24 horas para o Senhor: material em português está disponível para preparar fiéis

quarta-feira, 10 de março de 2021

 Um subsídio pastoral produzido pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização em 5 idiomas diferentes, entre eles, o português, já está disponível do site do dicastério para preparar as paróquias e as comunidades cristãs para as 24 horas para o Senhor. O material é dirigido a fiéis que podem se aproximar do Sacramento da Reconciliação ou a quem, devido às restrições da pandemia, vai viver a iniciativa em casa, com a oração pessoal, a partir do final da tarde desta sexta-feira (12).

Andressa Collet - Vatican News


Em véspera das “24 horas para o Senhor”, iniciativa que neste ano começa no final da tarde desta sexta-feira (12) e durante todo o dia de sábado (13), o Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização produziu um material que serve como sugestão para que as paróquias e as comunidades cristãs consigam se preparar. O subsídio pastoral já está disponível do site do dicastério, o www.pcpne.va, em 5 idiomas diferentes, entre eles, o português.

24 horas para o Senhor

Já é um encontro tradicional durante a Quaresma para que os cristãos possam se retirar em oração e se aproximar do Sacramento da Reconciliação. Para a ocasião em 2020, o Papa Francisco encorajou os fiéis “a se aproximarem de maneira sincera à misericórdia de Deus na confissão e a rezarem especialmente por aqueles que estão em provação por causa da pandemia”.



De fato, a celebração penitencial presidida pelo Pontífice na Basílica de São Pedro precisou ser anulada e a comunidade foi incentivada a conservar o caráter penitencial, meditando e rezando diante do Crucifixo. Devido à contínua propagação da Covid-19 também neste ano, a iniciativa pode sofrer alterações em algumas partes do mundo. Como próprio Pontífice havia aconselhado para a precedente iniciativa, onde não for possível celebrar as 24 horas para o Senhor, o momento penitencial poderá ser vivido “com a oração pessoal”. Ou ainda, como sugere o próprio subsídio pastoral, “a Adoração Eucarística poderia ser transmitida on-line”.

Subsídio pastoral

O tema escolhido para “24 horas para o Senhor” de 2021 é um versículo extraído do Salmo 103: "Ele perdoa todos os teus pecados”. Na primeira parte do material oferecido pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização para participar da iniciativa, são apresentados textos que encorajam a viver de uma forma consciente quem conseguirá encontrar o sacerdote para a confissão individual. Eles também podem ser utilizados para se preparar (sozinho ou sob a orientação de um ministro) à uma contrição perfeita, no caso de não poder temporariamente se aproximar do Sacramento da Reconciliação.

A segunda parte do subsídio pastoral pode ser usada quando as igrejas estiverem abertas, para aqueles que têm acesso à confissão, podendo ser ajudados na oração e na meditação através de um caminho baseado na Palavra de Deus. O material oferecido on-line também pode ser útil para preparar uma catequese sobre a necessidade da conversão e sobre o Sacramento da Reconciliação, sobretudo dirigido aos jovens, que muitas vezes se questionam o porquê e como se confessar: esse material pode constituir uma ajuda válida para encontrar respostas a essas questões.

Fonte: Vatican News

Acolhida calorosa ao Papa Francisco na chegada ao Iraque

sexta-feira, 5 de março de 2021

 


O Papa chegou ao Iraque pouco antes do meio-dia desta sexta-feira, recebendo uma calorosa acolhida no Aeroporto Internacional de Bagdá.

Jackson Erpen - Vatican News

"Obrigado pelo seu testemunho. Que os muitos, demasiados mártires que vocês conheceram nos ajudem a perseverar na humilde força do amorGostaria de lhes trazer o carinho afetuoso de toda a Igreja, que está próxima de vocês e ao mortificado Oriente Médio e os encoraja a seguir em frente”, disse o Papa Francisco na mensagem aos iraquianos divulgada no dia anterior a sua viagem.

E como mensageiro de paz, o Papa Francisco chegou ao Iraque no final da manhã desta sexta-feira, 5 de março. O voo AZ 4000 da Alitália aterrissou no Aeroporto Internacional de Bagdá pouco antes das 14 horas, horário local.

