Recordações de uma oração que uniu o mundo

sábado, 27 de março de 2021


 O livro da LEV "Por que tendes medo? Ainda não tendes fé?", realizado pelo Dicastério para a Comunicação, mostra imagens da oração do Papa na Statio Orbis de 27 de março, um ano atrás. Nas páginas do livro, Francisco retorna aos pensamentos e sentimentos daquela noite em conversa com o secretário do Dicastério, padre Lucio Adrian Ruiz

No L'Osservatore Romano o cardeal José Tolentino de Mendonça, arquivista e bibliotecário da Santa Igreja Romana, investiga os profundos significados da já icônica oração do Papa no início da pandemia, em 27 de março de 2020: em um tempo de distância Francisco teve a grande sabedoria de abraçar o vazio em vez de repudiá-lo.

Por José Tolentino de Mendonça

É bem sabido que vivemos na era da massificação das imagens. Em nenhuma época precedente da história foram produzidas tantas imagens, e além disso nenhuma outra, como a nossa, testemunhou sua radical banalização. Em vez de imagens únicas e autênticas, temos produtos produzidos em série, selfie fabricados em um instante e prontos para serem devorados pelo esquecimento. O filósofo Walter Benjamin falou corretamente da "perda da aura", o que significa que a imagem deixa de constituir "a aparição única de uma coisa distante" e se fixa na repetição sonâmbula de um déjà vu. É por isso que o consenso comovido em torno da imagem do Papa Francisco em uma Praça São Pedro vazia é algo que faz pensar, fora e dentro do espaço eclesiástico.

Um ano depois, vale a pena revisitar essa imagem, que na realidade nunca deixou de estar presente, e nos perguntarmos de onde vem seu excepcional poder icônico. Por que aquela imagem permaneceu a representar o que estamos ainda vivenciando e não qualquer outra? E o que nos revela sobre si mesmo ou nos ensina sobre nós mesmos? Tentando resumir o que certamente mereceria uma reflexão mais ampla, eu indicaria quatro razões.

A audácia de habitar a vulnerabilidade como um lugar de experiência humana e de crente. É verdade que a cultura dominante, o mainstream modelado como um automatismo por nossas sociedades de consumo, fez da vulnerabilidade uma espécie de tabu. A fragilidade está sujeita à ocultação.

A audácia de abraçar e dar novamente significado ao vazio. Uma das experiências mais impactantes do confinamento foi, no início da pandemia, testemunhar o esvaziamento das cidades. De um momento para o outro, houve um estranho e desconhecido silêncio. Incrédulos, olhamos pelas janelas para as ruas e praças em absoluta solidão, sentindo-nos como se tivéssemos sido despojados do mundo. Nossa primeira reação foi a de ler o vazio como algo hostil que nos ameaçava.

A audácia de encontrar uma metáfora. Comentando o texto evangélico de Mc 4,35-41, o Papa Francisco fez um gesto de grande alcance: reorientou a percepção com respeito à pandemia. Os primeiros chefes de Estado a falar haviam se referido à pandemia como uma guerra, uma metáfora compreensível até certo ponto, mas muito equívoca e com tantos perigos à espreita. O Papa foi o primeiro a falar sobre isso como uma tempestade. Esta passagem do plano estreito e beligerante para o plano cosmológico coincidiu com uma ampliação da visão.

A audácia de rezar a Deus no silêncio de Deus. As tempestades são experiências de crise mesmo para os crentes. Há um escândalo implícito no grito dos discípulos que tentam despertar Jesus: " “Mestre, não te importas que morramos?” (Mc 4:38). Como o Papa explica, esta "é uma frase que fere e desencadeia tempestades no coração". Diante da disseminação do mal e de sua proximidade traumática, sentimos com sofrimento o que parece ser o silêncio incompreensível de Deus.

Padre Lucio Adrian Ruiz

O Papa terminou há pouco uma de suas audiências da quarta-feira.

Recolhe-se em silêncio e olha as imagens de 27 de março revivendo o que aconteceu naquela sexta-feira da Quaresma. Recordar as etapas da Statio Orbis celebrada na Praça de São Pedro vazia, na chuva, com as orações interrompidas pelo som das sirenes, para ele é uma experiência que vai além da simples recordação. Em seu rosto, reaparece a atitude de oração.

Perguntamos-lhe o que sentiu ao caminhar em silêncio até o adro da Basílica:

«Caminhava assim, sozinho, pensando na solidão de tantas pessoas...

um pensamento inclusivo, um pensamento com a cabeça e com o coração, juntos...

Sentia tudo isso e caminhava...».

O mundo olhava para o Bispo de Roma, e rezava com ele, em silêncio.

Olhava para o Papa como intercessor entre Deus e nós, seu povo. E a Francisco, perguntamos,

o que disse a Deus naqueles momentos:

«Tu conheces isso, já em 1500 resolveste uma situação como essa, “meté mano”. (1)

Esta expressão “meté mano” é muito minha. Muitas vezes em oração eu digo:

"Põe tua mão nisso, por favor!”».

(1) "Meté mano", em espanhol: expressão coloquial, informal e familiar, muito usada na Argentina, especialmente em Buenos Aires.

Os olhos do Papa detêm-se na Praça São Pedro vazia.

Perguntamos o que pensava naquele momento, o que pensava sobre o povo e o sofrimento de tantas pessoas:

«Duas coisas me vieram à mente: a praça vazia, as pessoas unidas à distância,

... e deste lado, o barco dos migrantes, aquele monumento...

E estamos todos no barco, e neste barco não sabemos quantos poderão desembarcar... Todo um drama diante do barco, a peste, a solidão... em silêncio...».

O barco é mencionado no Evangelho de Marcos que foi lido naquela noite. E está presente na Praça, representado no monumento que recorda os migrantes. É por isso que de vez em quando, o olhar do Bispo de Roma dirigia-se para a colunata direita, para aquele monumento difícil de distinguir na escuridão.

«O barco!...», repete quase sussurrando o Papa.

Perguntamos em quem ele pensava em particular naqueles momentos, quem considerava mais necessitado,

quem confiava ao Senhor em oração. Responde mais uma vez em voz baixa:

«Tudo estava unido: o povo, o barco e a dor de todos...».

