veio uma irmã muito idosa, com olhos límpidos, mesmo luminosos. Era uma mulher de Deus. No fim, senti vontade de lhe pedir que rezasse por mim, dizendo-lhe: «Irmã, como penitência reze por mim, porque preciso duma graça. Peça ao Senhor. Se for a Irmã a pedi-la, com certeza o Senhor me la dará». Ela parou um pouco, como se estivesse rezando, me olhou e depois me disse: «Certamente o Senhor lhe concederá a graça, mas não se engane: ele a dará segundo o seu modo divino». Isto fez-me muito bem: ouvir que o Senhor nos dá sempre o que lhe pedimos, mas o faz à sua maneira divina. Esta maneira envolve a cruz. Não por masoquismo, mas por amor, por amor até o fim".


Fonte: Vatican News


Cardeal na Missa da Ceia do Senhor: a Eucaristia é um apelo à abertura aos outros



 "Esta celebração eucarística, carregada de uma extraordinária intensidade de sentimentos e pensamentos, nos faz reviver a noite quando Cristo, rodeado pelos Apóstolos no Cenáculo, instituiu a Eucaristia e o sacerdócio e nos confiou o mandamento do amor fraterno", disse o purpurado em sua homilia.


Mariangela Jaguraba - Vatican News

O decano do Colégio Cardinalício, cardeal Giovanni Battista Re, celebrou a Missa da Ceia do Senhor, sem o tradicional rito do Lava-pés, na Basílica Vaticana, na tarde desta Quinta-feira Santa (01/04).

"Esta celebração eucarística, carregada de uma extraordinária intensidade de sentimentos e pensamentos, nos faz reviver a noite quando Cristo, rodeado pelos Apóstolos no Cenáculo, instituiu a Eucaristia e o sacerdócio e nos confiou o mandamento do amor fraterno", disse o purpurado em sua homilia.                  

"Amou-os até o fim". "Esta afirmação comovente significa que ele os amou até à sua morte na cruz no dia seguinte, na Sexta-feira Santa, mas também significa um amor ao extremo, ou seja, ao grau supremo e insuperável da capacidade de amar. A noite de Quinta-feira Santa nos lembra o quanto fomos amados; nos diz que o Filho de Deus, em seu afeto por nós, não nos deu algo, mas nos doou a si mesmo, seu Corpo e Sangue, ou seja, a totalidade de sua pessoa, e que, por nossa redenção, aceitou sofrer a mais ignominiosa morte, oferecendo-se como vítima", frisou o cardeal Re.

A Eucaristia é o centro e o coração da vida da Igreja

Segundo o decano do Colégio Cardinalício, "a existência da Eucaristia só se explica porque Cristo nos amou e quis estar perto de cada um de nós durante todos os séculos, até o fim do mundo. Somente um Deus poderia conceber um dom tão grande e somente um poder e um amor infinitos poderiam implementá-lo".

O purpurado recordou que "a Igreja sempre considerou o Sacramento da Eucaristia como o dom mais precioso com o qual ela foi enriquecida. É o dom pelo qual Cristo caminha conosco como luz, como força, como alimento, como apoio em todos os dias de nossa história".

A Eucaristia é o centro e o coração da vida da Igreja. Deve ser também o centro e o coração da vida de cada cristão. Quem acredita na Eucaristia nunca se sente sozinho na vida. Ele sabe que na penumbra e no silêncio de todas as igrejas existe Alguém que conhece o seu nome e a sua história, Aquele que o ama, que o espera e que o escuta de boa vontade. Diante do tabernáculo cada um pode confiar o que tem no coração e receber conforto, força e paz de coração.

"A Eucaristia é uma realidade não só para se acreditar, mas para ser vivida. A Eucaristia é um apelo à abertura aos outros, ao amor fraterno, a saber perdoar e ajudar os que estão em dificuldade. É um convite à solidariedade, ao apoio mútuo, a não abandonar ninguém. É um apelo a um compromisso ativo com os pobres, os sofredores, os marginalizados. É uma luz para reconhecer o rosto de Cristo no rosto de nossos irmãos e irmãs, especialmente das pessoas feridas e necessitadas", disse ainda o cardeal Re.

Instituição do sacerdócio católico

"O segundo mistério que recordamos esta noite é a instituição do sacerdócio católico", frisou o purpurado.