O chefe do protocolo no Iraque subiu as escadas dianteiras do avião para saudar o Papa, antes de descer e ser recebido na pista pelo primeiro ministro Mustafa Abdellatif Mshatat, conhecido como Al-Kadhimi, e pelo Sr. Rahman Farhan Abdullah Al-Ameri, embaixador extraordinário e plenipotenciário do Iraque junto à Santa Sé, além de outras autoridades civis e religiosas. Duas crianças em vestes tradicionais ofereceram flores amarelas ao Papa, que durante todo o tempo usou máscara protetora. Na acolhida oficial não foram proferidos discursos.

Após a apresentação das delegações e a passagem pela Guarda de Honra, o primeiro ministro e o Pontífice dirigiram-se à Sala VIP do aeroporto, mas logo ao entrar no saguão do aeroporto, Francisco foi acolhido calorosamente por jovens vestindo vestes tradicionais, que cantavam músicas típicas em árabe, dançavam e acenavam bandeiras do Iraque e do Vaticano. Seguiu o encontro privado entre o Pontífice e o primeiro-ministro, com o auxílio de intérpretes.

Francisco ofereceu a Al-Kadhimi um Trítico, uma medalha de prata alusiva à viagem e uma edição especial da "Fratelli tutti". Do aeroporto, o Papa segue para o Palácio Presidencial.

Danças, cantos e bandeiras na calorosa acolhida ao Papa no aeroporto de Bagdá
Danças, cantos e bandeiras na calorosa acolhida ao Papa no aeroporto de Bagdá

Durante o voo Papa recebe Prêmio de Jornalismo Maria Grazia Cutuli

 

Durante o voo, os jornalistas conferiram ao Papa Francisco o Prêmio de Jornalismo Maria Grazia Cutuli, intitulado à jornalista italiana morta há 20 anos no Afeganistão. Os jornalistas ficaram muito tocando pela última Mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, quando disse “a crise editorial corre o risco de levar a uma informação construída nas redações, diante do computador, nos terminais das agências, nas redes sociais, sem nunca sair à rua, sem «gastar a sola dos sapatos», sem encontrar pessoas para procurar histórias ou verificar com os próprios olhos determinadas situações. Mas, se não nos abrimos ao encontro, permanecemos espectadores externos, apesar das inovações tecnológicas com a capacidade que têm de nos apresentar uma realidade engrandecida onde nos parece estar imersos. Todo o instrumento só é útil e válido, se nos impele a ir e ver coisas que de contrário não chegaríamos a saber, se coloca em rede conhecimentos que de contrário não circulariam, se consente encontro que de contrário não teriam lugar.”  E o Papa dá o exemplo disso, como atesta essa viagem. Francisco que, como um "enviado especial", “gasta a sola” de seus sapatos pretos, sendo um exemplo para todos os jornalistas para fazer com seriedade este trabalho. 


Primeiro dia do Papa no Iraque


O primeiro compromisso oficial do Papa Francisco em terras iraquianas foi a Cerimônia de boas-vindas no Palácio Presidencial, com a visita de cortesia ao presidente da República, Barham Ahmed Salih Qassim. Seguiu-se o encontro com as Autoridades, a Sociedade Civil e o Corpo Diplomático no grande salão do Palácio Presidencial, onde o Pontífice proferiu seu primeiro discurso, após o pronunciamento do presidente do Iraque.

Ao final do encontro, Francisco dirigiu-se à Catedral de Sayidat al-Nejat (Nossa Senhora da Salvação), distante 8,4 km, para o encontro com os bispos, sacerdotes, religiosos/as, seminaristas e catequistas.

Francisco então, se desloca para a Nunciatura Apostólica de Bagdá, distante 3,3 km, onde pernoitará nestes dias.

Nunciatura Apostólica

 

A Nunciatura Apostólica está localizada no bairro de Karrada, uma área de comércio e classe média alta. Junto com Dora, representa um dos dois principais distritos da comunidade cristã de Bagdá. Ali, de fato, se encontram muitas igrejas que representam diferentes denominações. A população desta região, no entanto, é mista, composta por cristãos e muçulmanos.