O que sustentou o Papa?

O que lhe deu força e esperança naquele momento tão intenso e dramático?

Francisco permanece em silêncio por alguns momentos, olhando para esta foto:

«Beijar os pés do Crucificado sempre dá esperança.

Ele sabe o que significa caminhar, e sabe o que é a quarentena porque foram-lhe colocados dois pregos ali para mantê-lo firme. Os pés de Jesus são uma bússola na vida das pessoas, quando caminham e quando estão paradas. Os pés do Senhor me tocam muito...».

As imagens fluem lentamente.

Eis a que o mostra usando vestes litúrgicas no adro da Basílica. No chão há uma grande inscrição, 11 de outubro de 1962. Chamamos sua atenção para a data. Exclama imediatamente:

«Era o início do Concílio!».

Acrescentamos à lembrança a citação do famoso "Discurso à Lua" de João XXIII que apareceu inesperadamente da janela de seu escritório para abençoar a grande multidão de fiéis que seguravam suas velas e disse: "Levem a carícia do Papa aos seus filhos". (2)

Francisco escuta em silêncio...

«Naquele momento não tinha notado…».

É uma coincidência... quase como se quisesse dizer que uma nova carícia do Papa deve ser levada para casa, em todas as casas, no sofrimento e na solidão das famílias isoladas, nos corredores dos hospitais onde os doentes escalavam seu Calvário sem a proximidade e o conforto de seus entes queridos.

«Sim, sim…».

(2) “Voltando para casa vocês encontrarão as crianças. Deem a elas um carinho e digam: «Este é o carinho do Papa». Talvez as encontreis com alguma lágrima por enxugar. Tende uma palavra de consolo: o Papa está conosco especialmente nas horas de tristeza e amargura”. (São João XXIII)

Pedimos para retomar o fluxo de lembranças,

para refletir sobre aqueles momentos diante das imagens que os retratam.

«Eu estava em oração diante do Senhor...ali...

Uma oração de intercessão diante de Deus...».

Impressiona a ausência de pessoas na praça desoladamente vazia.

Tão diferente de todas as outras vezes, de todas as outras celebrações. Mas o Papa percebia a presença dos fiéis, dos crentes e dos não-crentes? Sentia que naquele momento muitas pessoas estavam conectadas ao Sucessor de Pedro e entre eles através da mídia?

«Eu estava em contato com as pessoas. Não estava sozinho em nenhum momento...».

Mas sobre a Praça vazia, acrescenta:

«… era muito impressionante».

Statio Orbis tão despida, desprovida de tudo.

Desprovida da participação do povo de Deus. Mas com algumas presenças significativas.

Perguntamos-lhe como a vivenciou:

«Bem. A Virgem estava lá...

Eu que pedi que a Virgem estivesse lá, a Salus Populi romani, queria que estivesse lá...

E o Cristo... o Cristo Milagroso...».

Foi dito e escrito que o evento de 27 de março está destinado a permanecer na história e na memória de todos.

O Papa fecha o livro de recordações e conclui:

«Eu não sei...

Foi uma coisa original.

Tudo começou com um pobre capelão de uma prisão...».

Fonte: Vatican News

24 HORAS PARA O SENHOR 2021

sexta-feira, 26 de março de 2021

 


24 HORAS PARA O SENHOR 2021
TEMA: “Ele perdoa todos os teus pecados” (Sl 103, 3)
Este é o tema escolhido pelo Papa Francisco para o 24h para o Senhor, momento vivido por toda a Igreja a convite do Santo Padre no período da Quaresma. Devido à pandemia, o encontro será totalmente virtual iniciando às 12h deste dia 26 e se estende até às 12h do dia 27.
Acompanhe a programação das 24h para o Senhor pelos meios de comunicação da Arquidiocese da Paraíba, pelas redes sociais de todas as Novas Comunidades, e também através da Rádio Consolação FM:
Enfim muitos são os modos de participar destas 24 horas para o Senhor junto com o Papa Francisco.
________________________ INSCREVA-SE E COMPARTILHE EM SUAS REDES SOCIAIS!


04 Anos da Páscoa de Dom Marcelo Pinto Carvalheira

quinta-feira, 25 de março de 2021

 


Dom Marcelo fez história durante os 9 anos de pastoreio em nossa Arquidiocese (1995 - 2004). Benedetino, nascido em Recife, dedicou sua vida à Igreja e hoje descansa na morada eterna.

São 4 anos de sua partida e nós não cansamos de louvar e agradecer a Deus pela vida desse nosso bom pastor.

#dommarcelo #arquipb #arcebispo

Anunciação do Senhor: o sim que salvou a humanidade

 Hoje, celebramos a solenidade da anunciação do Senhor. Fazemos memória daquele grande e maravilhoso acontecimento no qual o anjo Gabriel, enviado por Deus a Virgem Maria, apresenta a ela todo o plano divino a seu respeito. Maria, com humildade, dá o seu consentimento ao plano da salvação e torna-se assim uma colaboradora no mistério da redenção.

Nazaré quer dizer flor da Galileia, ou seja, a essa flor Deus envia Seu anjo. Desde do primeiro instante de sua existência, Maria foi preservada de todo pecado em vista dos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela, diante do anúncio do anjo, não se envaidece nem questiona, mas, com toda humildade, reconhece o seu nada e se denomina simplesmente a serva do Senhor, e assim crê. Em Maria cumprem-se as profecias esperadas por Israel. O ‘sim’ dela é para nós motivo de alegria e júbilo, pois é através de seu consentimento que o Verbo de Deus vem a este mundo para salvar-nos e devolver-nos a dignidade que havíamos perdido. Como afirmam os padres latinos, antes de gerar Deus no seu ventre, ele já O carregava no coração. Ele já vivia dentro dela. Maria, antes de gerar Cristo no ventre, gerou-O no seu coração, pois o coração de Maria é cheio da Palavra.

Anunciação do Senhor: o sim que salvou a humanidade

Imagem ilustrativa.