Cristo, o verdadeiro sacerdote, disse aos Apóstolos: "Façam isto", ou seja, o Sacramento da Eucaristia, "em memória de mim". Três dias depois, na noite de Domingo de Páscoa, ele também disse aos Apóstolos: "Recebam o Espírito Santo. Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados." Desta forma, Cristo irradiou poderes sacerdotais sobre os Apóstolos, para que a Eucaristia e o Sacramento do Perdão continuassem sendo renovados na Igreja. Ele deu à humanidade um presente incomparável.

Um pequeno vírus colocou o mundo inteiro de joelhos

A seguir, o cardeal Re lembrou que "nas Quintas-feiras Santas dos anos anteriores, depois da missa da Ceia do Senhor, era uma tradição arraigada, prolongar a adoração da Eucaristia durante toda a noite com várias iniciativas de oração de adoração e momentos de grande intensidade religiosa".

“A situação dramática criada pela Covid-19 e o risco de contágio infelizmente não nos permitem fazer isso este ano, como aconteceu no ano passado. Voltando para nossas casas, devemos continuar rezando com o pensamento e com o coração cheios de gratidão por Jesus Cristo, que quis permanecer presente entre nós como nosso contemporâneo sob os véus do pão e do vinho.”

Dele, que viveu na sua carne e na alma o sofrimento físico e a solidão queremos extrair a força de que precisamos, agora mais do que nunca, para enfrentar os grandes desafios desta pandemia que está causando milhares de vítimas todos os dias em todo o planeta. Experimentamos de uma forma universal como um pequeno vírus pode colocar o mundo inteiro de joelhos. Para que tenha fim esse drama, devemos recorrer a todos os meios humanos que a ciência coloca à nossa disposição, mas é necessário um passo a mais insubstituível: devemos elevar uma grande oração unânime para que a mão de Deus venha em nosso auxílio e ponha fim a esta situação trágica que tem consequências preocupantes nos campos da saúde, do trabalho, da economia, da educação e das relações diretas com as pessoas. 

Colocar um pouco de ordem na nossa vida

Em sua consideração final, o cardeal Re recordou que "a noite que vê a mais alta manifestação de amor e amizade por nós é também a noite da traição. Em torno da mesma mesa no Cenáculo, o amor de Deus e a traição do homem se confrontaram".

"A Quinta-feira Santa é também um convite a tomar consciência dos próprios pecados. É um apelo a colocarmos um pouco de ordem na nossa vida e iniciarmos o caminho do arrependimento e da renovação para obter o perdão de Deus", concluiu. 

Fonte: Vatican News

Na Via-Sacra cotidiana, Papa pede compaixão com os mais necessitados

segunda-feira, 29 de março de 2021

 


Papa recordou as dificuldades que persistem com a pandemia e convidou fiéis à compaixão com quem precisa

Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Ao final da Missa do Domingo de Ramos, o Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus. Em sua breve reflexão antes da oração, falou da difícil situação ainda com a pandemia e da necessidade de ajudar as pessoas que mais sofrem.

Francisco lembrou que, pela segunda vez, os fiéis vivem a Semana Santa em um contexto de pandemia. A crise econômica tornou-se pesada e nesta situação histórica e social, Deus toma a cruz.

“Jesus toma a cruz, isso é, assume o peso do mal que tal realidade comporta, mal físico, psicológico e sobretudo mal espiritual, porque o Maligno se aproveita da crise para semear desconfiança, desespero e discórdia”.

A Virgem Maria indica um caminho de ação para os fiéis, explicou o Papa. Ele lembrou que Maria foi a primeira discípula de Jesus e seguiu o seu Filho. Tomou para si a própria parcela de sofrimento, de escuridão e percorreu o caminho da paixão mantendo acesa no coração a lâmpada da fé.

“Com a graça de Deus, também nós podemos fazer este caminho. E, ao longo da Via-Sacra cotidiana, encontramos as faces de tantos irmãos e irmãs em dificuldade: não passemos adiante, deixemos que o coração se mova pela compaixão e nos aproximemos”.

O Papa destacou que, no momento, as pessoas podem fazer como o Cirineu e pensar “Por que logo eu?”. Mas depois descobrirão o presente que, sem seu mérito, lhes foi dado. “Que Nossa Senhora nos ajude, ela que sempre nos precede no caminho da fé”, concluiu.