A capital, Bagdá

 

A capital da República do Iraque, foi fundada em 762 pelo califa abásside al-Mansur, no local onde o curso do rio Tigre se aproxima ao Eufrates, em uma das áreas culturais mais antigas da humanidade, a Mesopotâmia.

A posição favorável para o comércio e a administração do território permitiu que a cidade crescesse e prosperasse até se tornar um dos centros culturais mais importante do mundo. Do esplendor alcançado pelos abássidas, ainda temos ecos nas histórias de "As Mil e Uma Noites", em grande parte ambientadas na cidade, que pelos maravilhosos palácios e jardins era conhecida como a "cidade da paz".

Foi ali que ele nasceu, como biblioteca privada do califa abássida Harun al Rashid (Harune Arraxide), a Bayt al-Haikma, a "Casa da Sabedoria", ampliada mais tarde por seu filho e sucessor al Ma'mun, um dos lugares de estudo mais conhecidos da história. Partindo de uma biblioteca privada, este lugar expandiu-se cada vez mais, tornando-se público e dando a oportunidade aos estudiosos de consultar mais de meio milhão de livros.  

A Bayt al Hikmah representou no mundo o mais importante centro de conhecimento por vários séculos. No entanto, não sobreviveu às devastações sofridas pela capital abássida: incêndios, guerras civis e, por fim, a invasão devastadora dos mongóis liderados pelo sobrinho de Genghis Khan, Hülegü. Com o fim do Califado, no século XIII, teve início a decadência de Bagdá.

Saqueada pelos mongóis em 1258, destruída por Timer em 1400, passou a fazer parte do Império Otomano em 1638, até o século XX, sendo ocupada posteriormente pelos britânicos, durante a Primeira Guerra Mundial.

Em 1932, com a independência, voltou a ser um importante centro cultural no mundo árabe, e na década de 1970, graças ao petróleo, conheceu um período de prosperidade, que terminou definitivamente após o conflito com o Irã, as Guerras do Golfo, a queda do ditador Saddam Hussein e ocupação militar em 2003.

Bagdá, cujo nome parece derivar do antigo persa "Bagh" e "Dad", ou "presente de Deus", pela forma perfeitamente circular do seu núcleo original, sempre foi definida como "Cidade Redonda". Ali, dentro de três círculos de muros concêntricos, Al-Mansur construiu seu palácio, o opulento Golden Gate Palace, com  uma cúpula verde mais de 40 m de altura, e a adjacente Grande Mesquita.

Na cidade atual, abundam os monumentos construídos por ordem de Saddam Hussein, para celebrar sua figura e suas vitórias. Entre os principais, o Arco de Mãos da Vitória, o Monumento ao Soldado Desconhecido, e o monumento Al-Shaheed, que comemoram a Guerra Irã-Iraque.

Hussein também mandou construir algumas mesquitas, entre as quais a mesquita Umm al-Mahare, ou "Mãe de todas as batalhas", na periferia, cujos minaretes têm a forma de fuzis Kalashkinov e mísseis Scud; a mesquita kazimayn, localizada a noroeste de Bagdá, típico exemplo de arte islâmica, onde são conservados os túmulos dos Imames venerados por muçulmanos xiitas. E no bairro de Bab al-Sheik, a mesquita al-Qadiriya, que já foi uma escola Alcorão.

Marcos de referência da capital, separados pelo rio Tigre, são o Santuário Khadhimiya e a Mesquita Abu Hanifa, em Adhamiya, uma das mais importantes mesquitas sunitas na capital; o Palácio de Saddam Hussein, construído por sua vontade em 1988 em uma colina no alto da cidade; o Museu Nacional iraquiano - fundado em 1926 pela arqueóloga e viajante britânica Gertrude Bell, conhecida como a "Rainha de Bagdá" - o qual, em 2003, após a invasão estadunidense, foi saqueado de suas preciosas antiguidades, que datam de mais de 5.000 anos; o zoológico construído em 1971, que em 2003 foi completamente devastado, mas agora acessível novamente; os bairros característicos de Karrada e Al Mansour; e o mercado histórico de Shorja, o maior souk ao ar livre da cidade, que remonta à era abássida.