O ‘sim’ de Maria diante da anunciação do Senhor

Do ‘sim’ da jovem filha de Sião nascem todos os outros sins. Como nos diz Santo Efrém, Maria, a “Nova Eva”, trouxe-nos um fruto de vida, comemos da árvore desse fruto e não morremos, mas, ao contrário, vivemos. Cristo, o Verbo de Deus, o fruto de Maria, por obra do Espírito Santo, encarna-se e vem fazer-se morada em meio a nós; o verdadeiro Fruto alimenta-nos e dá-nos a vida.

Fico, muitas vezes, pensando no ‘sim’ de Maria, o qual foi dado na liberdade, e cujo consentimento foi respeitado por Deus. Ele nada impôs, ao contrário, esperou o seu consentimento. Como dizia o grande Abade de Claraval, São Bernardo, “O céu esperava o ‘sim’ de Maria – os anjos, os homens, todos nós esperávamos por ele”. O ‘sim’ de Maria trouxe-nos a salvação.

A encarnação do Verbo é um grande e maravilhoso acontecimento, pois Deus vem nos amar mais de perto, faz-se gente, faz-se homem, faz-se amor. Ao encarnar-se, Deus vem amar o ser humano mais de perto, assumindo a nossa carne. Cristo é, sem dúvida, a mais linda carta de amor de Deus. São João da Cruz, em seus poemas, diz: “Três fizeram a obra, mas um só se faria. Que Aquele que só tinha Pai, agora já mãe também teria, e o Verbo faz-se carne nas entranhas de Maria”. É nessas santas entranhas que Deus vem habitar. Aquele que o Céu não pôde conter a jovem filha de Nazaré agora O carrega e O alimentará. Do ‘sim’ de Maria vem o Verbo, gerado por obra do Espírito Santo no silêncio e no cotidiano de Nazaré. É nos corações simples que Deus realiza Suas maravilhas.

São Bernardo, no sermão sobre a Solenidade da Anunciação, diz-nos que Deus, ao olhar para Maria, encantou-se com a sua humildade. Deus, ao olhar para Sua criatura, enamora-se com tamanha humildade. Antes de qualquer coisa, o que encanta Deus é a humildade de Maria. Diante do anúncio do Anjo Gabriel, ela pergunta como “se dará tudo”, mas, acima de tudo, Ela confia, abandona-se, e o consentimento meio que medroso fortifica-se; sem dúvida alguma, foi um ‘sim’ à vontade do Pai, fiel até o fim, até a cruz.

Ensina-me, Maria, a responder o meu ‘sim’ a Deus. A vida de Nossa Senhora foi um eterno ‘sim’ ao plano redentor do Pai.

Em Maria contemplamos a imagem da mulher perfeita, como nos ensina os Santos Padres, o “Typus” da Igreja, ou seja, Maria é para nós o modelo por excelência da Igreja e nosso modelo. Em Maria não vemos apenas o modelo a ser imitado, mas nela encontramos a própria Igreja, pois ela é figura da Igreja, ou seja, aquilo que a Igreja deve ser. Neste dia, olhar para a a provação da jovem de Nazaré é contemplar tão grande mistério que trouxe salvação e vida a toda Terra.

Todo consentimento dado a Deus porta também lágrimas, dores, mortes, mas, acima de tudo, ressurreição. Toda a vida de Maria foi um caminhar na fé, naquela fé que, antes de mais nada, confia. Maria não é qualquer mulher, ela é a agraciada, a preparada por Deus para ser Sua Mãe. Na divina comédia de Dante, Maria é chamada de “Virgem Mãe, filha de teu Filho, humilde e alta criatura”. Que grande e alto mistério! Hoje, a Terra e o Céu cantam de alegria por tamanha graça! O Verbo de Deus fez-se carne e habitou em nosso meio. Com os Santos Padres da Igreja, queremos afirmar e gritar com toda força:

“Ave, livro novo que encerra a nova mensagem de Deus.
Ave, alabastro que contém a mirra de santidade que procede de Deus.
Ave, beleza que prega a riqueza da virgindade.
Ave, criatura que leva o teu Criador.
Ave, tu que conténs o que nada pode conter.
Ave, tabernáculo de Deus e do Verbo.
Ave, a maior Santa de todas as santas.
Ave, Arca da Aliança, que nos fazes presentes a Deus.
Ave, tesouro inesgotável de vida.
Ave, diadema precioso dos reis piedosos.
Ave, glória venerável dos Santos Padres.
Ave, nuvem luminosa, que derramas sobre nós a brisa espiritual e divina.
Ave, fonte plena dos dons de Deus.”

VERBUM CARO FACTUM EST

Fonte: Canção Nova

A Via-Sacra de Francisco, através dos olhos e corações das crianças

 


Vinte crianças e jovens acompanharão o Papa no rito na Praça São Pedro na próxima Sexta-feira Santa. Os textos das 14 estações foram preparados pelas crianças do catecismo da paróquia romana dos Santos Mártires de Uganda e pelos escoteiros de "Foligno I", os desenhos que ilustram as várias etapas foram feitos pelos hóspedes de duas casas família de Roma.

Alessandro Di Bussolo e Marina Tomarro – Vatican News

Vinte crianças e jovens de Roma e Foligno estarão ao lado do Papa Francisco na Via-Sacra deste ano, mas muitos outros estiveram envolvidos na preparação das meditações que quatro deles irão ler numa Praça São Pedro quase deserta, como em 2020, em pleno lockdown da primeira fase da pandemia da Covid-19, e dos desenhos que as acompanharão. Outros 40 estarão entre os fiéis "presentes" na área do átrio da Basílica vaticana. Eles representarão as 500 crianças e adolescentes do catecismo da Primeira comunhão e da Crisma da paróquia romana dos Santos Mártires de Uganda, os 145 escoteiros, dos "lupetti" ao "rover" e das "escoltas" do grupo escoteiro Agesci de "Foligno I", as 30 crianças e jovens da casa família romana "Tetto Casal Fattoria" e as oito crianças, entre 3 e 8 anos de idade, da casa "Mater Divini Amoris". Todos estiveram envolvidos na preparação dos textos e desenhos que ajudarão a reviver, com o Papa, a Paixão e a morte de Jesus.