Fonte: Canção Nova

Papa no Domingo de Ramos: Deus está conosco em cada ferida

domingo, 28 de março de 2021

 


Na Missa de Domingo de Ramos, Papa convidou fiéis a passarem da simples admiração por Jesus à surpresa, para uma real transformação de vida

Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Nesta Semana Santa, erguer o olhar para a cruz para receber a graça do assombro. Esse foi o convite do Papa Francisco ao presidir a Missa neste Domingo de Ramos, 28, na Basílica de São Pedro. A celebração teve participação limitada de fiéis em virtude da pandemia.

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Na homilia, Francisco destacou que todos os anos esta Liturgia suscita uma atitude de espanto, de surpresa. E explicou: passa-se da alegria de acolher Jesus que entra em Jerusalém à dor de vê-lo condenado à morte e crucificado.

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Jesus surpreende, lembrou o Papa. O povo o aguardava com solenidade, e Ele chegou em um jumento. O povo esperava para a Páscoa um libertador poderoso, e Ele vem cumprir a Páscoa com seu sacrifício. O povo esperava celebrar a vitória sobre os romanos com a espada, mas Jesus celebra a vitória de Deus com a cruz.

Admiração x surpresa

Primeiro, as pessoas entoaram o hosana para Jesus, mas depois gritam “crucifica-o”. Segundo o Papa, o que aconteceu foi que essas pessoas seguiam mais uma imagem de Messias, mas não o Messias. Elas admiravam Jesus, mas não estavam prontas para se deixar surpreender por Ele.

“A surpresa é diferente de admiração. A admiração pode ser mundana, porque busca os próprios gostos e as próprias expectativas; a surpresa, em vez disso, permanece aberta ao outro, à sua novidade”, disse o Papa.
Ele frisou que também hoje muitos admiram Jesus, mas sua vida não muda. “Porque admirar Jesus não basta. É preciso segui-Lo na vida, deixar-se interpelar por Ele: passar da admiração à surpresa”.

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O caminho da humilhação

O que mais surpreende no Senhor e em sua Páscoa é o fato de que alcançou a glória pelo caminho de humilhação, explicou Francisco. Surpreende ver o Onipotente reduzido a nada, frisou. E toda essa humilhação foi por amor aos homens.

“Fez isso por nós, para tocar até o fundo a nossa realidade humana, para atravessar toda a nossa existência, todo o nosso mal. Para aproximar-se a nós e não nos deixar sozinhos na dor e na morte. Para nos recuperar, para nos salvar. Jesus sobe à cruz para descer ao nosso sofrimento”.

Com tudo isso, agora a humanidade sabe que não está só, ressaltou o Papa. “Deus está conosco em cada ferida, em cada susto: nenhum mal, nenhum pecado tem a última palavra. Deus vence, mas a palma da vitória passa pelo madeiro da cruz. Por isso, os ramos e a cruz estão juntos.”.

Pedir a graça da surpresa

O Santo Padre frisou, por fim, a graça da surpresa. Sem ela, a vida cristã torna-se cinzenta. E se a fé perde o assombro, torna-se surda, não sente mais a maravilha da Graça, não sente mais o gosto do Pão de vida e da Palavra, não percebe mais a beleza dos irmãos e o dom da criação.

“No Crucificado, vemos Deus humilhado, o Onipotente reduzido a um descartado. E, com a graça do assombro, compreendemos que, acolhendo quem é descartado, aproximando-nos de quem é humilhado pela vida, amamos Jesus: porque Ele está nos últimos, nos rejeitados”.

Concluindo a homilia, o Papa mencionou a cena do centurião, que vendo Jesus expirar reconheceu que Ele realmente era Filho de Deus. “Hoje, Deus ainda surpreende a nossa mente e o nosso coração. Deixemos que este assombro nos impregne, olhemos para o Crucificado e digamos também nós: ‘Tu és verdadeiramente Filho de Deus. Tu és o meu Deus’.”

Fonte: Canção Nova

Recordações de uma oração que uniu o mundo

sábado, 27 de março de 2021


 O livro da LEV "Por que tendes medo? Ainda não tendes fé?", realizado pelo Dicastério para a Comunicação, mostra imagens da oração do Papa na Statio Orbis de 27 de março, um ano atrás. Nas páginas do livro, Francisco retorna aos pensamentos e sentimentos daquela noite em conversa com o secretário do Dicastério, padre Lucio Adrian Ruiz

No L'Osservatore Romano o cardeal José Tolentino de Mendonça, arquivista e bibliotecário da Santa Igreja Romana, investiga os profundos significados da já icônica oração do Papa no início da pandemia, em 27 de março de 2020: em um tempo de distância Francisco teve a grande sabedoria de abraçar o vazio em vez de repudiá-lo.