Fonte: Vatican News

Papa envia telegrama a chefes de Estado de 6 países e assegura orações pela paz



 Durante a viagem que levou Francisco à Bagdá, no Iraque, na manhã desta sexta-feira (5), o Papa enviou telegramas de saudação às nações sobrevoadas. Nas mensagens à Itália, Grécia, Chipre, Palestina, Israel e Jordânia, o Pontífice disse rezar pelos cidadãos pedindo a Deus bênçãos de paz, unidade e prosperidade.

Andressa Collet – Vatican News

O Papa Francisco, por ocasião da viagem apostólica ao Iraque, enviou telegramas a chefes de Estado dos países sobrevoados durante a viagem que o levou a Bagdá na manhã desta sexta-feira (5), ou seja, à Itália, Grécia, Chipre, Palestina, Israel e Jordânia.

A saudação do Papa à Itália e à Grécia

Ao presidente da Itália, Sergio Mattarella, a primeira mensagem ao deixar o território italiano. O Pontífice, como “peregrino de paz e de fraternidade entre os povos”, enviou um telegrama com desejos de serenidade e prosperidade à população italiana. Em resposta, o agradecimento do chefe de Estado e a ênfase de que a presença do Papa no Iraque "representa para as martirizadas comunidades cristãs daquele país e de toda a região, um testemunho concreto de proximidade e de paterna solicitude". Mattarella também destacou que a visita iraquiana é "um sinal de continuidade após a viagem apostólica aos Emirados Árabes Unidos" e "mais um passo no caminho traçado pela declaração sobre a fraternidade humana".


Já aos outros chefes de Estado, o Papa se dirigiu em inglês e enviou saudações aos cidadãos dos países. Para a presidente da Grécia, Katerina Sakellaropoulou, o Pontífice disse rezar a Deus para conceder a toda a população bênçãos “de unidade, paz e prosperidade”.

Desejos de paz ao Chipre e à Israel

Ao presidente da República do Chipre, Nicos Anastasiades, ao entrar no espaço aéreo do país durante a viagem apostólica de Francisco ao Iraque, o Papa dirigiu cordiais saudações ao povo do país, “com fervorosas orações para que Deus abençoe a todos com harmonia e paz”. No telegrama ao presidente de Israel, Reuven Rivlin, o Papa enviou saudações à toda a população e disse rezar a Deus para abençoar todos “com seus dons de harmonia e paz”.

Mensagem de Francisco aos povos da Palestina e Jordânia

Já ao presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, o Pontífice disse “rezar para que o Deus Altíssimo abençoe todos os palestinos com paz e bem-estar”. Enfim, na mensagem enviada a Sua Majestade Abdullah II, Rei da Jordânia, Francisco saudou a família real e o povo do país, invocando “abundantes bênçãos do Altíssimo”.


Fonte: Vatican News

O Reino dos Céus, em primeiro lugar, é dos pobres

quinta-feira, 4 de março de 2021

 



“Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado” (Lucas 16,22).

A beleza da parábola de Lázaro e do homem rico é uma oportunidade para entendermos os abismos que o pecado cria no mundo e na sociedade em que estamos. As pessoas religiosas, muitas vezes, querem fazer vista grossa às situações injustas da humanidade; e alguns até querem dizer que esse problema não é nosso, que temos só que rezar para o mundo ser melhor; e ignoram, criam ainda mais abismos quando deixam de lado os pobres, os “Lázaros de outrora”, dos tempos em que vivemos.

Jesus não fez vista grossa aos pobres de Sua época, pelo contrário, os acolheu, os amou, os elevou. E, quando Ele nos conta a beleza de uma parábola como essa, é para retratar o mundo insano, injusto e desumano em que vivemos, onde uma parcela de ricos e poderosos vive numa verdadeira avareza com os seus bens, se vangloriando do que tem e ignorando os pobres que vivem às portas de nossas ruas, cidades, nas esquinas por onde andamos.