O sofrimento de Jesus ao ver sua mãe sob a cruz

"Fiquei impressionado com suas reflexões sobre o encontro de Jesus com sua mãe, é um momento que comoveu a muitos", disse padre Luigi D'Errico, pároco da igreja no bairro Ardeatino. "Alguém escreveu: 'Quanto Jesus deve ter sofrido na cruz ao ver, abaixo dele, sua mãe chorando'. É uma reação compreensível, porque eles têm um relacionamento profundo com seus pais".

Padre D'Errico: o medo de serem abandonado como Jesus

Em uma época de pandemia, padre D'Errico nos diz ainda, que também é referência para o cuidado pastoral das pessoas com deficiências no Vicariato de Roma, "nossas crianças do catecismo foram muito afetadas pelo risco de ficarem doentes e de ficarem sozinhas". Também através da Via-Sacra elas viram que "Jesus foi abandonado, ficou sozinho, havia apenas sua mãe e alguns outros, certamente não seus amigos mais próximos". Entre aulas escolares de ensino à distância e encontros de catequese via "Zoom", disse padre Luigi, "é importante para elas terem participado" desta preparação e depois participar na Via-Sacra, ainda que muitos o farão apenas através da televisão, "porque significa, precisamente, não serem abandonadas". Não ficarem sozinhas".

Entre jovens, 4 leitores e 8 portadores da Cruz

Ao lado dos quatro leitores, um para cada instituição educacional envolvida, com o Papa, explica padre D'Errico, "haverá oito jovens que carregarão a cruz e oito que segurarão as tochas" ao longo do percurso das 14 estações, que como em 2020, traçará um círculo ao redor do obelisco da Praça São Pedro. Todavia, junto com Francisco, não haverá médicos e enfermeiras na linha de frente na luta contra a Covid-19 e um ex-prisioneiro, um capelão de uma prisão e alguns guardas carcerários, mas as crianças do catecismo de padre Luigi, alguns escoteiros da Úmbria e as crianças e adolescentes de duas casas família romanas.

Os escoteiros: nossas meditações, um trabalho coral

"Nossas meditações para a Via-Sacra foram pensadas como uma ação coral - explica Alessandro Bitocchi, líder escoteiro do "Foligno I" - cada um dos meninos e meninas, à sua maneira, colocou um pedacinho de si mesmo nelas". Na casa família "Tetto Casal Fattoria", empenhada nas ajudas para combater as dificuldades das crianças e jovens, os hóspedes realizaram "desenhos muito precisos e muito atentos ao sofrimento das pessoas" disse o responsável Fabrizio Gessini. "Nossos meninos - afirmou - ficaram impressionados sobretudo pelo encontro com a mãe e a ajuda do Cireneu". Eles fizeram desenhos muito interessantes, crianças que nunca haviam se expressado sobre estes temas".

As frases acrescentadas aos desenhos das crianças do Divino Amor

“As crianças com mais idade, as de sete, oito anos acrescentaram aos seus desenhos pequenas frases, disse a irmã Gabriella Pistilli, da Congregação das Filhas do Divino Amor, responsável pela casa da família "Mater Divini Amoris": "elas escreveram que os pais devem se amar, não devem brigar, e uma menina pediu, quase na forma de uma oração, que nunca sentissem a falta do olhar da mãe”.


Fonte: Vatican News

SÃO JOÃO CRISÓSTOMO - As cinco vias de penitência

terça-feira, 23 de março de 2021

 Podemos viver uma vida intensa de oração e penitência sem mudar o ritmo de nossa vida, que precisa ser de oração constante, uma vida plena com o Senhor. Temos de pegar as coisas ordinárias do dia a dia e transformá-las em extraordinárias. São as pequenas coisas que fazemos que nos santificam. Não precisamos viver em um mosteiro nem ser um religioso para criarmos uma profunda intimidade com Deus.

As cinco vias de penitência

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

São João Crisóstomo nos apresenta cinco vias de penitência

São João Crisóstomo mostra que, na simplicidade de nossa vida, podemos viver a penitência. Assim ele nos apresenta cinco vias de penitência:

1ª) Reprovação do pecado

Todos os dias, precisamos renunciar ao pecado e a tudo o que nos leva a pecar. Precisamos buscar viver o PHN (Por Hoje Não vou mais pecar).

2ª) O perdão das faltas do próximo

Precisamos viver o amor e perdoar os nossos irmãos assim como Deus nos perdoa todos os dias. Precisamos viver o que diz a Palavra: ‘Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem! Assim vos tornareis filhos do nosso pai que está nos céus’ (Mt 5,44-45).

3ª) A oração

Viver uma vida de oração na simplicidade – em casa, no trabalho, na escola – é estar com a mente e o coração em Deus. “Com toda sorte de preces e súplicas, orai constantemente no Espírito” (Ef 6,18).

4ª) A Esmola

Temos de viver a caridade para com o seu próximo, tanto espiritual como material. ‘Tu, porém, quando deres esmola, não saiba tua mão esquerda o que faz a direita, de modo que tua esmola fique escondida. E o teu Pai, que vê no escondido, te dará a recompensa’ (Mt 6,3-4).

5ª) A Humildade

humildade eleva o homem a Deus. Reconheçamos que sem Ele não podemos nada, e que, por meio de nossa pequenez, Deus será exaltado. “Quanto mais fores grande, tanto mais é preciso que te humilhes, e encontrarás graça diante do Senhor” (Eclesiástico 2,18).

Seja santo!

Fonte: Canção Nova

Quaresma, tempo de conversão

segunda-feira, 22 de março de 2021

 


Tudo o que eu vou falar para vocês, eu, primeiro, estou pregando para mim. Então, podem ficar tranquilos, pois nada aqui é indireta para vocês. Estou aqui para falar como irmão, para falar da Quaresma de uma forma nova.