Por José Tolentino de Mendonça

É bem sabido que vivemos na era da massificação das imagens. Em nenhuma época precedente da história foram produzidas tantas imagens, e além disso nenhuma outra, como a nossa, testemunhou sua radical banalização. Em vez de imagens únicas e autênticas, temos produtos produzidos em série, selfie fabricados em um instante e prontos para serem devorados pelo esquecimento. O filósofo Walter Benjamin falou corretamente da "perda da aura", o que significa que a imagem deixa de constituir "a aparição única de uma coisa distante" e se fixa na repetição sonâmbula de um déjà vu. É por isso que o consenso comovido em torno da imagem do Papa Francisco em uma Praça São Pedro vazia é algo que faz pensar, fora e dentro do espaço eclesiástico.

Um ano depois, vale a pena revisitar essa imagem, que na realidade nunca deixou de estar presente, e nos perguntarmos de onde vem seu excepcional poder icônico. Por que aquela imagem permaneceu a representar o que estamos ainda vivenciando e não qualquer outra? E o que nos revela sobre si mesmo ou nos ensina sobre nós mesmos? Tentando resumir o que certamente mereceria uma reflexão mais ampla, eu indicaria quatro razões.

A audácia de habitar a vulnerabilidade como um lugar de experiência humana e de crente. É verdade que a cultura dominante, o mainstream modelado como um automatismo por nossas sociedades de consumo, fez da vulnerabilidade uma espécie de tabu. A fragilidade está sujeita à ocultação.

A audácia de abraçar e dar novamente significado ao vazio. Uma das experiências mais impactantes do confinamento foi, no início da pandemia, testemunhar o esvaziamento das cidades. De um momento para o outro, houve um estranho e desconhecido silêncio. Incrédulos, olhamos pelas janelas para as ruas e praças em absoluta solidão, sentindo-nos como se tivéssemos sido despojados do mundo. Nossa primeira reação foi a de ler o vazio como algo hostil que nos ameaçava.

A audácia de encontrar uma metáfora. Comentando o texto evangélico de Mc 4,35-41, o Papa Francisco fez um gesto de grande alcance: reorientou a percepção com respeito à pandemia. Os primeiros chefes de Estado a falar haviam se referido à pandemia como uma guerra, uma metáfora compreensível até certo ponto, mas muito equívoca e com tantos perigos à espreita. O Papa foi o primeiro a falar sobre isso como uma tempestade. Esta passagem do plano estreito e beligerante para o plano cosmológico coincidiu com uma ampliação da visão.

A audácia de rezar a Deus no silêncio de Deus. As tempestades são experiências de crise mesmo para os crentes. Há um escândalo implícito no grito dos discípulos que tentam despertar Jesus: " “Mestre, não te importas que morramos?” (Mc 4:38). Como o Papa explica, esta "é uma frase que fere e desencadeia tempestades no coração". Diante da disseminação do mal e de sua proximidade traumática, sentimos com sofrimento o que parece ser o silêncio incompreensível de Deus.

Padre Lucio Adrian Ruiz

O Papa terminou há pouco uma de suas audiências da quarta-feira.

Recolhe-se em silêncio e olha as imagens de 27 de março revivendo o que aconteceu naquela sexta-feira da Quaresma. Recordar as etapas da Statio Orbis celebrada na Praça de São Pedro vazia, na chuva, com as orações interrompidas pelo som das sirenes, para ele é uma experiência que vai além da simples recordação. Em seu rosto, reaparece a atitude de oração.

Perguntamos-lhe o que sentiu ao caminhar em silêncio até o adro da Basílica:

«Caminhava assim, sozinho, pensando na solidão de tantas pessoas...

um pensamento inclusivo, um pensamento com a cabeça e com o coração, juntos...

Sentia tudo isso e caminhava...».

O mundo olhava para o Bispo de Roma, e rezava com ele, em silêncio.

Olhava para o Papa como intercessor entre Deus e nós, seu povo. E a Francisco, perguntamos,

o que disse a Deus naqueles momentos:

«Tu conheces isso, já em 1500 resolveste uma situação como essa, “meté mano”. (1)

Esta expressão “meté mano” é muito minha. Muitas vezes em oração eu digo:

"Põe tua mão nisso, por favor!”».