O pecado moral inclui também o pecado social, que é ignorar a pobreza e a miséria do mundo. O pecado não são só maus pensamentos, maus sentimentos ou uma prática errada que fizemos. Pecado é também a indiferença.

Sejamos anjos na vida dos pobres e sofredores, dos Lázaros dos nossos tempos

O grande pecado desse homem rico, que o Evangelho nos apresenta hoje, não é somente a sua avareza, não é somente aquilo que ele está deslumbrando com o que tem, mas é principalmente a indiferença para com Lázaro. O rico não dá atenção para Lázaro; e quem cuida dele são os cachorros que vão lamber as suas feridas.

Muitas vezes, os cachorros cuidam muito mais dos pobres do que os homens, do que os humanos cuidam dos outros. Os humanos cuidam dos cachorros – e continuemos a cuidar dos nossos animais – o que não podemos é deixar o ser humano estar abaixo dos nossos cachorrinhos, dos nossos animais. Não podemos admitir é que um ser humano criado à imagem e semelhança de Deus seja ignorado, maltratado e desprezado.

O Reino dos Céus – que achamos que vamos conquistar com as nossas virtudes humanas porque somos pessoas boazinhas, porque rezamos bastante, porque praticamos os nossos atos de piedade -, será para quem não se esqueceu das obras de misericórdia na sua vida. Por isso, o Reino dos Céus, em primeiro lugar, é dos pobres. Quando o pobre do Lázaro desprezado, maltratado e esquecido morre, são os anjos que vêm buscá-lo. Quando o rico morreu, foi enterrado.

Os anjos são amigos dos pobres. Sejamos anjos na vida dos pobres e sofredores, dos Lázaros dos nossos tempos.

Deus abençoe você!

Fonte: Canção Nova

Atitudes para a Quaresma

quarta-feira, 3 de março de 2021

 Quando caminhamos com um destino, não nos perdemos. Se nos desviamos do caminho e nossa consciência nos alerta, é justamente porque conhecemos nosso destino e sabemos que, por esse novo caminho, não vamos chegar lá. Mas saber o destino não significa que o caminho vai ser fácil. E nossa mente confusa, muitas vezes se esquece do destino final, gerando um risco real de se perder.

Qual é o destino da Quaresma? A Ressurreição de Jesus. A Igreja, com sua liturgia, não nos deixa esquecer disso e nos ajuda a ter sempre presente algumas atitudes que podemos ter nessa tempo, para viver de acordo com o espírito quaresmal e caminhar sempre até Jesus ressuscitado. Em todas as missas, os textos nos lembram constantemente como viver bem esse período de preparação para a Páscoa. Por isso, é tão importante participar com atenção nas celebrações eucarísticas, especialmente aos domingos.

Thiago Leon/Santuário Nacional
Thiago Leon/Santuário Nacional


Que atitudes nos recomenda a Igreja nesse tempo?

Nunca podemos nos esquecer dos três grandes meios propostos. OraçãoJejum e caridade. Esses três meios vistos em conjunto nos convidam a uma atitude, em geral, mais sóbria, austera, recolhida, meditativa. Não significa estar triste, porque um cristão não pode ser triste, mas voltar a pensar no essencial das nossas vidas. Como está o meu caminho de conformação com o Senhor Jesus, em outras palavras, estou mais parecido com Ele do que no ano passado? Como posso me assemelhar mais nesse tempo?

Mas não devemos nos perguntar isso com uma atitude pessimista, como se estivéssemos pensando: “Estou muito mal, Deus vai me castigar se eu não melhorar”, mas com um horizonte positivo, fundamentado no amor, como se pensássemos: “Amo tanto a Jesus que me dói não ser mais parecido com Ele, como posso amá-lo mais?” vida cristã é uma vida de amor, não de temor. Quantas vezes escutamos Jesus dizendo nos Evangelhos: “Não tenham medo”. Não tenhamos medo, nos lancemos, nessa quaresma, nessa aventura do amor que nunca acaba.