Joel 2,12-18

“Ainda assim, agora mesmo diz o Senhor: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto. E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal. Quem sabe se não se voltará e se arrependerá, e deixará após si uma bênção, em oferta de alimentos e libação para o Senhor vosso Deus? Tocai a trombeta em Sião, santificai um jejum, convocai uma assembléia solene. Congregai o povo, santificai a congregação, ajuntai os anciãos, congregai as crianças, e os que mamam; saia o noivo da sua recâmara, e a noiva do seu aposento. Chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, entre o alpendre e o altar, e digam: Poupa a teu povo, ó Senhor, e não entregues a tua herança ao opróbrio, para que os gentios o dominem; por que diriam entre os povos: Onde está o seu Deus? Então o Senhor se mostrou zeloso da sua terra, e compadeceu-se do seu povo.”

Palavra é para agora. Agora, diz o Senhor, voltai para mim! Toda vez que o Senhor Se apresenta para nós, Ele não quer nos impor algo; sempre Ele quer nos propor. E neste tempo que somos chamados a viver essa experiência forte de conversão, o Senhor vem, mais uma vez, nos propor uma mudança de vida.

Há muitas pessoas que tiveram dificuldades em suas paróquias, em suas comunidades, e, por isso, afastaram-se da Igreja. O primeiro pedido do Senhor, neste período de conversão, é sobre esse amor à Igreja, o amor a Deus, o amor a si mesmo e ao próximo.

Amor à Igreja

Sobre o amor à Igreja, estou falando para você que participou da Quarta-feira de Cinzas, que já tem uma caminhada, e também para você que está em casa, que está começando a caminhar na Igreja, mas ainda não teve uma “trombada” com ela. A Igreja, talvez, ainda seja um lugar frio, distante, onde as pessoas pareçam falsas. Eu quero falar para você da Quaresma, neste primeiro momento, neste tempo em que nós estamos vivendo, pois ele foi pensado pela Igreja, por essa Igreja da qual você esteja meio afastado, achando que não é tudo aquilo.

Pode ser que o motivo do seu afastamento seja porque a Quaresma, assim como outros tempos litúrgicos, tenham tomado uma aparência meio triste para você. Talvez a Igreja lhe seja um lugar cinzento e frio, mas eu quero lhe falar que ela não é este lugar, a Igreja é um lugar alegre, feliz, de encontro. Então, o tempo da Quaresma é um tempo de tristeza? Não, mas é um tempo de recolhimento.

A Igreja tem uns detalhes que eu gosto de observar. Quando está encerrando o tempo quaresmal, há uma das orações que fala assim: “passados os exercícios quaresmais”, ou seja, ela chama a Quaresma de tempos de exercícios quaresmais; não é apenas um tempo quaresmal, mas tempo de exercícios. Então, para viver bem esses exercícios, a Igreja faz algumas propostas, e uma delas é não ter o “glória” no domingo. Mas por quê? É para entrarmos no tempo litúrgico, recolher-se. A Igreja propõe e não impõe práticas como essa para que internalizamos aquele tempo litúrgico. Você, na sua liberdade, pode fazer ou não. Este é um tempo para ser exercitado, ser treinado. Então, quando a Igreja propõe tais práticas não é por maldade, mas sim para que possamos crescer em nossa vida de santidade, para abraçarmos a Cristo com mais integridade. Não é para ser pesado, mas para ser vivido com amor.

Para os que estão distantes da Igreja, não vejam o tempo litúrgico como um tempo pesado, veja como propostas vão nos levar a um caminho de santidade para todos nós. O primeiro convite é voltar esse amor sobre a Igreja agora.

Amor a Deus

A Igreja, como mãe, foi deixada por Deus, e ela não é o fim. O fim é o amor a Deus. Ela é um meio de nos educarmos nesse caminho, porque, às vezes, neste caminho, nós nos desviamos. A nossa primeira conversão aconteceu no nosso batismo. Mas o Catecismo fala de uma segunda conversão, aquela que acontece no dia a dia. Ela acaba apenas quando morrermos, até lá, é necessário muita luta. Cair, levantar, cair, levantar de novo, até morrer. Esse processo pode ficar mais simples desde que vivamos bem o tempo quaresmal, que é um tempo de treino.

Lembre-se de Quaresmas passadas que você já viveu; talvez, sejam situações não muito boas. Eu quero pedir, agora, ao Senhor que essas recordações ruins, que fazem você não viver bem este tempo, que elas caiam por terra! Que elas possam ser transformadas pela vivência de uma boa Quaresma este ano. Permita que o seu coração seja visitado por uma profunda experiência do amor de Deus. Se a Quaresma se tornar pesada este ano, lembre-se de que é tudo por amor! Permita que o Senhor vença na sua vida.

Amor a si mesmo

Do amor a Deus nós vamos do amor a nós mesmos. Muitas vezes, esse amor por nós mesmos é algo desordenado, e a Quaresma vai nos ajudar a ordenar, para que este amor que tenho por mim me leve ao próximo. Se você mergulhar de cabeça nesta Quaresma, viver este tempo intensamente, as pessoas vão enxergar mudanças em você, e você vai ser o testemunho, o exemplo para essa pessoa. E você deve fazer isso não porque você quer ser exemplo, mas porque quer ser Cristo na vida do outro. Rasgue o seu coração! O convite precisa ser pessoal: “Eu preciso me converter. Eu preciso mudar de vida”. Convença-se de que você precisa mudar de vida.

Fonte: Canção Nova

Valei-nos São José!

sexta-feira, 19 de março de 2021


 


SÚPLICA  Á SÃO JOSÉ


Glorioso São José, pai nutrício de Jesus Cristo e esposo de Maria Santíssima, volvei vosso olhar de misericórdia para as nossas famílias, protegendo-as como protegestes a Sagrada Família de Nazaré.


Abençoais os pais, para que saibam dirigir o lar com prudência e firmeza, promovendo a felicidade da família.


Abençoais os filhos, para que sejam a honra e a esperança dos seus genitores.


Não permitais que venham a faltar em nossos lares o carinho e o amparo de que todos necessitam.


Enfim, abençoais todos os moradores de nossa casa, para que encontrem no recanto do lar a felicidade tão desejada.


Pelo amor que demonstrastes para com o vosso Filho adotivo, zelai pelos nossos filhos.