(1) "Meté mano", em espanhol: expressão coloquial, informal e familiar, muito usada na Argentina, especialmente em Buenos Aires.

Os olhos do Papa detêm-se na Praça São Pedro vazia.

Perguntamos o que pensava naquele momento, o que pensava sobre o povo e o sofrimento de tantas pessoas:

«Duas coisas me vieram à mente: a praça vazia, as pessoas unidas à distância,

... e deste lado, o barco dos migrantes, aquele monumento...

E estamos todos no barco, e neste barco não sabemos quantos poderão desembarcar... Todo um drama diante do barco, a peste, a solidão... em silêncio...».

O barco é mencionado no Evangelho de Marcos que foi lido naquela noite. E está presente na Praça, representado no monumento que recorda os migrantes. É por isso que de vez em quando, o olhar do Bispo de Roma dirigia-se para a colunata direita, para aquele monumento difícil de distinguir na escuridão.

«O barco!...», repete quase sussurrando o Papa.

Perguntamos em quem ele pensava em particular naqueles momentos, quem considerava mais necessitado,

quem confiava ao Senhor em oração. Responde mais uma vez em voz baixa:

«Tudo estava unido: o povo, o barco e a dor de todos...».

O que sustentou o Papa?

O que lhe deu força e esperança naquele momento tão intenso e dramático?

Francisco permanece em silêncio por alguns momentos, olhando para esta foto:

«Beijar os pés do Crucificado sempre dá esperança.

Ele sabe o que significa caminhar, e sabe o que é a quarentena porque foram-lhe colocados dois pregos ali para mantê-lo firme. Os pés de Jesus são uma bússola na vida das pessoas, quando caminham e quando estão paradas. Os pés do Senhor me tocam muito...».

As imagens fluem lentamente.

Eis a que o mostra usando vestes litúrgicas no adro da Basílica. No chão há uma grande inscrição, 11 de outubro de 1962. Chamamos sua atenção para a data. Exclama imediatamente:

«Era o início do Concílio!».

Acrescentamos à lembrança a citação do famoso "Discurso à Lua" de João XXIII que apareceu inesperadamente da janela de seu escritório para abençoar a grande multidão de fiéis que seguravam suas velas e disse: "Levem a carícia do Papa aos seus filhos". (2)

Francisco escuta em silêncio...

«Naquele momento não tinha notado…».

É uma coincidência... quase como se quisesse dizer que uma nova carícia do Papa deve ser levada para casa, em todas as casas, no sofrimento e na solidão das famílias isoladas, nos corredores dos hospitais onde os doentes escalavam seu Calvário sem a proximidade e o conforto de seus entes queridos.

«Sim, sim…».

(2) “Voltando para casa vocês encontrarão as crianças. Deem a elas um carinho e digam: «Este é o carinho do Papa». Talvez as encontreis com alguma lágrima por enxugar. Tende uma palavra de consolo: o Papa está conosco especialmente nas horas de tristeza e amargura”. (São João XXIII)

Pedimos para retomar o fluxo de lembranças,

para refletir sobre aqueles momentos diante das imagens que os retratam.

«Eu estava em oração diante do Senhor...ali...

Uma oração de intercessão diante de Deus...».

Impressiona a ausência de pessoas na praça desoladamente vazia.

Tão diferente de todas as outras vezes, de todas as outras celebrações. Mas o Papa percebia a presença dos fiéis, dos crentes e dos não-crentes? Sentia que naquele momento muitas pessoas estavam conectadas ao Sucessor de Pedro e entre eles através da mídia?

«Eu estava em contato com as pessoas. Não estava sozinho em nenhum momento...».

Mas sobre a Praça vazia, acrescenta:

«… era muito impressionante».

Statio Orbis tão despida, desprovida de tudo.

Desprovida da participação do povo de Deus. Mas com algumas presenças significativas.

Perguntamos-lhe como a vivenciou:

«Bem. A Virgem estava lá...

Eu que pedi que a Virgem estivesse lá, a Salus Populi romani, queria que estivesse lá...

E o Cristo... o Cristo Milagroso...».

Foi dito e escrito que o evento de 27 de março está destinado a permanecer na história e na memória de todos.

O Papa fecha o livro de recordações e conclui:

«Eu não sei...

Foi uma coisa original.

Tudo começou com um pobre capelão de uma prisão...».

Fonte: Vatican News

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