Na Missa do primeiro Domingo da Quaresma, escutamos o sacerdote pedir, na oração coleta, “que possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder a seu amor por uma vida santa.” Essa é uma atitude que não nos deixa desviar do caminho. Buscar conhecer mais a Jesus, por exemplo, pela oração mais intensa ou pelo estudo do Catecismo, nos fará arder de amor por Ele, porque quanto mais conhecemos, mais amamos Àquele que é todo amor. Com esse ardor vivo em nossos corações, vamos acender o coração de muitas outras pessoas que estão sentindo o frio da falta de Deus.

A Igreja sempre nos conduz pelo Caminho que é o próprio Jesus. Progredindo no tempo da Quaresma, vemos que esse caminho realmente nos conduz a Glória de Deus, quando Jesus é transfigurado no segundo Domingo da Quaresma. Nesse dia, somos chamados a ter uma atitude alegre, porque Deus já nos está recompensando, com a visão da Glória, os esforços que estamos fazendo por nossa conversão.

Em todo o tempo quaresmal, somos uma e outra vez convidados a olhar para o nosso interior e perceber, ao meu ver, duas coisas. A primeira delas é a nossa grande pobreza, fruto dos nossos pecados pessoais, que nos afastam de Deus e nos levam a uma vida sem sentido, triste. A outra é a grandeza (infinitamente maior que a primeira) do amor de Deus, que se aproxima de nós, fazendo-se pobre como nós para enriquecer-nos com sua riqueza, como nos diz São Paulo em sua primeira carta aos Coríntios, passagem que também serviu de base para o Papa Francisco em sua mensagem para essa quaresma.

Devemos que reconhecer que somos pobres enriquecidos! Com essa consciência, elevamos nosso olhar outra vez a Deus e lhe pedimos: “Acolhei esta confissão da nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia.” (Oração coleta do terceiro Domingo da Quaresma) Somente assim seremos transparentes ao Amor de Deus e permitiremos que muitas outras pessoas vejam por meio de nós o brilho de sua riqueza.

No fundo, as atitudes que devemos buscar ter na Quaresma são as atitudes que devemos buscar ter em toda a vida cristã, com um especial cuidado nesse tempo. E qual é a atitude mais básica do Cristão? É a que acontece na hora do batizado, quando morremos para os nossos pecados e ressurgimos para a Vida nova, a vida de Cristo, a vida cristã. Toda a vida do cristão é um morrer ao pecado, ao homem velho, para viver para a Graça, para o homem novo, que é Jesus. Todos os meios que colocamos na Quaresma, as atitudes que tomamos, devem encher o nosso coração do amor de Deus e acender em nós “tal desejo do céu, que possamos chegar purificados à festa da luz eterna” (Oração de Benção do Fogo, na Vigília Pascal).

Para isso, Maria nos ensina, com sua vida, as melhores atitudes para esse tempo. Tão silenciosa e recolhida, atenta à Palavra de Deus, meditando-as sempre em seu coração, buscando levar Jesus aos corações de todos os seus filhos, nossa Mãe é a escola perfeita, onde aprendemos a dispor o nosso coração para a alegria eterna à qual somos todos chamados. Pedindo que Ela nos guie e proteja, podemos ter a certeza de que não nos desviaremos do caminho de Jesus.


Fonte: A12

Quaresma: Fazei penitência

terça-feira, 2 de março de 2021




 Na Quarta-feira de Cinzas, iniciamos o tempo ou o ciclo da Quaresma. A Quaresma é um tempo favorável para exercitarmos a penitência, com a finalidade de nos convertermos. Gerações muito anteriores à nossa apostaram na penitência.

Vejamos:

“Noé proclamou a penitência, e todos que o escutaram foram salvos”. “Jonas anunciou a ruína aos ninivitas, mas eles, fazendo penitência de seus pecados, reconciliaram-se com Deus por suas súplicas e alcançaram a salvação, apesar de não pertencerem ao povo de Deus”. O próprio Senhor de todas as coisas também falou de penitência, com juramento: “Pela minha vida, diz o Senhor, não quero a morte do pecador, mas que mude de conduta” (Ez 33,11).