 Pelo carinho que tivestes para com vossa Santíssima Esposa, Maria, Mãe de Jesus Filho de Deus, amparai as mães.


Já que nos colocamos debaixo da vossa poderosa proteção, livrai-nos dos males que estão ameaçando as famílias cristãs.


Ensinai a todos a fugir do abismo que destruirá os laços sagrados que unem as famílias cristãs.


 Nós vos pedimos, glorioso protetor:


Dos ataques de satanás, livrai as nossas famílias.


Dos males que nos ameaçam, livrai as nossas famílias.


Das rixas e contendas, livrai as nossas famílias.


Das doenças e aflições, livrai as nossas famílias.


Da tristeza e do desespero, livrai as nossas famílias.


Do espírito mundano, livrai as nossas famílias.


Da imoralidade degradante, livrai as nossas famílias.


Da rebeldia religiosa, livrai as nossas famílias.


Da falta de amor, livrai as nossas famílias.


Das dificuldades financeiras, livrai as nossas famílias.


Da desonra e leviandade, livrai as nossas famílias.


Da falta de pão e agasalho, livrai as nossas famílias.


Dos perigos do mundo, livrai as nossas famílias.


Das enfermidades, livrai as nossas famílias.


Da moda escandalosa, livrai as nossas famílias.


Das amizades nocivas e perigosas, livrai as nossas famílias.


Da falta de fé, livrai as nossas famílias.


Das incompreensões e dúvidas, livrai as nossas famílias.


Da morte eterna, livrai as nossas famílias.


Da desunião e fraqueza, livrai as nossas famílias.


Isto vos suplicamos, ó grande Santo, pelo amor que tivestes a Jesus e a Maria. Ó Deus de bondade e misericórdia, pela intercessão de São José, salvai as nossas famílias, dai que vivamos enlaçados em vosso amor, que nem a morte desfaça, e assim como nos fizestes unidos nesta vida pelo sangue, reuní-nos pela caridade no vosso Reino eterno. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém

Simples José - Eugênio Jorge

 

Live Oracional - Eugênio Jorge

quinta-feira, 18 de março de 2021

 

Oito anos com o Papa Francisco: levar a alegria do Evangelho ao mundo inteiro

sábado, 13 de março de 2021


 Em 13 de março de 2013, o Cardeal Jorge Mário Bergoglio foi eleito à Cátedra de Pedro: primeiro Papa jesuíta e americano e o primeiro com o nome de Francisco. Estes oito anos de Pontificado foram caracterizados por iniciativas e reformas, para envolver todos os cristãos em um novo impulso missionário, com o intuito de levar o amor de Jesus a toda a humanidade

Vatican News

“Proximidade, Assembleias Sinodais e impulso missionário”: eis as bases fundamentais do Pontificado de Francisco, eleito há oito anos como Sucessor de Pedro.

A perspectiva do seu Pontificado partiu de baixo, com uma maior atenção às "periferias" existenciais e geográficas do mundo, como ponto de partida do seu modo de ser e agir. Ao convidar os fiéis a retomar "o frescor original do Evangelho", pediu-lhes um maior fervor e dinamismo, para que o amor de Jesus pudesse chegar realmente a todos. A Igreja que Bergoglio queria era uma Igreja “em saída”, de portas abertas, um hospital de campanha, sem temer a “revolução da ternura e o milagre da delicadeza”.

Novidades e a “Evangelii gaudium”, um texto programático do Pontificado

Jorge Mário Bergoglio foi o primeiro Papa a escolher o nome de “Francisco": primeiro Jesuíta, de origens latino-americanas, mas também o primeiro Pontífice, dos tempos modernos, eleito após a renúncia do seu antecessor. Francisco começou o seu Pontificado marcado pela novidade. A mais importante foi a de celebrar Missas diárias na Casa Santa Marta, onde decidiu morar, ao invés da Residência Apostólica. Esta foi mais uma novidade! Em suas breves homilias, pronunciadas com rigor e estilo de pároco, buscou estabelecer um diálogo direto com os fiéis, exortando-os a um confronto imediato com a Palavra de Deus.

No mesmo ano da sua eleição, Francisco surpreendeu a todos com a publicação de uma Exortação apostólica “Evangelii gaudium”: um verdadeiro “texto programático” do seu primeiro Pontificado. No documento, o Papa exorta a uma “nova Evangelização”, caracterizada pela alegria, bem como à reforma das estruturas eclesiais e à conversão do Papado, para que sejam mais missionárias e próximas do sentido desejado por Jesus. Ainda em 2013, o Papa instituiu um "Conselho de Cardeais" para estudar um projeto de revisão da Constituição Apostólica "Pastor bonus", sobre a Cúria Romana, que remonta ao ano de 1988.

A família

A família foi o foco central da pastoral do Papa Francisco, em 2014, à qual dedicou um Sínodo extraordinário. Para o Pontífice, a sociedade individualista contemporânea agride duramente a família, colocando em risco os direitos dos filhos e dos pais, sobretudo no âmbito da educação moral e religiosa. O tema da família teve seu ápice na Exortação Apostólica "Amoris Laetitia", em 8 de abril de 2016, na qual Francisco destacou a importância e a beleza da família, com base no matrimônio indissolúvel entre o homem e a mulher; o documento trata, com realismo, das fragilidades de algumas pessoas, que se divorciam e casam de novo, incentivando os pastores ao discernimento.

Do ponto de vista das reformas, em 2014, foi muito significativa a instituição da Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores, que tem o objetivo de propor iniciativas ao Pontífice sobre “a promoção e a responsabilidade das Igrejas particulares em relação à proteção de todos os menores e adultos vulneráveis”.

Sobre a ação diplomática, o ano de 2014 foi caracterizado por duas grandes iniciativas do Papa Francisco: primeiro, a "Invocação pela Paz" na Terra Santa, em 8 de junho, nos Jardins do Vaticano, junto com os Presidentes de Israel, Shimon Peres, e o da Palestina, Mahmoud Abbas; segundo, o restabelecimento das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba.

