Você sabe quanta riqueza existe no 1º mandamento da Lei de Deus?

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Viva, todos os dias, o 1º mandamento da Lei de Deus

Semana passada, iniciamos a fase final de nossa série de textos voltados para o “Sacramento da Confissão”, tratando do primeiro mandamento da Lei de Deus. A sua profundidade nos obriga a esmiuçá-lo um pouco mais. Quanta riqueza nele! Como um quebra-cabeça, podemos juntar todas as peças que lançamos durante todos esses meses.
Leia o texto da semana passada, pois, como já fizemos outras vezes nesta série, este está estritamente ligado àquele.
Você sabe quanta riqueza existe no 1º mandamento da Lei de Deus
Foto Ilustrativa: LoveTheWind by Getty Images

A busca pelo conhecimento teológico

A finalidade dos estudos sobre a moral cristã é nos ajudar, em primeiro lugar, a evitar os pecados graves. Em um segundo sentido, desenvolver em nós a virtude da prudência, que nos ajuda a agir sabiamente. Passamos a organizar a vida da gente para o nosso fim: o encontro pessoal e definitivo com Nosso Senhor. Também não estamos dispensados de procurar conhecimento teológico, como já comentamos.
Para amar a Deus acima de todas as coisas, nós precisamos do desenvolvimento das três virtudes teologais: fé, esperança e caridade.
Precisamos juntar a fé e a caridade para termos uma vida unida a Deus. Sim, Ele nos criou, mas o pecado que cometemos nos afasta d’Ele. Quando iniciamos uma vida séria de conversão, evitando a todo custo os pecados graves, buscando a confissão sacramental, a Eucaristia e uma vida de oração, com o tempo, brota uma esperança crescente dessa união a Ele. Aqui está a virtude da esperança! Ela que nos apressa, junto com a prudência, a fazer de tudo para unir a fé com a caridade.
Quando temos a certeza de que Ele recompensa aos que o procuram, isso já é o fundamento da esperança. Se o procurar, Ele vai recompensar. São duas coisas necessárias para agradar a Deus.
A fé e a esperança estão dentro do fundamento do amor.

O que seria um pecado contra a fé?

Seria não acreditar nos mistérios que Deus nos revela quando elas já estão suficientemente reveladas a nós, por meio da Sua graça.
Para crer é preciso uma ajuda da graça de Deus. E Deus dá a graça de crer a todas as pessoas. Se Ele nunca tivesse dado, nunca poderíamos ser condenados pela falta de fé. Não haveria culpa em não crer.
O fato de ter crido, ao menos uma vez, já nos prova que temos a graça de crer. Crer nas coisas que a Igreja nos diz para crermos: os sacramentos, os dogmas, a Sagrada Escritura, a existência do céu e do inferno, da presença real de Cristo na Eucaristia, da interpretação da Igreja das Sagradas Escrituras, a indissolubilidade do matrimônio, que a Igreja tem o poder de ligar e desligar.
Aquele que nunca teve contato nenhum com a revelação, de modo que se tornasse impossível crer pelo simples fato de não conhecer absolutamente nada, nesse não está o pecado contra o primeiro mandamento. Ao passo que uma pessoa que tenha tido contato suficiente das coisas da fé e não acreditou, esse está incorrendo em pecado grave.
O extremo oposto também é preciso considerar. Não é preciso que a pessoa tenha acesso a todos os conteúdos filosóficos, teológicos, epistemológicos, para assim começar a crer. Deus já fez a Sua parte, dando a graça à pessoa. É excelente estudar, mas a fé não precisa de que se conheça absolutamente tudo, ponto por ponto, para se passar a acreditar.
Se o católico acredita em algumas coisas e outras não, esse precisa se rever, estudar seriamente para não viver sua fé mais ou menos.  Negar os mistérios da fé, com suficiente revelação interna e externa, é pecado grave. Ensinar o erro é mais grave ainda.

O que seria um pecado contra a esperança?

A esperança é aquela certeza e expectativa de que poderemos alcançar santidade e a salvação eterna se entrarmos na aliança com Deus. Aderindo ao Senhor, fazendo nossa parte, teremos a possibilidade de chegar no céu. Se a pessoa corresponder à graça de Deus, com certeza ela chegará lá!
São pecados contra a esperança seus excessos ou sua falta.
Por excesso, seria ter uma certeza absoluta da própria salvação, mesmo descuidando de observar e viver os mandamentos. Seria errado também, viver todos os mandamentos menos um e ter certeza mesmo assim da salvação. Seria uma deturpação dos ensinamentos sobre a Misericórdia Divina.
Excesso também seria achar que vai se salvar sem ter méritos ou não querendo se arrepender de alguns pecados, mesmo sabendo que são graves. Seria presunção.
O oposto seria a falta da esperança, sentir-se 100% perdido e jogar a toalha, condenar-se ao inferno e não querer mais se aproximar de Deus. Tudo isso seria ir contra a Misericórdia Divina. Um exemplo é um filho achar que é tão ruim para seus próprios pais, que prefere se matar para deixar de dar trabalho a ele. Isso chega até a causar uma doença de loucura aos pais.
Isso é semelhante ao pecado da desesperança. Condenar-se e deixar de viver uma vida de busca de Deus.
Também é pecado deixar de crer no amor de Deus. Jamais podemos desesperar da própria salvação. “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito e de todas as tuas forças” (Mc 12,30).

Quais pecados são contra a caridade?

São pecados contra a virtude da caridade ter ódio das coisas divinas e realizar práticas de superstição, certos procedimentos que não têm relação nenhuma de causa e efeito para aquilo que se quer conquistar, e ainda insistir na coisa. Assim como às práticas adivinhatórias.
Por exemplo, se há tem um mapa meteorológico, com dados pesquisáveis e comprovados, capazes de prever as condições de clima, isso não se trata de uma prática adivinhatória. Tanto como prever a situação clínica de um doente após a administração de remédios. Essas são situações que tem relação entre causa e efeito.
Aparentemente, essas coisas não teriam ligação com o primeiro mandamento, mas Santo Tomás explica que as práticas adivinhatórias tem relação com maus espíritos. Estar em contato com eles é renegar a Deus e preferi-los. Deus abomina esse tipo de prática, inclusive isso está claro nas Sagradas Escrituras: “Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, nem quem se dê à adivinhação, à astrologia, aos agouros, ao feiticismo…” (Dt 18,10);  “fizeram passar pelo fogo seus filhos e filhas, entregaram-se à adivinhação, à bruxaria; enfim, abandonaram-se inteiramente a tudo o que desagradava ao Senhor, irritando-o” (II Reis 17,17); “A adivinhação do erro, os augúrios mentirosos e os sonhos dos maus, tudo isso não passa de vaidade” (Eclo 34,5).
Encerramos, então, nossa fase de textos que se referem aos mandamentos da Lei de Deus. Semana que vem, vamos falar sobre os mandamentos da Igreja.

Fonte: Canção Nova

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