Em virtude dos fatos acima mencionados, apresento-vos algumas dicas e gestos penitenciais, com o objetivo de ajudar-lhes a vivenciar o ciclo da Quaresma, preparando assim, para celebrar a Páscoa do Senhor.

Vejamos:

a) Implore a misericórdia e a benignidade de Deus;

b) Seja humilde de coração;

c) Evite toda espécie de vaidade, soberba, insensatez e cólera;

d) Não seja orgulhoso.

Durante a Quaresma, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, promove a Campanha da Fraternidade, cuja finalidade principal é assumir a dimensão comunitária e social da Quaresma. Assim sendo, não deixe de exercitar na Quaresma os seguintes gestos humanitários e sociais:

a) Respeite o indigente;

b) Socorre os necessitados;

c) Não explore o seu próximo;

d) Não seja agressivo;

e) Reparta o seu pão com os famintos;

f) Use sempre máscara, lave e higienize suas mãos e mantenha o distanciamento social.

Fonte: A12

O coração convertido alcança a misericórdia de Deus

segunda-feira, 1 de março de 2021



 “Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados” (Lucas 6,36-37).

O Mestre Jesus deseja a nossa conversão, que o nosso coração seja convertido a Jesus, que o nosso coração seja convertido a Deus, um coração verdadeiramente convertido.  Alguns elementos são essenciais para a conversão e para a manifestação da vida nova nesse coração. Em primeiro lugar, com certeza, um coração convertido é um coração misericordioso porque é um coração que alcançou a misericórdia de Deus.

Veja, a misericórdia de Deus é Deus quem alcança a miséria mais profunda do coração humano. E Deus se compadece, Ele não só perdoa, mas lava, purifica e renova o Seu amor nesse coração tão frágil e pecador. É um Deus que se volta para as nossas misérias e de nós se compadece.

Se pudermos traduzir melhor o nome de Deus, traduziremos para “misericórdia”, porque Deus é a mais profunda misericórdia.

Se tivermos um pouco mais de ciência e humildade no coração, não nos comportaríamos com jatância, orgulho e soberba como temos nos comportado ultimamente; julgando, condenando e nos colocando acima dos outros, nos achando melhores que outros, nos esquecendo que Deus se abaixa à nossa condição humana miserável para nos levantar, não para nos tornarmos grandes, e sim para ficarmos de pé pela Sua misericórdia.

Um coração convertido é um coração misericordioso porque é um coração que alcançou a misericórdia de Deus

Se queremos viver como convertidos, a primeira conversão é para a misericórdia. Se queremos ter um coração voltado para Deus, permitamos que a Sua misericórdia se volte para nós.

Aqui tem uma coisa importantíssima: quando a misericórdia de Deus se volta para nós, ela nos dá a consciência e a ciência das nossas fragilidades, pecados, misérias, aquelas que estão escondidas debaixo do tapete do coração, nas penumbras da alma, onde, muitas vezes, não assumimos os pensamentos que tivemos, as ações que fizemos, os desejos que cultivamos, e de todos eles Deus não só nos purifica, como também nos renova.

Vá e faça o mesmo! Viva da forma como Deus vive para conosco: uma relação de amor e misericórdia. Não julgueis e não sereis julgados, pois o julgo que colocamos sobre os outros é um fardo pesado da nossa condenação, do nosso sentimento de sermos juízes do mundo, de sermos melhores que os outros.

Hoje, todo mundo é juiz de todo mundo, todo mundo julga todo mundo, quando o nosso Deus abaixa a cabeça para, misericordiosamente, olhar as misérias do coração humano.

Deus abençoe você!

Fonte: Canção Nova

Papa Francisco: no pobre que encontramos está o amor de irmão e o próprio Cristo

 O Pontífice recebeu em audiência nesta segunda-feira (1), no Vaticano, representantes do Centro Franciscano de Solidariedade da cidade italiana de Florença que atuam junto a idosos, deficientes e famílias que se encontram em condições econômicas e sociais difíceis. “Um sinal concreto de esperança”, disse o Papa, que “desperta as consciências adormecidas e nos convida a sair da indiferença, a ter compaixão por quem está ferido, a se curvar com ternura sobre quem está esmagado pelo peso da vida”. Um verdadeiro estilo de Deus e de obras como a da associação que primam pela proximidade, compaixão e ternura.