Salvaguarda da Criação

O ano 2015 foi dedicado à “salvaguarda da criação”: em 24 de maio, Francisco assinou a Encíclica "Laudato sì” sobre o cuidado da nossa Casa Comum, cujo ponto central foi a ecologia integral, em que a preocupação com a natureza, a equidade com os pobres e o compromisso da sociedade são inseparáveis. Por isso, o Pontífice instituiu o “Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação”, de cunho ecumênico, que se celebra, todos os anos, no dia 1° de setembro.

No entanto, em relação às reformas, continuam os trabalhos para a nova Constituição Apostólica sobre a Cúria Romana, cujo esboço provisório foi intitulado "Pregai o Evangelho". Não obstante, explodiu o caso "Vatileaks 2", sobre o vazamento de documentos reservados da Santa Sé: “Um ato deplorável”, - definiu o Papa na oração do Angelus de 8 de novembro, - porque “roubar documentos é um crime”. Depois de um regular julgamento no Tribunal do Vaticano, o caso foi encerrado, em julho de 2016, com duas condenações e duas absolvições.

Jubileu Extraordinário da Misericórdia

O fio condutor do Pontificado de Francisco, em 2016, foi, sem dúvida, a “misericórdia”. Naquele ano, foi proclamado o “Jubileu extraordinário da Misericórdia” sobre o tema "Misericordiosos como o Pai". A preocupação com os últimos se concretizou com as “Sextas-feiras da Misericórdia”, com visitas privadas que o Pontífice fez às estruturas dedicadas ao acolhimento dos pobres, dos enfermos, dos marginalizados. Foi um Jubileu de ampla extensão, que deu a possibilidade de abrir uma “Porta Santa” em todas as igrejas do mundo. Antes de abrir a Porta da Basílica Vaticana, o Papa Francisco abriu outra, muito simbólica: a Porta da Catedral de Bangui, na República Centro-Africana, durante a sua Viagem Apostólica, em novembro de 2015.

Em 2016, aconteceu um evento inédito: em 12 de fevereiro, o Pontífice encontrou-se em Cuba com o Patriarca de Moscou e de toda a Rússia, Kirill. Ambos os líderes religiosos assinaram uma Declaração conjunta, com a qual se comprometeram em responder aos desafios do mundo contemporâneo, inclusive o fim da perseguição dos cristãos e das guerras, promover o diálogo inter-religioso, ajudar os migrantes e refugiados e proteger a vida e a família.

Dia Mundial dos Pobres

O ano 2017 também foi marcado por importante evento, que faz parte integrante da diplomacia de paz do Papa Francisco: em 20 de setembro de 2017, na sede das Nações Unidas, em Nova York, a Santa Sé foi um dos primeiros países a assinar e ratificar o "Tratado sobre proibição das Armas nucleares". E, em âmbito pastoral, aquele ano foi caracterizado pela celebração do primeiro “Dia Mundial dos Pobres”: um acontecimento que deveria ser – segundo o Papa - uma advertência de que “a presença de Jesus se manifesta” sobretudo nos pobres: “eles abrem o caminho para o céu e são o nosso passaporte para o céu".

Acordo com a China

Em 2018, dois acontecimentos marcaram o Pontificado de Francisco: em nível pastoral, o “Sínodo sobre os Jovens” representou um momento de reflexão eclesial. O Pontífice pediu aos jovens para "escutar, serem próximos e testemunhar", porque "a fé é uma questão de encontro, não uma teoria". Este apelo tornou-se bem mais forte com a Exortação apostólica pós-sinodal "Christus vivit", em 2019. "Agora vocês são de Deus", escreveu Francisco no documento, pedindo aos jovens para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo e dedicar mais atenção aos últimos.

Em 2018, em campo diplomático, deu-se o Acordo Provisório entre a Santa Sé e a República Popular da China, assinado em Pequim, em 22 de setembro, sobre a nomeação dos Bispos. Em 2020, o acordo foi renovado por dois anos.

Luta contra os abusos

O ano de 2018 contou com uma página muito amarga para a Igreja Católica: os abusos cometidos por alguns membros do clero, como o caso concernente ao Cardeal George Pell, julgado na Austrália e absolvido após 13 meses, passados injustamente ​​na prisão; o do ex-sacerdote chileno, Ferdinando Karadima, que depois foi destituído por Francisco do estado clerical; enfim, a publicação do "Relatório da Pensilvânia", nos Estados Unidos, sobre a importância de combater este crime, por determinação do Pontífice.

Em agosto, ao término da sua Viagem Apostólica à Irlanda, Francisco presidiu a um comovente "Ato Penitencial", durante o qual pediu perdão por este crime, em nome da Igreja. No mesmo período, a mídia divulgou o "Caso McCarrick", o ex Cardeal responsável por abusos sexuais de menores, exonerado do estado clerical, em 2019. Sobre este fato, a Santa Sé publicou um "Relatório" especial, elaborado pelo Cardeal Secretário de Estado, a pedido do Papa, em 10 de novembro de 2020. A luta contra os abusos continuou, em 2019, com um Encontro de Cúpula, no Vaticano, sobre a tutela dos menores, do qual nasceu o Motu próprio "Vos estis lux mundi", que obrigava os clérigos e religiosos a denunciar os abusos: cada diocese devia ter um sistema, que fosse facilmente acessível ao público, para acolher as denúncias. Além do mais, em dezembro, com um Rescrito, o Papa aboliu o Segredo pontifício para os casos de abuso sexual.

Fraternidade, paz e unidade dos Cristãos

Em 2019, aconteceram três grandes eventos: primeiro, a assinatura do documento "Fraternidade Humana pela Paz Mundial e a Convivência Comum", assinado pelo Papa Francisco e pelo Grão Imame de Al-Azhar, Ahamad al-Tayyeb, em Abu Dhabi, em 4 de fevereiro. O documento, um marco nas relações entre o Cristianismo e o Islamismo, encorajava o fortalecimento do diálogo inter-religioso, promovia o respeito mútuo e condenava o terrorismo e a violência.

O segundo evento foi a realização de um Retiro espiritual, no Vaticano, para os líderes civis e eclesiásticos do Sul do Sudão. O encontro espiritual deu-se em abril e concluiu-se com um ato impressionante: Francisco ajoelhou-se e beijou os pés do Presidente da República do Sudão do Sul, Salva Kiir Mayardit, e dos vice-Presidentes presentes, para "implorar o fim definitivo da guerra" no jovem país africano.

Enfim, o terceiro e último evento, foi em vista da relação da unidade dos Cristãos: no dia 29 de junho, Francisco doou alguns fragmentos das relíquias de São Pedro a uma delegação do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla. Em uma Carta ao Patriarca Bartolomeu, o Santo Padre escreveu: “Esta doação representa uma ulterior confirmação do caminho das nossas Igrejas rumo à unidade”.

Reformas econômicas e financeiras

Em agosto de 2019, no âmbito das reformas, o Pontífice renovou, com um quirógrafo, o Estatuto do IOR, nomeando um Revisor externo para controlar as contas do Banco Vaticano. Esta decisão deu origem, em fins do ano 2020, a um novo Estatuto da Autoridade de Informação Financeira, chamada Autoridade de Supervisão e Informação Financeira (Asif), como também ao Motu proprio "Sobre determinadas competências em matéria econômica e financeira”, com o qual transferia à APSA a gestão dos fundos e bens da Secretaria de Estado, inclusive o Óbolo de São Pedro, a fim de reforçar o controle da Secretaria para a Economia.

Oração em plena pandemia

Em 2020, o ano da pandemia do Covid-19, o Papa Francisco permaneceu ao lado dos fiéis mediante o poder da oração constante. Permaneceu impressa, na memória do mundo inteiro, a "Statio Orbis", que o Pontífice presidiu sozinho, dia 27 de março, diante da Basílica Vaticana, em uma Praça São Pedro deserta e chuvosa.

A tecnologia também ajudou a encurtar as distâncias necessárias para conter os contágios: neste período de pandemia, a Audiência Geral e a oração do Angelus são transmitidas ao vivo por áudio-vídeos, como as Missas matutinas na Casa Santa Marta.

Em fevereiro, foi publicada a quinta Exortação Apostólica intitulada "Querida Amazônia", que reúne os frutos do Sínodo Especial para a Região Pan-Amazônica, realizado no Vaticano, em 2019; em outubro, foi a vez da terceira Encíclica, "Todos Irmãos", que, mas pegadas salientes deste Pontificado, apela à fraternidade e à amizade social e reitera o “não” decisivo às guerras, para a construção de um mundo melhor, com o esforço de todos.

Viagens Apostólicas com atenção especial às periferias

O ano de 2020 concluiu-se com o anúncio da histórica Viagem Apostólica ao Iraque, que se realizou no fim da semana passada: pela primeira vez, um Sucessor de Pedro visita aquele país. Assim, após 15 meses de pandemia, Francisco retoma sua missão de levar a luz e a beleza do Evangelho ao mundo, voltando sempre seu olhar às periferias, onde a "fraternidade e a esperança" são urgentes.

Por outro lado, a sua primeira Viagem como Pontífice deu-se em 8 de julho de 2013, com uma visita à Ilha de Lampedusa, porto de desembarques desesperados. Ali, o Papa acendeu os refletores globais sobre o drama da migração, um tema importante do seu Pontificado. O Santo Padre recorda sempre que “os migrantes são, antes de tudo, pessoas, não apenas números ou questões sociais”, mas não o faz apenas com palavras, mas também com gestos concretos. Em abril de 2016, ao voltar de uma visita ao campo de refugiados em Lesvos, na Grécia, o Papa trouxe consigo, no voo de retorno, 12 refugiados sírios, para que recebessem assistência e acolhida em Roma.

Dados estatísticos

Até agora, Francisco fez 25 viagens na Itália e 33 internacionais. Os dados do seu Pontificado confirmam mais de 340 audiências gerais, mais de 450 orações do Angelus ou Regina Coeli, quase 790 homilias na Casa Santa Marta e proclamou cerca de 900 novos Santos, inclusive os 800 mártires de Otranto. O Papa presidiu a 7 Consistórios, com a criação de 101 Cardeais, e convocou vários Anos especiais, como os dedicados à Vida Consagrada (2015-2016), à figura de São José (2020-2021) e à Família “Amoris Laetitia” (2021-2022).

Francisco instituiu também diversas Jornadas: a última, em ordem cronológica, o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, que será celebrado, pela primeira vez, em julho de 2021, por ocasião da festa dos Santos Joaquim e Ana, “Avós” de Jesus.

Fonte: Vatican News


Pesquisar neste Blog

Liturgia Diária

Liturgia Diária
Canção Nova

Arcebispo da Arquidiocese da Paraíba - Dom Delson

Arcebispo da Arquidiocese da Paraíba - Dom Delson
Dom Manoel Delson Pedreira da Cruz

Fale conosco

Nome

E-mail *

Mensagem *

Visitantes

A ARMADURA DO CRISTÃO

A ARMADURA DO CRISTÃO
Leia Efésios 6, 10-20

Conselhos do Papa Francisco

Oração de exaltação a Santa cruz

Como Retornar?

Como Retornar?
Dicas para voltar a ter intimidade com Deus

Mensagem

Mensagem
Monsenhor Jonas Abib

Terço

Terço
Mãe da Divina Misericórdia

Mensagem

Reflexão

Frei Galvão

Frei Galvão
História

O Papa Francisco

O Papa Francisco
Vatican

Bíblia Católica On Line

Seja um Padrinho Vem Cuidar de Mim

Missa de Cinzas - Fotos

Missa de Cinzas - Fotos
Paróquia Menino Jesus de Praga

Mensagem

Mensagem
Monsenhor Jonas Abib

Ajude o Laureano

Campanha Vem Cuidar de Mim

Campanha Vem Cuidar de Mim
Assine aqui o abaixo assinado!

ANUNCIE AQUI

ANUNCIE AQUI
armaduradocristao@gmail.com

Adoração ao Santíssimo

Adoração ao Santíssimo

Salmos on Line

Menino Jesus de Praga

Arquivos Obras Timbó