Andressa Collet – Vatican News

A última semana de fevereiro foi de retiro individual em oração com os Exercícios Espirituais de Quaresma. Já nesta segunda-feira (1), o Papa Francisco começa o mês de março cumprindo agenda no Vaticano, na semana que também marca o retorno das viagens apostólicas internacionais com a visita ao Iraque a partir de sexta-feira (5).

Uma das audiências oficiais do dia foi com uma delegação do Centro Franciscano de Solidariedade da cidade italiana de Florença. Em discurso, o Papa começou recordando o “precioso serviço de escuta e de proximidade” da associação realizado há quase 40 anos com famílias que se encontram em condições econômicas e sociais difíceis, e com pessoas idosas ou deficientes que precisam de apoio e companhia.

“Gostaria de dizer, antes de mais nada, ‘obrigado’ por isso. Num mundo que tende a correr em duas velocidades, que por um lado produz riqueza, mas por outro gera desigualdade, vocês são uma obra de assistência eficaz, baseada no voluntariado, e, aos olhos da fé, vocês estão entre aqueles que semeiam o Reino de Deus.”

A proximidade às feridas humanas

Francisco, então, comparou o trabalho da associação à obra de Jesus neste mundo, já que Ele veio para anunciar o Reino do Pai e “se aproximou com compaixão das feridas humanas”, disse o Papa, ficando “próximo especialmente dos pobres, dos marginalizados e descartados, dos desencorajados, dos abandonados e dos oprimidos”:


Assim, Cristo nos revelou o coração de Deus: é um Pai que quer proteger - Deus é um Pai que quer proteger todos nós, defender e promover a dignidade de cada um de seus filhos e filhas, e que nos chama a construir as condições humanas, sociais e econômicas para que ninguém seja excluído ou pisoteado nos seus direitos fundamentais, para que ninguém tenha que sofrer por falta do pão material ou por solidão.”


Uma obra inspirada em São Francisco de Assis

A associação italiana, que nasceu em 1983, deu vida a uma iniciativa das Ordens Franciscanas Seculares de Florença pertencentes às três famílias de Frades Menores, Conventuais e Capuchinhos, com um trabalho de caráter assistencial para ajudar as pessoas com dificuldades tanto material como espiritual. De fato, atualmente eles coletam e distribuem roupas usadas, oferecem um centro de escuta e dão apoio a idosos e deficientes no espírito do amor fraterno típico de São Francisco.

O Papa, no discurso, recordou justamente a inspiração da associação no “testemunho luminoso” do Pobrezinho de Assis, “que praticou a fraternidade universal” e "em todos os lugares semeou a paz e caminhou ao lado dos pobres, dos abandonados, dos doentes, dos descartados, dos últimos" (Encíclica Fratelli tutti, 2). Um trabalho, acrescentou o Pontífice, caracterizado como “um sinal concreto de esperança”, sobretudo em meio “à vida agitada da cidade, onde tantos se encontram sozinhos com a sua pobreza e sofrimento”. É um sinal que “desperta as consciências adormecidas”, enfatizou o Papa, “e nos convida a sair da indiferença, a ter compaixão por quem está ferido, a se curvar com ternura sobre quem está esmagado pelo peso da vida”. Essas são, então, concluiu Francisco, as três palavras que são o estilo de Deus e que deveria ser tão o de vocês: de proximidade, compaixão e ternura. 

“Queridos amigos, vão em frente com coragem no trabalho! Peço ao Senhor que o sustente, porque sabemos que o nosso bom coração e a nossa força humana não são suficientes. Antes das coisas serem feitas e além dessas, quando estamos diante de uma pessoa pobre, somos chamados a um amor que faz sentir ela como nosso irmão, nossa irmã; e isso é possível graças a Cristo, presente totalmente naquela pessoa.”

Fonte: Vatican News

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